Dias Comuns

qualquer coisa aleatória que passa na cabeça

9 de julho de 2017

MOTA, Carlos Guilherme. Nordeste 1817: estruturas e argumentos. São Paulo: Perspectiva; Ed. Da Univ. De São Paulo, 1972. Cap.: O Nordeste brasileiro, da descolonização portuguesa à dependência inglesa. p. 28-66



Forças externas (Inglaterra, França e EUA) influenciaram a internacionalização do Brasil, assim como no resto da América Latina. É assim que o Carlos Guilherme Mota começa a abordar os interesses externos, insurreição e os novos laços de dependência.
As novas correntes de pensamento vindas da franças em conjunto com a vinda de imigrantes europeus e norte-americanos concomitante aos movimentos emancipacionistas que eclodiam na América Espanhola culminaram com o aceleramento das contradições entre a metrópole e colônia, contradições estas expressadas em formas de tensões, conflitos e insurreições.
A França se portava como o “centro irradiador de uma revolução bibliográfica” , devido a sua gama de pensadores. As idéias destes eram difundidas através da transcrição, parciais ou não, de suas obras e pelo debate boca-a-boca. No aspecto político, é citada uma passagem da história na qual alguns franceses teriam vindo ao Brasil articular uma possível volta de Napoleão a grande política européia.
A imagem norte-americana se formatava “a partir da presença de representantes comerciais nos principais portos brasileiros” , que buscavam mercado consumidor para os seus produtos. O nordeste baseou-se mais no modelo americano para as suas revoltas, chegando a ter uma de suas regiões, Pernambuco, comparada a Boston. A repercussão é positiva nos EUA e há uma critica ao “déspota” D. João VI. A aproximação entre o Brasil e os EUA se dá em âmbito regional, com as elites tomando medidas de cunho internacional (medidas alfandegárias). O objetivo de ambos era o fim da dependência portuguesa.
Apesar de tudo isso, o papel fundamental do novo “tutor” brasileiro é inglês. O tratado de 1810 estabelece um dos marcos desse predomínio inglês sobre o Brasil, apesar da competição do país bretão contra outras potências. Foi o primeiro abalo na relação da colônia portuguesa com a metrópole. Havia também uma convergência de interesses por parte dos comerciantes ingleses com os grandes proprietários rurais brasileiros. Londres apoiava financeiramente e militarmente as revoluções do mundo ibero-americano.

A Inglaterra também escoltou a coroa portuguesa em sua “mudança” para o Brasil. Havia até um consulado inglês em Pernambuco. Situada dentro do contexto da revolução industrial e visando o livre-mercado, o país bretão influenciou decisivamente na abolição da escravatura. Sua influencia regional se deu através do vestuário (importando costumes de Recife para o Rio Grande do Norte, como é citado no texto), nos esforços de modernizar a agricultura e na introdução lenta dos padrões de comportamento. “A passagem da dependência portuguesa à dependência inglesa não implicaria em revolução, mas em reformas” .


Para começar a falar da Insurreição de 1817, o autor deixa claro que o discurso revolucionário já era pregado anos antes de estourar a revolta, e que essas idéias acabaram por se espalhar nas cidades litorâneas e até mesmo em pequenas cidades interioranas, e nos fala também que mesmo depois da revolta ser suprimida, as suas idéias persistiram no cenário político das cidades.
Adiante, Carlos Guilherme Mota fala que a insurreição de 1817 influenciou diretamente outras revoltas posteriores, e que houve uma articulação eficiente na elaboração doa eventos que formariam a Insurreição.
Mais adiante, o autor nos explicita que o objetivo da insurreição era implantar um sistema republicano de governo, onde Paraíba, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte formariam uma Federação independente. O autor também cita o fato de que em algumas cidades os próprios habitantes se revoltaram contra a Insurreição, e que o fracasso dessa Insurreição também teve como fator decisivo o despreparo das milícias revolucionárias.
Logo após, Carlos Guilherme Mota fala que os revolucionários teriam fugido para o interior, para criar uma “república real”, mas que na verdade a fuga foi desastrosa.
Já no fim do texto, o autor fala que a revolução de 1817 foi uma tentativa de integração e definição de uma elite liberal e nacional, que alguns personagens dessa revolução voltaram ao poder, que essas personagens defendiam uma descolonização sem mudanças drásticas na estrutura da sociedade, e que a economia inglesa era a principal beneficiária dessa descolonização.

Postar um comentário