Dias Comuns

qualquer coisa aleatória que passa na cabeça

9 de julho de 2017

LE GOFF, Jacques. O apogeu da cidade medieval. São Paulo: Martins Fontes, 1992, p.1-54.

Jacques Le Goff nos situa dentro do século XII, onde a urbanização e a cristandade latina estão no auge, lideradas pela França. As cidades se desenvolvem dentro de suas muralhas iniciais e seu desenvolvimento é marcado pelo equilíbrio entre as classes da nobreza, burguesia e as classes trabalhadora urbana e rural.
Esta revolução urbana acontece mais de forma quantitativa do que estrutural. Tanto o número de habitantes quanto o de cidades crescem exponencialmente. A forma de constatar este aumento se dá pelos documentos fiscais provindos das cidades e “do aumento do perímetro das muralhas, o aparecimento de burgos e subúrbios, a multiplicação das paróquias, dos conventos e das casas” . O objetivo inicial era “formar uma comunidade capaz de fazer frente aos senhores” .
Este crescimento urbano teve diversas fases, tanto de aceleração quanto desaceleração. São citadas no texto diversas cidades, em sua maioria surgida na idade media, a forma como elas conseguiram se expandir (através da construção de muralhas, moinhos, loteamentos, etc) e quem foram seus benfeitores (pessoas do clero e da nobreza).
Enquanto o século XII é marcado pelas sauvetés (“aldeolas francas criadas durante o feudalismo, por iniciativa dos mosteiros, para servir de refúgio e proceder ao arroteamento” ), o século XIII é responsável pelo fenômeno das bastides (cidades fortificadas). A explicação para este fenômeno parte de Charles Higounet; ele nos diz que trata-se de uma forma de ocupação do solo e agrupamento da população, constituindo como burgos rurais do que cidades em si.
Além das cidades fortificadas, tem-se inicio também no século XIII o recenseamento, surgimento dos nomes próprios, nomes de famílias, nomes de ruas .
As muralhas foram também construídas por motivos militares após a guerra dos cem anos, mas, alem disso, talvez tenha sido o ponto de tomada da consciência urbana. Apesar disso, nem todas as cidades foram cercadas por muros.
A questão das muralhas e a guerra eram evidentes. A primeira coisa a ser feita ao tomar/tentar tomar uma cidade era destruir suas muralhas, “sinal insolente do espírito de resistência” .

As cidades francesas são divididas em três grupos: as que são oriundas da época romana, as que surgiram a partir de um castelo ou mosteiro e as já citadas cidades fortificadas (bastides). Esta última era composta por três elementos: as muralhas, igrejas e praças. “A Igreja é a primeira a se fazer presente na cidade ”. Outros locais importantes das cidades medievais são os mercados, ruas, castelo senhorial, tribunais, bordeis, estabelecimentos especializados, oficinas, etc.
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