Dias Comuns

qualquer coisa aleatória que passa na cabeça

22 de junho de 2012

A Lógica do Cisne Negro

"A lógica do Cisne Negro torna o que você não sabe mais relevante do que aquilo que você sabe. Leve em consideração que muitos Cisnes Negros podem ser causados ou exarcebados por serem inesperados" (p.17)


Há uns três meses eu falei sobre esse livro. Foi só uma passagem rápida, pois ainda não tinha concluído a leitura. Agora que terminei, falarei mais sobre o livro.

Apesar de constar na seção de administração, o livro me fez repensar algumas coisas acerca da minha formação (História). Tem muita coisa falada por lá que se relaciona com a História. Não é um livro difícil de ler, pelo contrário! Não há termos técnicos e os exemplos dados para exemplificar os cisnes negros e suas construções são bem cotidianos. Se você não se incomodar em o autor (Nassim Nicholas Taleb) chamar meio mundo (os economistas, em geral) de tapado (eu não me incomodei), então leia.

O que o sucesso do Google e o 11 de Setembro têm em comum? Para Nassim Nicholas Taleb, ambos são exemplos claros de Cisnes Negros: eventos imprevisíveis e impactantes, cuja natureza extraordinária está na base de quase tudo o que acontece no mundo, da ascensão das religiões à nossa vida pessoal. Em A lógica do Cisne Negro, um dos maiores especialistas de risco da atualidade propõe o mapeamento e a gestão do desconhecido, do pouco provável, do extremo. Para o autor, a fragilidade do conhecimento e a limitação do aprendizado baseado na observação e na experiência levam o ser humano a se defrontar com situações totalmente inesperadas. Nesta obra, o leitor aprenderá, com idéias simples, a tirar proveito de Cisnes Negros e ter outra visão de mundo.

Como vem explicado na sinopse acima, Cisne Negro são aqueles eventos improváveis que, em geral, provocam o CAOS (impactabilidade), desconforto ou uma enorme surpresa (positiva ou negativa, né?). O título do livro é uma referência a descoberta dos Cisnes Negros na Austrália. Acreditava-se que todos os cisnes eram brancos. Até que... né?

"Uma única observação pode invalidar uma afirmação originada pela existência de milhões de cisnes brancos. Tudo que se precisa é de um único pássaro negro" (p.15)


Abaixo algumas anotações pontuais que fiz:

- Previsibilidade retrospectiva é um conceito utilizado para mostrar algo como previsível e explicável APÓS o fato ter ocorrido.
- Não temos consciência de que somos incapazes de fazer previsões (ele se refere ao plano econômico, mas talvez isso possa ser generalizado, né?)
- Mártires são pessoas que não foram bem sucedidades.
- Prevenir é necessário, mas poucos recompensam os atos preventivos.
- Tendemos a olhar o que confirma nossas ideias e não a nossa ignorância.
- É difícil evitar teorizar. Nós simplificamos o mundo ao nosso redor para tentá-lo tornar menos aleatório. Uma causa sempre é proposta para que nós engulamos alguma coisa.
- História é qualquer sucessão de eventos vista sob o efeito da posteridade.
- Para prever eventos históricos é necessário prever inovações tecnológicas: isso é imprevisível.
- Não se aplica engenharia reversa a história.

Algumas das pessoas citadas no livro:

Robert Trivers, Henri Poincaré, Frederic Bastiat, Apeles, Pierre Jean De Menasce, Karl Pope, Diágoras de Melos

Algumas das "coisas" citadas:

Conjunto de Mandelbrot,Curva em forma de sino, Torre de Marfim, Procrustes, L'esprit de l'escalier, Efeito Mateus

Livros e contos citados:

