25 de março de 2013

Manhole

Uma crime aparentemente besta, se mostra mais complicado do que aparenta. Uma doença causada por uma filaria, um parasita, começa a causar gravíssimos danos nos seres humanos. Roubando sua líbido, deixando-os os cansado e removendo seu apetite. O parasita age no talamo central do cérebro responsável por controlar nossas vontades. E agora? De onde veio isso? Uma nova mutação? Coisa do demônio? Bioterrorismo? Um cientista louco?


Imagine que por causa de um inseto CHUPADOR DE SANGUE (hematófago), a disseminação da doença fica mais fácil. É assim mesmo que ocorre. Triste perceber que os humanos são tão fracos.

O primeiro caso da história é de um rapaz que anda nu e balbucia palavras sem sentido. Ao encontrar uma outra pessoa, tenta falar algo, possivelmente "mamãe!", mas a surpresa do transeunte ao ver aquela cena é tão grande que este o empurra, fazendo o homem nu cair de cabeça no chão e morrer, sem antes deixar de cuspir UM JATO DE SANGUE na cara do pedestre quando tentava balbuciar algo. Já viu, né? Infecção.


A policia, a principio, acha que é mais um caso banal, mas logo descobre-se toda uma conspiração. Há um certo instituto para o qual este homem nu se dirigiu para tentar curar-se dos seus males. Ele batia nos pais, roubava seu dinheiro, era uma pessoa agressiva, mas em algum momento quis melhorar. (E isso me lembra que há umas três semanas fui a uma palestra que debatia internação compulsória de usuários de crack. Pensei: "tudo a ver com esta história, Paolla).

Mas o que este instituto pode ter feito de tão ruim para fazer um homem andar nu cuspindo sangue pelas pessoas e falar numa linguagem ininteligível?


Aos poucos descobrimos que a pessoa por trás desses eventos tem uma ideia bastante EUGENISTA sobre a população. Quer simplesmente expurgar as pessoas ruins do mundo. A intenção é boa, né? Pelo menos assim pensa o coordenador das ações. Só que se você parar e refletir, é complicado ser o INMETRO da população mundial. Prefiro não viver num mundo onde minhas ações podem ser interpretadas como maléficas e sofrer o que os personagens da história sofreram.


E quando eu me referi a palestra que fui, não foi a toa. Estão falando de lobotomia no mangá! E, pasmem, o rapaz que criou isso, Egas Moniz, foi agraciado com um PRÊMIO NOBEL. A mentalidade daquela época (1949) era outra mesmo, hein? A imagem acima diz que "muitos pacientes foram libertos do seu sofrimento".  Será? Definitivamente devem ter se tornado cordeirinhos, sem mais causar problemas a família, mas isso é resolver o problema? Não há outras opções? Para o "VILÃO", não há.


Dois dos personagens policiais responsáveis por cuidar dos casos são estes da imagem acima. Uma garota que acabou de entrar pra polícia e seu chefe, que lhe prega várias pegadinhas. Uma ótima dupla!

Lembrar também que os países africanos, no casto deste mangá Botsuana, ainda são vistos como locais mágicos, estranhos, bizarros e diferentes, repletos de propriedades místicas e curadoras. Não há melhor cenário para criar-se mitos que um local pouco conhecido pelo ser humano. Inventar uma "tribo dos ciclopes" torna-se muito mais simples.


Apesar dessas imagens chocantes que usei na resenha, o mangá não é tão nojento como parece. É PIOR, não pela nojeira, mas por se basear em COISAS REAIS. A filária realmente existe. A lobotomia foi uma prática bastante utilizada e aceita em um certo período. Teorias eugenistas PIPOCAM pelo mundo até hoje. E, novamente sobre a palestra, se as pessoas doentes não condizem com o que a sociedade almeja, o único modo de resolver o problema é eliminá-las e/ou isolá-las. Pelo menos assim pensam algumas pessoas.


Tetsuya Tsutsui, o autor da história, possui apenas três outros mangás além de Manhole. Um deles, Duds Hunt, encontrei traduzido para o português do Brasil pela mesma galera que fez Manhole, o Chrono Scanlator (dá pra fazer download de Manhole neste mesmo link). É só um volume, então em breve escreverei algo por aqui.

E, sim, recomendo lerem Manhole.

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