Dias Comuns

qualquer coisa aleatória que passa na cabeça

25 de abril de 2011

Sobre a tal reportagem do Domingo Espetacular (Record) falando sobre os jogos violentos




Como era de se esperar foi bastante tendenciosa e sensacionalista. Falaram da influência dos jogos violentos, chamaram uma psicóloga e falaram de dois adolescentes que trocaram esse tipo de jogos por algo mais LEVE. Óbvio, não dá para negar que um jogo influencia. Mas o que é que NÃO influência? Não existe tal coisa. Somos cercados por ações e situações que moldam nossa personalidade.

Batem muito nessa tecla de culpar os jogos por ações de delinqüentes, mas única a diferença significativa entre um jogo e um filme violento é que no game você tem o poder de controlar o personagem. É a sua índole que vai definir como o personagem se comporta. Vejam o vídeo abaixo:


Taí. Aposto que essa criança que praticou BULLYING com o Yoshi hoje em dia está maltratando vários animais. Exagerei? Com certeza. É muito fácil manipular a opinião pública somente contra os jogos violentos, mas se você analisar bem, a maioria dos jogos considerados "comuns" e "normais" tem esse elemento de violência e competitividade. Vai dizer que você não fica chateado quando leva um gol em um jogo de futebol?

Pacman, o famoso come-come, é um jogo que não permite PAUSAR. Na reportagem, a mãe falou que seu filho "ficava agressivo, mas não fisicamente... só verbalmente" quando ela interrompia a JOGATINA do garoto para falar algo. Mas é claro! Além dos hormônios FERVILHANTES, qual é o adolescente que gosta de ser interrompido quando está prestando atenção em algo? Pode ser em uma reportagem, assistindo um seriado, na leitura de um livro. A mesma reação desse garoto ocorreria se ele estivesse em um LEVEL avançado no Pacman e alguém o interompesse. Poxa, não dá para pausar, e mesmo se desse, você perde o FIO DA MEADA, porque Pacman é um jogo que requer raciocínio. O mesmo vale para Tetris, com a sua ALUCINANTE queda de blocos em alta velocidade.


E essa mulher, hein? Ela está realmente revoltada. Veja quantos xingamentos. Tudo por causa de game. Tenho CERTEZA que ela nunca jogou Duke Nukem ou Doom, mas a FÚRIA que ela EXALA foi vista como comédia justamente devido a superestimada reação que ela teve em relação a um jogo BANAL. Será que se ela matasse alguns inocentes por aí, associariam o comportamento dela a colheita maldita feliz?

Os games estão aí para você extravasar suas emoções. Tem gente que prefere ir a uma academia, praticar artes marciais ou assistir a um filme romântico. E tem gente que prefere sair atirando num espaço virtual. O que tem demais?

Falaram também sobre a questão da classificação dos jogos. No Brasil, os jogos são classificados por faixa etária. Veja bem, é uma classificação, não uma censura. Um pai pode levar seu filho de 12 anos para ver OS MERCENÁRIOS no cinema se ele achar que a criança tem maturidade para tal. O problema, como sempre, é a fiscalização. Tanto do governo em relação aos jogos, quanto dos pais em relação ao que os filhos acessam na internet. Sugeriram na reportagem bloquear determinados endereços para restringir a acessabilidade, mas isso não é efetivo, já que os jovens sabem driblar essas coisas facilmente (e tem mais tempo livre para pensar em como driblar esse obstáculo). Cabe aos pais conscientizarem seus filhos, se possível não pela imposição. Porque o ditado que diz que "tudo que é proibido é bom" não é toa.


A reportagem peca por não mostrar os benefícios que o entretenimento eletrônico proporciona. Viu só as opiniões contrárias aos games (Segundo o Kotaku Brasil, "os entrevistados com opiniões contrárias às do jornal não foram ouvidos porque estavam “o dia inteiro na frente do computador” ou se banhando com o sangue de crianças inocentes"). Curioso é que logo EM SEGUIDA exibiram uma matéria sobre as acusações de plágio feitas pelo Angra ao grupo Parangolé, entrevistando os componentes das duas bandas. Isso é TENTAR ser imparcial (porque todo mundo sabe que não existe isso), é fazer um jornalismo decente de modo a recolher as opiniões e gerar uma discussão e não tentar criar uma verdade absoluta na qual os games violentos são errados e ponto final.

P.S.: Recomendo vocês leram os tweets referentes a #videogamemata. É com bom humor e sarcasmo que as pessoas dizem como alguns jogos influenciaram a vida delas para o bem e para o MAL. Alguns exemplos:

Joguei tanto Tetris que empilho corpos no quintal sem deixar espaço entre eles.
Joguei tanto Zelda e agora entro na casa de todos só para quebrar vasos.
Joguei tanto Need For Speed, que quando vou fazer uma curva penso logo em fazer Drift pra encher meu nitro.
Joguei tanto Angry Birds e agora fico arremessando passarinhos com estilingue.
Joguei tanto GTA que quando entro no carro do meu pai, dou nele um soco e jogo ele pra fora do carro
joguei tanto Super Mario agora vivo batendo a cabeça em tijolos pra ver se encontro moedas
Joguei tanto Metal gear que hoje tenho treianmento de camuflagem e manipulação de armamento tático
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