4 de junho de 2015

Joshua #2

Era noite. Joshua tinha um encontro com a garota pela qual estava apaixonada. Era a primeira vez que a encontrava pessoalmente. Ela estava de férias e aproveitou para encontrá-lo, já que não eram da mesma cidade.

No aeroporto, ao avistá-la de longe, notou a fragrância: Coffee Woman Seduction, do Boticário. A menina definitivamente cheirava bem, apesar de fatos prévios darem a entender que ela não era a mais organizada das pessoas. Talvez ela tivesse feito por ele. Joshua não tinha como saber. O que realmente chamou sua atenção foram as roupas da jovem: ela estava vestida como uma duende de Natal, roupas verdes inclusas.

Menos sensual do que isso, mas deu pra entender, né?

"É para deixar meu bumbum e quadril maiores" foi a primeira frase que ouviu de sua boca pessoalmente, ao notar o olhar atônito de Joshua.

Saíram diretamente do aeroporto para uma festa com sua querida. As malas ficaram na mala e eu não tenho certeza se isso é um pleonasmo.  Dentro do local, alguns rostos conhecidos de um esporte eletrônico. Joshua e sua amada eram fãs, porem conseguiram se comportar como pessoas de bom senso e não tietaram os atletas.

A cidade estava especialmente violenta nessa época. Uma organização criminosa estavam capturando mocinhas e usando-as como carne para pastel. Os jornais diziam que o modus operandi consistia em sequestrá-las em locais públicos, geralmente festas noturnas, com o uso de triclorometano, fazendo as vitimas desmaiaram e quando transeuntes perguntavam o que estava acontecendo, diziam-se familiares ou amigos e ninguém mais questionava.

Joshua pensou ter visto algo semelhante na festa. Talvez fosse apenas impressão sua. Ainda assim a pulga permaneceu atrás da orelha, enquanto as caspas infestavam seu cabelo, já que o shampoo prometido não resolveu o problema. Cochichou, em meio ao tuntz tuntz, com sua estimada sobre seu palpite e resolveram seguir, de longe, a mocinha que estava sendo levada por outras duas mulheres.


As habilidades investigativas de ambos estavam arrojadas. A pista os levou aos fundos de um supermercado comum. Nenhum sinal das sequestradoras. A porta estava aberta.

Entraram.

Ficaram estarrecidos com o que viram. Muito sangue, pedaços de gordura e uma serra enorme sobre uma placa de metal para cortar o corpo das moçoilas ao meio.

Algo assim, só que mais moderno, não operada por humanos

Diversas garotas padeciam nas macas, quase todas elas mutiladas em alguma parte do corpo. Vários pacotes com pasteis estavam em embalagens térmicas, "dessas para viagem" pensou Joshua, em uma armário de vidro fechado com um cadeado. O casal se entreolhou e puderam ler nos olhos do outro uma rápida indagação "será que deveríamos experimentar?" para logo reprimirem o sentimento de curiosidade.

Joshua e sua eleita ligaram para as autoridades competentes. As criminosas não foram encontradas. As mulheres passam bem, apesar de tudo. Eduardo, inspetor da vigilância sanitária, olhava para a pilha de salgados e para os documentos espalhados sobre a mesa deixados pelos responsáveis por aquela atrocidade.

Ele simplesmente não acreditava: dois pasteis estavam faltando.
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