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9 de julho de 2017

BRESCIANI, Maria Stela.. História e historiografia das cidades, um percurso. Historiografia Brasileira em perspectiva (org.) Marcos Cezar de Freitas. 4. ed. São Paulo: Contexto, 2001, p.237-258.

O significado da cidade é construído através da experiência visual produzido pela sua sociedade, destacando os seus aspectos particulares (topográficos e/ou arquitetônicos). A analise de um poema faz uma analogia entre a cidade e um formigueiro, acentuado pelo fluxo humano.
A autora, inicialmente, se propõe a conceituar a cidade através de sua materialidade. Mostra a diferença do modo de descrever um local, tanto pelos viajantes, como pelos memorialistas e literatos. A impressão que se tem de uma cidade varia de acordo com o tempo e com as mudanças promovidas por ele.
O progresso é a base para o conceito positivo da cidade. A expansão territorial e a variedade de obras e da população fascinam. Há um desejo de se ver diferente do “burgo pequeno, mal desenhado na área onde se originara”. A cidade é o local acolhedor após uma longa viagem ou um regresso.
Havia-se um conceito de que não era possível viver no campo, pois este era rude, irracional e ignorante, diferente da cidade, civilizada e racional. Esse pensamento era senso-comum da sociedade da época. As mudanças que ocorriam dentro da cidade se deviam a sua dinâmica.
No século XVIII, prevaleciam as teorias de dimensão projetiva e idealizada. No século XIX, o crescimento urbano da população é observado e avaliado.
O artigo de Bresciani mostra as condições da vida da população pobre das grandes cidades, as multidões permanentes nas ruas e lugares públicos. Seus estudos foram baseados em bibliografias internacionais sobre o tema. São mostradas as diferenças entre Londres e Paris no conceito de reformas urbanas. Vários autores são citados, bem como as problemáticas que os mesmos abordam. Um deles é Walter Benjamin, que trata da voracidade da sociedade industrial.
Sobre a cidade de São Paulo, são tratados os temas da moradia, sanitarismo e remodelação das cidades. A autora cita os do sem-terra, a apropriação de terrenos em áreas periféricas, o despejo da população de baixa renda. Só com a abertura política do inicio da década de 80 é que as reivindicações dos moradores se fazem ouvir. No aspecto sanitário, são tratados os problemas da erradicação de doenças (a cidade do Rio de Janeiro também é citada), a poluição produzida pelos automóveis e o trafego urbano. A remodelação das cidades se daria através da preocupação de engenheiros e médicos sanitaristas com o urbanismo. Algumas das medidas citadas no texto são os “planos de saneamento de várzeas”, “limpeza das ruas e coletas de lixo domestico”, “instalação de energia elétrica”, etc.
Para concluir, a noção de progresso muda. Passa a ser de um caráter “criadoramente destrutivo”. A materialidade da cidade não é constante.
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