Dias Comuns

qualquer coisa aleatória que passa na cabeça

22 de março de 2008

Ken Follett - Triângulo

O título do post trata de um livro que li durante minha viagem para João Pessoa, para participar do XX Ereh. O contexto histórico do livro é o surgimento do estado de Israel, concomitante com os conflitos entre os Judeus e os Árabes no Oriente Médio e Norte da África e o roubo de urânio para construção de uma bomba atômica. Houve umas passagens no livro que me chamaram a atenção, mostrando o ponto de vista Israelense. Transcreverei abaixo:

Sobre a sobrevivência do estado de Israel:

"Depois da Guerra dos Seis Dias, um dos meninos brilhantes do Ministério da Defesa escreveu um estudo intitulado "a inevitável destruição de Israel". Vou explicar o argumento dele. Durante a Guerra da Independência, compramos armas de Tchecoslovaquia. Quando o bloco soviético começou a passar para o lado dos Árabes, passamos a comprar armas da França e posteriormente da Alemanha ocidental. A Alemanha suspendeu todas as transações assim que os Árabes descobriram. A França impôs um embargo depois da guerra dos seis dias. Tanto a Inglaterra como os Estados Unidos tem sistematicamente se recusado a nos fornecer as armas de que precisamos. Estamos perdendo as nossas fontes, uma a uma.
Vamos supor que consigamos compensar essas perdas, descobrindo continuamente novos fornecedores e expandindo a nossa própria industria bélica. Mesmo assim, Israel sairia perdendo numa corrida armamentista no Oriente Médio. Os países produtores de petróleo serão mais ricos do que nós, por todo o futuro previsível. Nosso orçamento para a defesa já é um fardo terrível para a economia nacional, enquanto nossos inimigos não tem nada melhor em que gastar seus bilhões. Quando eles tiverem dez mil tanques, precisaremos de seis mil. Quando eles tiverem vinte mil tanques, precisamos de doze mil; e assim por diante. Basta eles dobrarem os seus gastos com armas a cada ano e poderão desmantelar nossa economia nacional, sem o disparo de um tiro sequer.
Finalmente, a história recente do Oriente Médio indica a incidência de guerras limitadas na media de uma por década. A logica desse padrão está contra nós. Os Árabes podem se dar ao luxo de perder uma guerra de tempos em tempos. Nós não podemos. Nossa primeira derrota sera nossa última guerra.
Conclusão: a sobrevivência de Israel depende de rompermos o circulo vicioso que nossos inimigos nos prescreveram."

Sobre o sentimento judeu de ter um lugar para chamar de lar:

"Não importava para mim que escolhêssemos a Palestina, Uganda ou Manhattan. Onde quer que fosse, eu poderia dizer: "este lugar é meu". E teria lutado com unhas e dentes para mantê-lo. É por isso que jamais procuro discutir os erros e acertos morais da criação de Israel. Justiça é algo que não entra na história. Depois da guerra... a simples sugestão de que o conceito de justiça pode ter algum papel na politica internacional virou uma piada macabra pra mim. Não estava dizendo que isso seja uma atitude admirável, mas apenas esclarecendo como encaro o problema. Em qualquer outro lugar que os judeus possam viver, em Nova York [sic], Paris, ou Toronto, não importa quão bom seja, quanto estejam assimilados, eles nunca sabem quanto tempo vai durar, quando virá a próxima crise que poderá ser-lhes convenientemente atribuída. Em Israel, tenho a certeza de que, aconteça o que acontecer, jamais serei vitima disso. E com esse problema afastado, podemos seguir em frente e cuidar das realidades que são parte da vida cotidiana: plantar e colher, comprar e vender, lutar e morrer. Acho que foi isso que fui para Israel.... talvez não tenha percebido o problema tão claramente na ocasião... para dizer a verdade, acho que nunca coloquei a coisa em palavras dessa maneira... mas é assim que sempre me senti."

E mais outras duas engraçadas (só quem leu entende):

Pierre: - "Mas o que há com você hoje? não consegue parar de sorrir."
Dickstein: - "É a sua presença que me deixa assim. Seu rosto é como um tônico. Sua disposição esfuziante é contagiosa. Quando você sorri, Pierre, o mundo inteiro também sorri."

"A incerteza era deliciosa, como tentar adivinhar o presente que se iria ganhar no dia do aniversario".

Infelizmente o livro está em falta. O meu comprei no sebo. R$2,00.
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