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9 de julho de 2017

SCHWARCZ, Lílian K. M. O nascimento dos museus brasileiros, 1870-1910. In. MICELI, Sérgio (org.). História das Ciências Sociais no Brasil. São Paulo: Vértice, Editora Revista dos Tribunais: IDESP 1989.

O artigo de Lílian Schwarcz trata da história de nascimento dos museus brasileiros. Nele, a autora mostrará qual era o contexto mundial deste nascimento e traçará o perfil dos três principais museus da época: Museu Nacional, Museu Paulista e Museu Paraense de História Natural.
Sobre estes três museus, a autora destaca o nascimento, apogeu e decadência dos mesmos, além de citar as semelhanças envolvendo-os.
O inicio dos museus no Brasil está inserido no contexto mundial chamado “a era dos museus”. A origem do nome “museu” é relacionada ao templo das musas na antiguidade. O resgate da memória coletiva acelera o processo de construção de monumentos à lembrança. Este fenômeno dá origem a vários museus com caráter comemorativo.
Na virada do século XIX para o XX viu-se dois tipos distintos de museus: um para artefatos culturais e científicos e outro para os trabalhos de arte estética. Internacionalmente há os museus que destacam mais o lado da pré-história, arqueologia e a etnologia, em contraste com os museus de cultura nacional e popular.
A grande biodiversidade brasileira atraiu vários cientistas para nosso país. Eles são os principais responsáveis pelas produções das revistas dos museus. Os museus refletem o projeto dos seus diretores.
A instauração de museus começa com a vinda da corte portuguesa ao Brasil. É criado o museu nacional/real. A maioria das coleções era sobre as ciências naturais. A antropologia era pouco destacada. Em 1876 é criada a revista “archivos do museu nacional”. Ela servia para fortificar a credibilidade do museu através dos artigos produzidos por estrangeiros (de 44 pessoas listadas nesta revista, apenas 3 eram brasileiras). O contexto mundial mostrava o pensamento racista, presente em alguns dos artigos desta revista.
O museu paulista surge durante o desenvolvimento da cultura do café em São Paulo. A linha de pensamento mostrava o conhecimento passível de classificação. Na sua primeira publicação, promove uma rixa publica contra o museu nacional, se auto proclamando “o primeiro museu criado em bases cientificas”. O museu paulista é modelado a partir dos preceitos dos museus americanos e europeus. O diretor que mais destaque teve no artigo foi H. Von Ihering, sendo responsável por várias matérias contidas nas publicações periódicas do museu.

O Museu Paraense de História Natural (futuro Museu Paraense E. Goeldi, em homenagem a um de seus diretores) é o terceiro museu analisado. Este se localiza fora da região sudeste e tem como objetivo o “estudo da natureza amazônica, de sua flora e fauna, da constituição geológica, rochas e minerais, da geografia da imensa região, bem como assuntos correlatos com a história do Pará e da Amazônia”. Sua publicação servia como um cartão de visitas para os outros museus. Mostrava “a “humildade” de quem começa com poucos recursos (e não garante periodicidade de publicação) e a “dignidade” de quem conhece o movimento internacional e pretender estar a par dele”.
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