Dias Comuns

qualquer coisa aleatória que passa na cabeça

23 de janeiro de 2012

As intermitências da Morte

Não lembro onde li ou vi, mas alguma pessoa famosa disse que o elemento essencial para se fazer uma boa ficção é pegar algo que está em escassez e transformá-lo em abundante. E vice-versa. É o que José Saramago faz nesse livro. Se todo mundo morre, imagine se, por um momento, ninguém mais morresse. Interessante, né?


Pois é isso que acontece em As intermitências da Morte. As pessoas simplesmente param de morrer. No começo tudo é festa, afinal somos imortais. E depois? Bem, as pessoas que estão doentes, continuam doentes, sofrendo, mas não morrem. Milhares de acidentes acontecem e as pessoas ficam vivas quando não eram pra ficar. Os hospitais e asilos ficam lotados, as funerárias e as empresas de seguro estão indo a bancarrota.

Como foi possível contornar a situação? A partir daí, já é spoiler, então vou deixar que a sua curiosidade te faça ir atrás do livro. Ele é ótimo. Fiquei imaginando um filme, no estilo do Ensaio sobre a Cegueira.

Algo bacana que descobri com o livro é que existe uma borboleta chamada Acherontia Atropos que, ao abrir suas asas, há a face de uma caveira. Acho que é por isso que no anime Bleach existem aquelas borboletas negras. Pra simbolizar a morte. Já que os Shinigamis são os deuses da morte.


Um ponto há em que sinto ser minha obrigação dar a mão à palmatória, o qual tem que ver com o injusto e soas à falsa-fé, sem aviso prévios, sem dizer água-vai, tenho de reconhecer que se tratava de uma indecente brutalidade, quantas vezes não dei nem sequer tempo a que fizessem testamento, é certo que na maior parte dos casos lhe mandava uma doença para abrir caminho, mas as doenças tem algo de curioso, os seres humanos sempre esperam safar-se delas, de modo que só quando já é tarde de mais se vem a saber que aquela iria ser a última, enfim, a partir de agora toda a gente passará a ser prevenida por igual e terá um prazo de uma semana para pôr em ordem o que ainda lhe resta de vida, fazer testamento e dizer adeus à família, pedindo perdão pelo mal feito ou fazendo as pazes com o primo com quem desde há vinte anos estava de relações cortadas


Ah, e Gadanha é aquela foice da morte, sabe?
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