Dias Comuns

qualquer coisa aleatória que passa na cabeça

19 de maio de 2012

O Carteiro e o Poeta (Il Postino)

"Até a ideia mais sublime parece boba se ouvida com tanta frequência".

A história do filme é baseada em fatos reais, porem com algumas adaptações. Pablo Neruda foi um poeta chileno que, para evitar ser preso devido a problemas com o regime político do seu país, exilou-se em Isla Negra, no Chile, entre os anos de 1946 a 1952. No filme, a ação se passa em uma ilha na costa da Itália nos anos 1950.

Devido ao aporte da nova celebridade na vila dos pescadores, muitas cartas chegam para o mesmo e como o local onde o mesmo vive é isolado das outras residências, é contratado uma nova pessoa pelos correios local exclusivamente para entregar as correspondências de Pablo. Este é Mario, um homem humilde, desempregado e também o Carteiro do título do filme.

"Quando um homem começa lhe tocar com as palavras, está próximo de tocar com as mãos"

As constantes idas e vindas do carteiro, somada a sua curiosidade pela poesia (e pelo poeta, por que não?), dão inicio a uma relação de cumplicidade entre os dois. Neruda ensina a Mario sobre metáforas, enquanto Mario torna-se um ouvinte das nostalgias do poeta.

O filme toca em vários pontos interessantes: aborda a questão da figura idealizada pelo povo de uma celebridade e como ela se desfaz a medida que ocorre a interação entre ambos; a relação de mestre e aprendiz entre Pablo e Mario, quando o segundo se apaixona e Pablo dá as dicas de como por seus sentimentos em palavras; a criação de esteriótipos (os comunistas que comem criancinhas e a efusividade dos italianos/latinos).

"Quando você explica, a poesia se torna banal"

Em determinado ponto da história lembrei daquela frase do livro O Pequeno Príncipe: "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas". Há uma mudança substancial em Mario após conhecer Neruda. Se antes aparentava ignorância e subserviência, agora se mete em problemas por questionar as autoridades. É o ser humano aprendendo a questionar o que lhe é imposto. Não é a toa a crítica política do filme, revelando os motivos pelos quais os governos temem tanto os artistas, pois a arte é o meio mais fácil de transmitir (cifrada ou não) uma mensagem ao povo sobre os problemas da sociedade.

No fim, a mensagem que o filme passa é que as pessoas vem e vão durante nossas vidas, mas não são todas que deixam marcas e ensinamentos.
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