Diario de Berlin - William Shirer, Funes, o Memorioso - Jorge Luis Borges, Novum Organum - Francis Bacon, Dissertation sur la recherche de la vérité, ou sur la philosophie académique - Simon Foucher, What I Learned Losing a Million Dollars - Jim Paul e Brendan Moynihan, Fooled by Randomness: The Hidden Role of Chance in Life and in the Markets - Nassim Nicholas Taleb, Os Sonâmbulos - Hermann Brock, Ce qu'on voit et ce qu'on ne voit pas - Frédéric Bastiat, The Difference: How the Power of Diversity Creates Better Groups, Firms, Schools, And Societies - Scott Page,
Beat the Dealer: A Winning Strategy for the Game of Twenty-One - Edward O. Thorp

O livro tem muitas passagens interessantes, seria muito enfadonho eu citar (COM CITAÇÕES!) todas elas, então selecionei apenas algumas (são muitas até) para comentar.


crítica as ciências sociais

"Veremos que, ao contrário à sabedoria das ciências sociais, quase nenhuma descoberta, nenhuma tecnologia importante, foi fruto de projetos e de planejamento - foram apenas Cisnes Negros" (p.19)

Essa é a ideia dele, né? então tem que vender o peixe. Só consigo pensar no exemplo da roda.

O sarcasmo do autor

"Até existem escolas batizadas em homenagem a pessoas que abandonaram a escola" (p.21)

É irônico, mas comum. As pessoas dão nomes como esses para valorizar os feitos de alguém, não seus pontos negativos. Bill Gates, Mark Zuckerberg, Britney Spears e Eike Batista não possuem graduação superior. Britney nem chegou a terminar o ensino médio. Ambos são bem sucedidos financeiramente. Podemos dizer que são Cisnes Negros também.

Empirismo Ingênuo

"Qualquer pessoa que procure confirmações encontrará um número suficiente delas para enganar a si próprio - e também, sem duvidas, a seus colegas" (p.27)e "É quase sempre possível desencavar predecessores para qualquer pensamento. Sempre é possível encontrar alguém que trabalhou parte de seu argumento e usar a contribuição ele como reforço" (p.320)

Ou seja, é possível arranjar provas de qualquer coisa. Isso não quer dizer que seja correto.

Empirismo Negativo

"Uma série de fatos corroborativos não é necessariamente evidência. Ver cisnes brancos não confirma a não existência de cisnes negros Contudo, existe uma exceção: eu sei qual afirmação está errada, mas não necessariamente qual afirmação está correta (...) se vejo alguém matar uma pessoa, posso estar praticamente certo de que é um criminoso. se não o vejo matar alguém, não posso ter certeza que é inocente" (p.92)

A questão do gerador de eventos históricos

"a. a ilusão da compreensão, ou como todos acham que sabem o que está acontecendo em um mundo que é mais complicado (ou aleatório) do que percebem;
b. a distorção retrospectiva, ou como podemos abordar assuntos somente após o fato, como se estivessem em um espelho retrovisor (a história parece mais clara e organizada nos livros de história do que na realidade empírica), e
c. a supervalorização da informação factual e a deficiência de pessoas com conhecimentos profundos e muito estudo, particularmente quando criam categorias - quando "platonificam" (p.37)

A falsa continuidade histórica

"História e sociedades não se arrastam. Elas dão saltos. Seguem de ruptura a ruptura, intermediadas por poucas vibrações. Ainda assim, nós (e os historiadores) gostamos de acreditar na progressão previsível e em pequenos incrementos" (p.41)

Ele tá meio desatualizado sobre a concepção histórica. Nós, historiadores, trabalhamos com rupturas e continuidades. Não achamos que a história seja linear e de causa e efeito, tanto é que na própria universidade não é necessário ter História Antiga como pré-requisito para História Medieval.

