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9 de julho de 2017

WILLIAMS, Raymond. O campo e a cidade: na história e na literatura. São Paulo: Companhia das Letras, 1989, cap. 4-5, 14-15.

No capitulo 4 de “o campo e a cidade”, Raymond Williams nos conta um pouco da história rural da Inglaterra.
A principio, trata da questão da transição econômica do feudalismo para um pré-capitalismo. Traça então as origens desse feudalismo, na qual os povos lutavam diretamente com a natureza no inicio do seu povoamento. Já nesta época, haviam aqueles organizados em torno da espada e do tributo: celtas, saxões e escandinavos.
A evolução de um sistema militar e a legitimação das ações desses grupos “abençoadas pelos deuses e suas igrejas” é um dos argumentos de Williams contestando o que é chamado de economia natural: “a idéia de que se tratava de uma agricultura de subsistência natural, ainda não afetada pelos impulsos de uma economia de mercado” . Essa contestação é reforçada com o fato das pessoas serem consideradas propriedades, o regime opressivo dos senhores, a dominação física e econômica.
Por estes fatores, a transição econômica tratou-se apenas de uma “substituição de uma forma de domínio por outra” , pois os elementos presentes em um foram mantidos.
No capitulo 5, a idéia de um passado feliz e uma inocência perdida – que na verdade não o era – é retratada através do contraste campo/natureza x cidade/mundanidade. A ganância versus a inocência é retratada na literatura, citando o exemplo máximo da cidade de Roma.
Outros métodos de oposição campo x cidade se dá através da visão do Rentier, pessoa que vive de rendas. Essa visão mostra que o sonho suburbano era o de apenas ter o campo como um refugio e não como um local de obrigações fundiárias.
A problemática do crescimento das cidades também é retratada. Para verificar este crescimento, direta ou indiretamente, são citados os mercados e os centros de finanças refletindo a ordem social. O dualismo dos homens do campo com os homens da cidade é ressaltado no trecho que diz que “à medida que ganha importância a ordem urbana fundamentada no dinheiro, para onde vai o grosso do ovo capital, senão de volta para o campo, a fim de intensificar o processo de exploração? A ganância e a mesquinhez, tão fáceis de serem isoladas e condenadas na cidade, retornam visivelmente para as mansões senhoriais, cercadas de plantações e trabalhadores”.
Finalmente se fala da questão dos títulos de propriedades fundiárias, na qual é criado um verdadeiro mercado de casamentos visando unir grandes proprietários e sobre a legitimidade desses títulos (inexistente), corroboradas por advogados.
O capitulo 14 trata da expansão e transformação da cidade londrina no século XVIII e a conseqüente ausência das imagens bucólicas nos escritos da época. Para Charles Jenner, era melhor ficar em casa compondo do que sair para as ruas: “fico em casa a escrever, e poupo meus sapatos” . Thomson combinava atitudes novas (medo da turba) com velhas (medo da avareza da cidade). A turba era descrita como “muitas vezes violenta, imprevisível e manipulada pela reação” . Blake mostra interconexões, um pensamento generalizado quanto ao modo de vida urbano.
Ainda neste capitulo, é mostrado que a classe dominante tentou evitar o crescimento de Londres, criando leis excludentes, visando a não-proliferação de construções. Mesmo assim, milhares de pessoas buscavam a cidade seja “em busca de trabalho ou de um esconderijo” , como também para renovar suas esperanças e ir atrás de uma vida melhor.
Por fim, o capítulo 15 nos traz como temática principal a literatura pela visão de Dickens. Inicialmente faz-se um comparativo entre Londres e Coketown, esta última uma cidade de caráter funcional. Ressalta-se a contradição entre a idéia de cidade e a idéia de indústria. Para Dickens, era impossível captar a “essência” de Londres, devido a sua heterogeneidade. Coketown seria um local mais uniforme.
Outro ponto importante é a indiferença no tratamento entre as pessoas. “Essas pessoas não chegam exatamente a se relacionar (...) Elas apenas dirigem palavras a outras pessoas, ou nem isso” . Essa indiferença acontece pela “pressa, pelo barulho, pela heterogeneidade dessa nova e complexa ordem social” .

Williams comenta os escritos de Dickens, mostrando a cidade como um “fato social e paisagem humana” , ressaltando o contraste das construções em relação a sua população e mostrando as maneiras de como as ruas são vistas - “Lugar de atividades cotidianas, que em si não chega a ser assustador, mas o efeito geral de seus componentes é o de uma “grande selva” .
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