Dias Comuns

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26 de maio de 2012

Saló ou os 120 Dias de Sodoma (Salò o le 120 giornate di Sodoma)


O filme foi inspirado no livro Os 120 Dias de Sodoma do Marquês de Sade e conta a história de um grupo de jovens que sofre uma série de torturas por quatro fascistas durante o ano de 1944, quando a Itália era dirigida por Mussolini. Seu roteirista principal e diretor é Pier Paolo Pasolini. As filmagens se passam na Itália e na França.


Os fascistas não são conhecidos pelos seus nomes, mas sim pelas alcunhas: O Duque, O Presidente, O Magistrado, O Bispo. Além dos jovens e das moças SEQUESTRADAS (16 ao todo, metade de cada sexo), os fascistas contratam quatro cafetinas que contarão histórias de suas vidas e aventuras. Tais histórias, de todos os tipos sexuais possíveis, irão EXCITAR a mente das quatro figuras masculinas que, a partir das mesmas, irão reencená-las com seus ESCRAVOS SEXUAIS.

As cafetinas contando suas histórias de outrora me lembraram da série de vídeo que está fazendo sucesso atualmente na internet: "Marcelinho lendo contos eróticos". Só lembrou pelo fato do erotismo mesmo.


O filme é dividido em quatro partes, cada uma focando uma temática diferente: Antinferno, Girone delle Manie, Girone della Merda e Girone del Sangue.

Em primeiro lugar vem o "Antinferno", onde os soldados e os escravos são recrutados. Não fica claro no filme os critérios de "seleção". Tanto os soldados como os futuros escravos são tratados como mercadoria. O prazer dos fascistas vem do sofrimento. Há piadas bobas ao mesmo tempo em que pessoas são torturadas psicologicamente e fisicamente. Ninguém se opõe ao sofrimento do outro. Minha sensação foi de que por apenas uma questão de SORTE o grupo de soldados não se tornou o grupo oprimido e vice-versa.


"A burguesia nunca evitou matar seus filhos"

A segunda parte chama-se "Girone delle Manie". É aqui que o filme começa a chocar. É mostrado a sala das orgias, palco das encenações advindas das histórias das cafetinas. Os escravos não tentam fugir. Não fica claro se é por medo ou se ficaram condicionados com o tratamento dado. A única forma de "protesto" é quando começam a ocorrer os primeiros suicídios.

"Não há perdão sem derramamento de sangue"


O caráter doentio do filme é acentuado pelas reflexões filosóficas feitas pelos fascistas em relação ao que está acontecendo. Cita-se Nietzsche, Baudelaire, Huysmans e Ezra Pound.

Um ponto interessante é como ninguém julga o outro pelas preferências sexuais. Todos, TODOS MESMO, buscam apenas o prazer, seja de que forma for. Muitas passam LONGE do que a sociedade diz que seja comum.

"Nada é mais contagiante que o mal"


A terceira é "Girone delle Merda". É daqui pra frente que seu estomago começa a embrulhar e essa é a deixa para você abandonar o filme. ESTOU AVISANDO! As agressões físicas e psicológicas tornam-se cada vez mais fortes. Pra mim, o filme torna-se enfadonho nessa parte. Os comportamentos tornam-se repetitivos e a violência banaliza-se.


"A limitação do amor é que você sempre precisa de um cúmplice"

Por fim, na última parte, "Girone del sangue", as intrigas afloram. Os escravos começam a dedurar uns aos outros em busca de supostos "privilégios", o comportamento de alguns soldados torna-se inadequado, as punições (CRUÉIS) começam a serem postas em prática e a mansão começa a entrar em desordem.

"Mate-me, mas não me desonrem"


Esse é um filme que não recomendo para estômagos fracos e pessoas com baixa capacidade de abstração. Só escrevi essas linhas todas porque estava muito de mente aberta. Caso contrário a única lição que o filme teria passado seria: ESPERO QUE ISSO NUNCA OCORRA COMIGO.
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