Pessoa de ideia X Pessoa de Trabalho

"Separei a pessoa de "idéias",que vende um produto intelectual em forma de uma transação ou um trabalho, da pessoa de "trabalho", que lhe vende o trabalho (...) assim, a distinção entre escritor e padeiro, especulador e médico, fraudador e prostituta, é uma maneira útil de se observar o mundo das atividades. Ela separa as profissões em que é possível acrescentar zeros à sua renda, sem nenhum trabalho a mais, das profissões em que é necessário acrescentar trabalho e tempo (duas coisas cujas ofertas são limitadas) - em outras palavras, as profissões sujeitas a gravidade" (p.59)

Isso é bem bacana. Talvez não seja uma ideia nova, mas nunca tinha pensado por esse lado. Um escritor escreve (é naaaaada) um livro uma única vez e ganha rios de dinheiro (se o livro for bem sucedido) até o fim da vida. Um jogador de futebol precisa provar jogo a jogo aquele seu salário, ou então ele vai diminuir (fora que seu tempo de trabalho é limitado). A Intelectualidade vale muito (GOMES, André).

O uso de modelos econômicos

"Algo funcionou no passado, até... bem, até que inesperadamente, não funcione mais, e o que aprendemos do passado revele-se, na melhor das hipóteses, como irrelevante ou falso, e na pior das hipóteses, perversamente enganador". (p.74)

É verdade, né? Esse negócio de que se tem que conhecer o passado não serve muito para aplicar no presente ou futuro porque são outros contextos. Claro que é possível adaptar algumas lições, mas não aplicar um modelo inteiro.

A questão da falácia, do poder das palavras e dos esteriotipos que nos levam ao erro

"Muitas pessoas confundem a declaração "todos os terroristas são muçulmanos" com "quase todos os muçulmanos são terroristas". Suponha que a primeira declaração seja verdadeira, que 99% dos terroristas sejam muçulmanos. Isso significaria que cerca de apenas 0,001% dos muçulmanos são terroristas, já que há mais de 1 bilhão de muçulmanos e somente, digamos, 10 mil terroristas, um em cada 100 mil. Portanto, o erro lógico faz com que você (inconscientemente) aumente em quase 50 mil vezes as chances de um muçulmano escolhido ao acaso (digamos entre as idades de 15 e 50 anos) ser terrorista" (p.87)

Como PV disse, lógica deveria ser ensinada logo no ensino médio. Deveria ser obrigatório!

Causa e consequência

"Uma causa é proposta para que você engula a noticia e para tornar as coisas mais concretas" (p. 113)

Sempre tentamos responder as coisas após elas acontecerem. As vezes procuramos limitar algo que é bem mais complexo do que o imaginado. Essa é a crítica do autor.

A questão da identidade nacional

"Traços Nacionais" podem ser ótimos para filmes e podem ajudar muito nas guerras, mas são noções platônicas que não possuem qualquer validade empírica - mas ainda assim, por exemplo, tanto os ingleses quanto os não-ingleses acreditam em um "temperamento nacional" inglês" (p.113-114)

Isso deve servir pra aquelas pessoas que pensam "ah, isso só podia ter sido feito por um brasileiro". Calma lá, né? O nome do artigo, caso tenha interesse de ler, chama-se "National Character Does Not Reflect Mean Personality Trait Levels in 49 Cultures" e foi escrito por 65 autores... vale a pena dar uma olhada.

Medos "infundados"

"O terrorismo mata, mas o maior assassino continua sendo o clima, responsável por cerca de 13 milhões de mortes ao ano. (...) sentimos a ferida dos danos causados pelo homem mais do que dos causados pela natureza" (p. 119)

Lembrei do livro Freakonomics, que fazia uma comparação semelhante perguntando o que era mais propenso a acontecer: um ataque de tubarão ou afogamento de crianças na piscina. Ataques matam menos, mas criou-se um temor muito grande com os ataques, principalmente devido aquele filme TUBARÃO. Há um filme/documentário baseado em Freakonomics. Recomendo assistir se tiver preguiça de ler.

Felicidade hedônica

"Muitas noticias moderamente boas são preferiveis a uma unica noticia muito boa" (p.132)

Aqui tem uma explicação mais descritiva do assunto:

Podemos definir a felicidade hedônica como o bem estar imediato e transitório que atingimos depois de conquistarmos um objetivo ou de revertermos um desprazer. Ela é a alegria momentânea ou o prazer temporário que pode ser alcançado inclusive por pessoas que estejam vivendo com diagnóstico clínico de depressão.

