Dias Comuns

qualquer coisa aleatória que passa na cabeça

29 de abril de 2012

O Resgate de um Campeão (Resurrecting the Champ)

Por que você baixou esse filme?

Pra não fugir do clichê, foi pelo certificado do Cinesophia. Agora só assisto filme lá. Enquanto isso, meu HD vai ficando cada vez mais cheio dos filmes que baixo e não vejo. Triste :(

Mas e aí, do que é que ele fala?

Desesperado por uma grande matéria, um repórter esportivo (Josh Hartnett) descobre um sem-teto (Samuel L. Jackson) que acredita ter sido o grande boxeador Bob Satterfield, que lutara até a década de 1950. A questão é que acreditava-se que o boxeador já estava morto.

Tem esse jornalista, né? A ex-mulher dele é super famosa no meio, mas ele não emplaca uma matéria digna. Seu atual editor diz que ele "digita muito, mas escreve pouco" e até retalha algumas das suas notícias. Bem diferente do editor antigo, que as adorava. O jornalista trabalha com esportes, especificamente o boxe. Seu pai era um antigo comentarista do meio e o filho seguiu o mesmo rumo.

As intensas pressões no campo pessoal (a separação, o filho) e o profissional (o editor) fazem com que o jornalista busque AQUELA reportagem. A que vai marcá-lo para o resto da vida. Num desses eventos cotidianos corriqueiros, ele acaba encontrando um mendigo que estava sendo surrado por uns garotos. É o tal boxeador da sinopse. Ou ao menos se declara ser. É a chance da vida do jornalista, falar do que acontece depois da fama e riqueza. A decadência. A tentativa de dar um toque humano. Só que o boxeador-mendigo não quer fazer a entrevista. Ironia: o jornalista MENDIGA a entrevista que só é concedida após ele abrir o jogo e falar dos seus problemas.

Daí rola todo aquele paralelo. Ambos buscam respeito. O jornalista quer o respeito profissional e quer ser um exemplo para o seu filho. O boxeador almeja o reconhecimento pelo que fez no passado, haja vista que agora é apenas um sem teto.

Nos momentos em que se mostra o relacionamento entre pai e filho, o pai tenta dar o seu melhor, ser o cara cheio dos amigos famosos. Mas é tudo mentira. Só que o filho acredita, né? Os filhos sempre acreditam nos pais. O jornalista inventa que é amigo de famosos do esporte e, em certa oportunidade, um desses "amigos" está comendo na mesa ao lado e o filho pede para apresentá-lo. E o pai "não, não vamos incomodar" e a criança replica "mas ele é o seu amigo, qual o problema?". Bem tristinho. Um ponto bacana sobre a criança é a sua inocência. Ao contar a história do boxeador que vive na rua, o garoto não aceita que as pessoas morem lá. Uma crítica, né? Afinal nós vemos isso hoje com muita naturalidade (essa naturalidade se adquire com o tempo, claro).

Bom, daí a história dá uma reviravolta e começamos a perceber as nuances do jornalismo investigativo e o que acontece se o mesmo for feito superficialmente. Não basta acreditar nas palavras, é preciso de documentos e conhecimento sobre o assunto para não se meter em uma furada. A ética do jornalista é medida pelo exemplo de pai que o jornalista quer ser para o filho. Neste caso, a criança é a limitadora das ações do seu pai.

Outros temas abordados pelo filme são a confusão entre o pessoal e o profissional, o sentimento de traição, a questão de ser reconhecido e o desejo de ser alguém melhor (afinal é um filme sobre superação).

Recomendo.

Poderia me mostrar algumas imagens?



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