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8 de julho de 2012

Precisamos Falar Sobre o Kevin (We Need to Talk About Kevin)


Lembra do massacre em Realengo? Ou das crianças reféns na escola russa em Beslan? Ou do documentário de Michael Moore "Tiros em Columbine"? Pois bem... "We Need to Talk About Kevin" também trata de um massacre, só que visto por uma perspectiva singular: a da mãe do psicopata.

A psicopatia é um distúrbio mental grave caracterizado por um desvio de caráter, ausência de sentimentos genuínos, frieza, insensibilidade aos sentimentos alheios, manipulação, egocentrismo, falta de remorso e culpa para atos cruéis e inflexibilidade com castigos e punições. Apesar da psicopatia ser muito mais frequente nos indivíduos do sexo masculino, também atinge as mulheres, em variados níveis, embora com características diferenciadas e menos específicas que a psicopatia que atinge os homens.


Quando me falaram desse filme, achei que fosse baseado em alguma história real. Não é. É uma história totalmente fictícia, porem bastante crível. É baseado num livro escrito por uma jornalista que diz ter feito uma pesquisa aprofundada sobre o comportamento desses psicopatas.

A história é contada de uma forma não-linear. Foca-se em Eva, a mãe, no presente, mostrando flashbacks de seu passado, desde antes da gravidez até o ocorrido.


A violência visual presente no filme é sutil, não é descarada, é tudo implícito. Isso torna o filme bastante TENSO, pois o espectador, sabendo de antemão a sinopse, entende o que irá acontecer. A cor vermelha, por exemplo, está por todo o filme: na comida, na tinta, até nas cores das árvores!


De certa forma o filho não era desejado. Não fica claro se Eva teve alguma depressão pós-parto ou se realmente não queria ser mãe naquele momento, mas ela acaba tendo que lidar com isso. Pior, praticamente sozinha. O pai é uma figura ausente, não percebe as peripécias do filho e acredita que a mãe está imaginando coisas. Dá a entender que a mãe seria a única culpada do que ocorre com o filho, mas isso é errado. Ela tenta de todo modo se aproximar dele, mas não é bem sucedida.


Destaco do filme a atriz, Tilda Swinton (que fez a Feiticeira Branca em Nárnia), como a mãe e, principalmente, todos os atores que interpretavam o Kevin, desde o bebê até o adolescente. TODOS são bem parecidos e, dá forma que se desenrola o filme, espere muitas maldades da parte deles.


Daí eu me pergunto: você nasce um psicopata ou se torna um? Há uma predisposição para esses atos? Acredito eu, baseado em puro achismo, que haja uma genética, mas que isso não é o único fator. Penso que contexto social contribui para esse tipo de comportamento aflorar. Não é algo pelo qual possa se afirmar "É ISSO!" e pronto. E outra pergunta: é possível os pais não amarem seus filhos?

Um ótimo filme de drama. Tenso do começo ao fim. Vale a pena assistir.
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