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21 de dezembro de 2013

Por que compro jogos se não os jogo? - Parte 2

Continuando a sequência do post "Por que compro jogos se não os jogo?", a pergunta ainda persiste. No post anterior falei das vantagens que o Steam oferece em relação aos produtos piratas. Essa não é a única resposta. Vamos tentar responder uma abordagem diferente.


CONSUMISMO. Sim, exatamente. Já fui chamado diversas vezes por Paolla e Kivia de consumista, porque sempre mostrava a elas os livros que comprava no sebo (olá, ESTANTE VIRTUAL!). Porem os livros que compro, livros físicos, os leio. Realmente estou CONSUMINDO-OS no sentido de UTILIZÁ-LOS. Todavia, quando baixo filmes na internet e armazeno-os no HD externo ao invés de assisti-los, estou apenas ACUMULANDO-OS. Apesar de perceber essa diferença SEMÂNTICA, acredito que ambos tem relação, porque mesmo que não se gaste diretamente com os filmes (ou até livros em .pdf, .epub, etc), há o gasto indireto com eletricidade e provedor de internet. Ambos são uma forma de consumismo.

"Consumismo pressupõe excesso" (LIMA, Túlio. In: Facebook. 2013), mas em que medida podemos mensurar o que é excesso? Esta é uma resposta particular, mas penso que se estou levantando esta hipótese, talvez eu seja mesmo consumista (para os meus padrões).

A Wikipedia, fonte do saber de todo INTERNAUTA, diz que:
"A diferença entre o consumo e o consumismo é que no consumo as pessoas adquirem somente aquilo que lhes é necessário. Já o consumismo se caracteriza pelos gastos excessivos em produtos supérfluos, movidos pela propaganda."
E a banda Titãs, na canção COMIDA, falava sobre o que era necessário:
A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte
Na letra são citadas outras coisas, mas vocês já pegaram a ideia. Definir o que é "necessário" não é simples: quem se define, se limita, e nossas necessidades são bastante transitórias. Claro, se você pegar o BASICÃO DA SOBREVIVÊNCIA, teríamos água, ar, comida, teto e, sobretudo, companhias. Porem ninguém quer sobreviver: queremos viver. Vamos deixar isso de lado e focar no que a Wikipédia caracteriza como consumismo: "caracteriza-se pelos gastos excessivos em produtos supérfluos, movidos pela propaganda"

Isso casa perfeitamente com a opinião de um outro gamer: "consumismo é mais o ato de comprar e ter do que de usar" (RIGHI, Diogo. In: STEAM., 2013). Com relação as ofertas do Steam, seu discurso também está em CONSONÂNCIA: "é a oportunidade, a sensação de estar ganhando, levando vantagem".

Vamos analisar a imagem abaixo, que é a home do site do Steam em 20 de Dezembro de 2012, com as promoções de fim de ano. Reparem nas PALAVRAS MÁGICAS.


Aquela que mais aparece é "Promoção": quatro vezes. Para onde você olha (em cima, em baixo, esquerda, direita), você vê PROMOÇÃO. É essa a sensação de estar levando vantagem que RIGHI fala. Temos esta OPORTUNIDADE de adquirir algo por um preço abaixo do padrão. Por que deixar passar? "DESCONTOS" é outro vocábulo relacionado diretamente com promoção.

Outro termo utilizado é "RECOMPENSA": ora, não apenas vou gastar, mas serei recompensado por isso. "Que maravilha!", pensamos instintivamente. Está intimamente ligada a "GRATUITOS". E, por fim, temos "NOVOS", simbolizando o óbvio: novidades, coisas frescas, recém-lançadas, nada antigo ou ultrapassado.

"Se cabe no seu bolso (o barato é relativo), mas não vai ter muita utilização, você comprou por impulso". (FELIPELI, Angela. In: Facebook. 2013).

Baseado nestes argumentos supracitados e no post anterior, estou convicto de que:

a) a plataforma Steam oferece incentivos, através de propagandas, que me motivam (ou seria induz?) a comprar ao invés de piratear.
b) sou consumista.

Essas duas respostas são suficientes para responder "por que compro jogos se não os jogo?". Acredito que não. Certamente ainda há mais razões e estas serão abordadas na próxima parte desta série de posts.
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