(...) São exemplos de bem estar hedônico a satisfação com uma boa refeição, o prazer sexual, uma vitória do seu time de coração e até mesmo a sensação gostosa depois de um simples elogio.

O termo eudaimônico, também de origem grega, pode ser definido como a "vida que vale a pena ser vivida". A felicidade eudaimônica é um bem estar constante, uma forma de encarar o mundo e seus fatos bons ou ruins carregada de otimismo e positivismo. A felicidade eudaimômica é o antônimo de depressão e diversos estudos comprovam seu poder de melhoria nos sistemas imunológico, neuroendócrino e cardiovascular aumentando a capacidade de cura na ocorrência de doenças.

São exemplos de felicidade eudaimônica o sentimento de paz interior, o sorriso constante, a vontade de viver, a sensação de estar em sintonia com o mundo e com as outras pessoas. Resumindo a história a diferença do bem estar hedônico para o eudaimônico é a mesma diferença que existe entre estar feliz e ser feliz de fato.

O que vemos e o que não conseguimos enxergar

"No ensaio "o que vemos e o que não vemos, Bastiat ofereceu a seguinte ideia: podemos ver o que os governos fazem, e por causa disso, podemos elogiá-los - mas não vemos a alternativa. Mas existe uma alternativa - ela e menos óbvia e permanece não-vista. (...) Você repara naqueles cujos empregados são tornados estáveis e atribui benefícios sociais para essas proteções. não percebe o efeito sobre os que não conseguem encontrar um emprego por causa disso, já que a medida reduzirá a abertura de novas vagas (...) é muito mais fácil vender "vejam o que eu fiz por vocês" do que "vejam o que eu evitei por vocês" (p.154-155)

o uso do porque (causa e efeito)

"Tente limitá-lo a situações em que o "porquê" é derivado de experimentos e não de uma história que olha pra trás. Observe aqui que não estou dizendo que causas não existam: não use esse argumento para evitar aprender com a história. tudo que estou dizendo é que não é tão simples assim; suspeito do "porquê" e manuseie-o com cuidado - especialmente em situações em que suspeita da presença da evidência silenciosa" (p.165)

O autor salienta as formas que o mesmo acha correta de usar o porquê para explicar as coisas. Nem tudo (ou quase nada) é preto no branco.

Mais sarcasmo do autor

"Dar um nome grego a um conceito abstrato faz com que ele pareça importante" (p.185)

Não só um nome grego. Quanto mais técnico e mais especifico for o nome, mais confuso ele será. Ninguém gosta de aparentar ignorância, então...

O excesso de informações

"Quanto mais informação você der a uma pessoa, mais hipoteses ela formulará ao longo do processo e terá um desempenho pior. As pessoas veem mais interferencias aleatorias e as confundem com informações" (p.191)

Esse é o "problema" que o livro de Chris Anderson, A Cauda Longa, tenta resolver. Através dos filtros.

Assimetria na percepção de eventos aleatórios

"Atribuímos nossos sucessos a nossas habilidades e nossos fracassos a eventos externos fora de nosso controle, ou seja, à aleatoriedade. Sentimo-nos responsáveis pelas coisas boas, mas não pelas ruins". (p.201)

É muito, muito difícil, encontrar pessoas que não pensem dessa maneira. As pessoas gostam de ser reconhecidas pelos seus acertos, mas, óbvio, não pelas falhas. Mas e quando um ou outro independe dos seus méritos? Esse é o ponto focado.

Previsão do futuro

"Em um exemplo de arrogância corporativa, depois do primeiro pouso na lua, a empresa de aviação Pan Am, hoje extinta, aceitou reservas antecipadas para viagens de ida e volta entre a terra e a lua. Boa previsão, só que a companhia não conseguiu prever que fecharia as portas não muito depois" (p. 221)

Lembrei de Afonso e do seriado, já cancelado, Pan Am. Fora que é um erro, até má-fé, oferecer um produto do qual você não dispõe da tecnologia.

