19 de maio de 2015

Joshua

Joshua estava em casa tranquilo vendo TV com sua família quando ouviu um barulho de um carro entrando na sua rua sem saída em alta velocidade. A freagem brusca contaminou o ar com o cheiro de borracha queimada. Os vizinhos da casa da frente, em suas cadeiras de rodas elétricas, fecharam as portas e as janelas.

Os homens que saíram do Sedan prateado estavam armados e iam em direção a residência de Joshua.

Vazio.

A única coisa que Joshua se lembra é de desarmar um dos homens, porém isso não foi suficiente: havia um comparsa com a arma apontada para sua nuca. Era o fim da linha para o garoto e ele nem ao menos sabia porque.

BANG!

Sangue por todo lado. Joshua não era mais nada além de um corpo estendido no chão.

Vazio.

Joshua corria esbaforido para o quintal enquanto os homens invadiam sua casa. A adrenalina traz força inimagináveis ao corpo. Acima do peso, Joshua deu um salto em direção ao muro vizinho e de lá para o teto da sua casa. Ninguém procuraria por ele ali e sua previsão se confirmou. Antes de adormecer ao luar,  ouviu o barulho de uma arma e o baque surdo de um objeto e ficou temerário pela sua família, mas "antes eles do que eu", pensou e apagou.

Acordado e refeito do susto, desceu para a sala. Havia policiais  e um corpo de um homem desconhecido. Quem era ele? Certamente não eram os invasores. Ninguém reconhecia o corpo.

Apesar de todo o interrogatório, Joshua não sabia dizer a razão da sua família haver sido poupada. Sabia que estavam atrás dele, mas não o motivo. O que ele teria feito?

O investigador responsável sugeriu o seguinte: Joshua deveria sumir. O corpo encontrado seria dado como o dele e ninguém voltaria para terminar o trabalho. Ele teria que criar uma nova identidade, deixando família e amigos para trás, cortando todo tipo de comunicação de forma perene.

O rapaz achou que valeria a pena. Não queria ver sua família morta, apesar de suas intenções egoístas anteriores de salve-se quem puder. Entretanto havia alguém que ele não queria deixar para trás. Sua namorada. Investiu tempo, dinheiro e saúde mental que não teria paciência para fazer tudo de novo com outra pessoa. Queria recomeçar uma vida nova com uma velha pessoa.

Apesar de ir contra todo o raciocínio logico e recomendações policiais, Joshua foi ao aeroporto encontrá-la. Contra todos os indícios, ela não era uma aeromoça. Trabalhava no balcão mesmo.

Ela não deu cabimento algum a Joshua com essa história infundada.

Joshua partiu num ônibus lotado na rodoviária mais próxima.


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