Dias Comuns

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9 de fevereiro de 2014

Chaves e o Lumpemproletariado

Entre as páginas 32 a 37 do texto “Estado, Classe e Movimento Social” (MONTAÑO e DARIGUETTO) que leio para uma disciplina que estou pagando na universidade, os autores falam sobre as classes sociais. 

Além de, primeiramente, distinguir classes sociais das econômicas (aquelas conhecidas por classe média, classe alta, classe baixa), também explicam e exemplificam algumas destas classes sociais baseadas nas ideias de Marx e Engels. As duas mais marcantes, claro, são a do Burguesia e a do Proletariado, mas havia uma cuja existência nunca tinha ouvido falar: o lumpemproletariado.



Segundo o texto, a grosso modo, as definições são as seguintes:

Burguesia: “a classes dos capitalistas modernos, proprietários dos meios de produção social, que empregam o trabalho assalariado (...) proprietários de terras (...), dos meios de produção (...), dos meios de consumo (...) e as instituições de intermediação financeira.”

O proletariado (classe trabalhadora): “privados de meios de produção, se veem obrigados a vender sua força de trabalho para existir (...) o trabalhador pode ser produtivo ou improdutivo (sem produzir mais-valia)”

Lumpemproletariado: “uma massa indefinida e desintegrada (...) maleável pela elite dirigente (...) composta por indivíduos arruinados, vagabundos, presidiários libertos, chantagistas, punguistas, trapaceiros, mendigos”

E do que adianta sabermos dessas coisas se não conseguimos contextualizar/estabelecer relações com nosso mundo? Nada, né? Pois é. Um dos papeis do historiador/professor de história é mostrar aos outros esse sentido. E quando você descobre um exemplo simples e que todo mundo conhece torna as coisas ainda mais fáceis.

Estava eu assistindo televisão dia destes (quando a OI/VELOX simplesmente desistiu de prover serviços de internet para minha pessoa) e quando vi uma das repetitivas cenas do Chaves onde o Seu Barriga foi cobrar o aluguel do Seu Madruga, TUDO FEZ SENTIDO. Bem, pelo menos esse texto fez sentido.

O Seu Barriga é indiscutivelmente o burguês do qual o texto fala: detêm o monopólio da terra, numa analogia as casas da vila, sendo o arrendatário. Lucra com o trabalho dos outros e certamente, quando morrer, seu filho Nhonho receberá através de uma herança todos os seus bens, repetindo o ciclo vicioso.

O restante da vila, incluindo aí também o Seu Madruga, fazem parte do proletariado, aqueles que vendem ou tentam vender sua força de trabalho. Mesmo Seu Madruga sendo desempregado, isso não o exclui da categoria dos trabalhadores, tendo em vista que estar empregado não entra no mérito da questão (uma coisa que eu não sabia, mas o texto esclarece!).

E, por fim, temos o Chaves, protagonista do seriado que leva seu nome, o mendigo da vila, não detêm nenhum meio de produção, não trabalha, e baseado no que NÃO SABE na escola, não há nenhuma perspectiva de melhoria. Vale lembrar que o Chaves é, por diversas vezes, trapaceiro com o Quico, uma pessoa da classe média/alta, porem um proletário como outro qualquer.
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