Exemplos de Cisne Negros

"O Laser é a ilustração perfeita de uma ferramenta feita para um proposito especifico (na verdade, proposito algum), para o qual, depois, foram encontradas aplicações que nem eram sonhadas na época. Uma tipica "solução à procura de um problema". (...) O Viagra, que mudou a perspectiva mental e as tradições sociais de homens aposentados, era para ser uma droga contra a hipertensão (p.221-222)

Gel lubrificante KY. Era pra ser usado em exames ginecológicos, mas... Coca-Cola era um remédio, antes de se tornar um refrigerante famoso. O planejamento não adiantou muito nesses casos. O fim foi desvirtuado do original.

Sobre a previsão de eventos histórico

"o argumento central de Popper é que, para que se possa prever eventos históricos, é necessário prever inovações tecnológicas, o que por si só é fundamentalmente imprevisível". (p.224)

Mais sarcasmo do autor

"A gramática é algo que pessoas sem nada mais excitante para fazer na vida codificam em um livro" (p.235)

É mais uma critica a gramática. Afinal a língua está em constante mutação, né? As regras mudam mediante a apropriação feita pelos falantes.

O problemas das falácias

"Se você sobreviver até amanhã, isso poderia significa que a) é mais provavel que seja imortal ou b) que está mais próximo da morte. Ambas as conclusões baseiam-se exatamente nos mesmos dados" (p.240)

Se refere como os dados iguais podem ser utilizados de forma a comprovar ideias distintas. Muito comum.

O homem como ser social

"Somos feitos para seguir líderes que podem reunir as pessoas porque as vantagens de se estar em um grupo superam as desvantagens de estar sozinho. Unirmo-nos na direção errada tem sido mais lucrativo para nós do que estar sozinho na direção certa" (p.247)

É muito complicado transgredir a ordem vigente. Um exemplo disso é o filme que vi recentemente, The Help, na qual uma moça tenta entrevistas empregadas domesticas (negras) na década de 1960 nos EUA. O racismo era muito forte e ela era uma das poucas vozes que alertava para isso. Muita gente não deu bola, mas a ESPERANÇA ESTAVA ACESA (oh!).

Sobre o que achamos ser o efeito borboleta e viagens no tempo

"O processo forward é geralmente usado na física e na engenharia;Oo processo backward em abordagens históricas não experimentais e não repetíveis (...) [sobre o processo backward] existem trilhões dessas pequenas coisas no decorrer de um único dia, e examinar todas elas está além do nosso alcance" (p.252-253)

O autor utilizou o exemplo do filme Happenstance. Eu pensei em Efeito Borboleta e Lost e em viagens no tempo. Exemplo: em Efeito Borboleta todas as mudanças feitas nas incursões do protagonista ao passado modificaram o futuro; já em Lost, Desmond nao conseguiu salvar Charlie de jeito nenhum, mesmo sabendo que ele iria morrer. Ele tinha que morrer. Destino e livre-arbítrio. Viajei demais!

Conceito de História do autor

"A história é útil pela emoção de se saber o passado e pela narrativa (realmente), desde que permaneça uma narrativa inofensiva. Deve-se aprender com extremo cuidado. A História, certamente, não é um lugar para teorizar nem para derivar conhecimento geral, tampouco deve ajudar no futuro, sem algum cuidado. Podemos obter confirmação negativa da história, o que tem um valor incalculável, mas obtemos com ela muitas ilusões de conhecimento (...) Quanto mais tentamos transformar a história em qualquer coisa que não uma enumeração de relatos a ser desfrutada com o minimo de teorização, mais temos problemas" (p.255)

O que ele quer dizer com inofensiva? Teorizar em que sentido? A história é apenas enumeração de relatos? É muito reducionismo!

Julgamentos (preconceito?)

"Devemos lidar com humanos como humanos. não podemos ensinar as pessoas a suspenderem julgamentos; julgamentos estão incrustados no modo pelo qual vemos objetos. Eu não vejo uma "árvore"; vejo uma árvore agradável ou uma árvore feia. Não é possível abster-se dos pequenos valores que atribuímos às questões sem um esforço enorme e paralisante" (p.258)

Argumento de Pascal usado para acreditar em Deus

"O argumento de Pascal é gravamente falho teologicamente: seria necessário ser ingênuo demais para acreditar que Deus não nos penalizaria por falsa crendice. A menos, é claro, que se esteja adotando uma visão bastante restritiva de um Deus ingênuo. (Supostamente, Bertrand Russell teria alegado que Deus precisaria ter criado tolos para que o argumento de Pascal funcionasse.)" (p.268)

Sucesso academico é parcialmente (mas significativamente) uma loteria

"Digamos que alguém escreva um artigo academico citando cinquenta pessoas que trabalharam o tema e ofereceram materiais de pesquisa para o estudo; presuma, por uma questão de simplicidade, que as cinquenta pessoas tenham mérito igual. Outro pesquisador, trabalhando exatamente o mesmo tema, citará aleatoriamente três dessas cinquenta pessoas em sua bibliografia. Merton mostrou que muitos acadêmicos citam referenciais sem terem lido a obra original; em vez disso, leem um artigo e extraem citações de suas fontes. Assim, um terceiro pesquisador, lendo o segundo artigo, seleciona três dos autores referidos inicialmente para suas citações. Os três autores receberão, cumulativamente, cada vez mais atenção á medida que seus nomes se tornem mais intimamente associados ao tema em questão. A diferença entre os três vencedores e os outros membros do grupo inicial é, principalmente, sorte: a princípio, eles foram escolhidos não por terem habilidades superiores, mas simplesmente pelo modo como seus nomes apareciam na bibliografia anterior. Graças às suas reputações, os academicos bem-sucedidos continuarão a escrever artigos e seu trabalho será facilmente aceito para publicação. Sucesso academico é parcialmente (mas significativamente) uma loteria" (p.275)

As ideias (memes)

"Ideias espalham-se porque, infelizmente, têm como portadores agentes auto-servientes que estão interessados nelas e que também têm interesse em distorcê-las no processo de replicação. Você não faz um bolo simplesmente para replicar uma receita - você tenta fazer seu próprio bolo, usando idéias de outras pessoas para melhorá-lo. Nós, humanos, não somos fotocopiadoras" (p.279) e "O que determina o destino de uma teoria na ciência social é o contágio, não sua validade" (p.343)

Gostei dessa ideia. Nada se copia, tudo se transforma. Usarei esse argumento para defendê-la.

Sobre a luta de classes e a hegemonia das empresas

"Mas bastava olhar em volta para que se visse que os grandes monstros corporativos morriam como moscas (...) Firmas sobre as quais ninguém ouviu falar terão surgido no cenário a partir de alguma garagem na Califórnia ou de algum dormitório universitário (...) Das quinhentas maiores companhias americanas em 1957, quarenta anos depois apenas 74 ainda faziam parte do seleto grupo da Standard and Poor's 500. poucas haviam desaparecido em fusões; o resto encolheu ou faliu (...) Em outras palavras, se forem deixadas em paz, as companhias tendem a ser engolidas" (p.280)

Google, Microsoft, Apple, Petrobras, Intel...

Seja o senhor do seu tempo e das suas escolhas (parece até auto-ajuda essa parte)

"Tento me preocupar com questões sobre as quais posso fazr alguma coisa. preocupo-me menos com constrangimento do que com perder uma oportunidade" (p.364) e "perder um trem só é doloroso se você correr para pegá-lo! da mesma forma, não estar de acordo com a idéia de sucesso que as pessoas esperam de você só é doloroso se for isso que estiver procurando (p.365)"

Falei que eram poucas citações, né? Pois é... recomendo muito o livro. Bem interessante. Fique a vontade para comentar algum dos tópicos.
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