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domingo, 15 de agosto de 2021

Você Não Merece Ser Feliz - Como Conseguir Mesmo Assim

A esperança é o sentimento mais nocivo que existe, porque te mantém sofrendo por algo que você nunca vai conseguir.

SE VOCÊ NÃO FOR FELIZ AGORA, ALGUÉM VAI ACABAR SENDO FELIZ COM A SUA FELICIDADE POR AÍ



"A ideia de que existe uma equação que vai ser balanceada no momento de nossa morte, quando, diante de São Pedro ou alguma outra figura gozando de alto prestígio na hierarquia eclesiástica, seremos obrigados a assistir a um grande compacto com os melhores e piores momentos de nossos anos no planeta Terra narrados pelo Januário de Oliveira e comentá-lo, como em um extra do DVD de nossas vidas, é muito comum na civilização judaico-cristã. Por isso a sensação de que cada momento de tédio, procrastinação e preguiça, cada momento parado diante da geladeira vazia, é um momento perdido, que torna as nossas vidas menores, quando na verdade é justamente nesses momentos, e somente neles, que domamos o nosso medo da morte e colocamos o nosso bem-estar acima de tudo."

É como jogarmos dados algumas vezes: é inevitável que eventualmente haja uma coincidência nos números, obviamente sem uma explicação profunda para tal (seja coincidência em números repetidos, seja na correspondência do número dos dados com o número pensado por quem os atirou, como se houvesse uma ligação entre o pensamento e os eventos). É curioso perceber que não são lembradas ou notadas as vezes em que os números dos dados não coincidem entre si ou com o pensamento, mesmo essas oportunidades aparecendo em número indubitavelmente maior do que as coincidências. Ignora-se, dessa forma, propositadamente tudo o que não confirmar uma convicção na mistificação da coincidência ou um desejo de colocar um sentido por trás dos acontecimentos, que é, por sinal, como tudo o que é fantástico, muito mais interessante e atraente do que as coisas como elas realmente são. O pensamento positivo, portanto, pode ser fascinante, mas não tem utilidade

"TANTO A FELICIDADE QUANTO A INFELICIDADE DEPENDEM DA INTERPRETAÇÃO DADA À REALIDADE E NÃO DA REALIDADE PROPRIAMENTE DITA"

Impossível é um adjetivo para as coisas que você não quer fazer

Acreditar em algo que nunca vai acontecer é perda de tempo, e o tempo é o nosso bem mais precioso, e só deve ser desperdiçado irresponsavelmente com atividades divertidas, como o videogame, a masturbação e o vandalismo. Gastar o pouco tempo que te resta nesse plano astral (que é o único que existe) acreditando no impossível é imperdoável. Espero que você concorde comigo nisso, e, caso não concorde, tudo bem, eu nem te conheço, vou dormir tranquilo hoje imaginando que você concordou e não há nada que você possa fazer a respeito. O nome disso é paz de espírito, por mais que o meu psiquiatra queira chamar de outra coisa.

TUDO O QUE ACONTECE DIZ RESPEITO À MINHA VIDA E À MINHA FELICIDADE, QUE É O MEU ÚNICO OBJETIVO.

Apenas combatendo qualquer invasão de informações que não confirmem suas opiniões previamente sedimentadas você vai conseguir evitar o desnorteamento e o desconforto provocados pelas correntes contrárias à sua linha de pensamento já definida e pela qual você tanto lutou. A sabedoria é incômoda, assim como um mundo onde os conceitos são totalmente relativos é desordenado, confuso, disfuncional e impraticável. Fuja dele. Seja feliz.

O RANCOR É O SENTIMENTO QUE NOS DIFERE DOS ANIMAIS

ANOTE NUM PAPEL O NOME DAQUELES QUE DESPERTARAM A SUA INDIGNAÇÃO, DESCREVA A SITUAÇÃO E COLE NA PORTA DA GELADEIRA. ALÉM DE RELEMBRAR O FATO DIARIAMENTE E ASSIM CONTRIBUIR PARA A MANUTENÇÃO DO SENTIMENTO, PENSAR NO ASSUNTO ENQUANTO SE INGERE ALIMENTOS SIMBOLIZA O CAMINHO QUE A MÁGOA DEVE FAZER NO SEU ORGANISMO E AJUDA NO PROCESSO DE INTERIORIZAÇÃO DO DESGOSTO. 

A sútil arte de ligar o foda-se

Capítulo 1

Nada contra bons negócios, mas ter necessidades demais faz mal para sua saúde mental. Você acaba se agarrando demais ao que é superficial e falso, dedicando a vida à meta de alcançar uma miragem de felicidade e satisfação. O segredo para uma vida melhor não é precisar de mais coisas; é se importar com menos, e apenas com o que é verdadeiro, imediato e importante.

Daí a importância de ligar o foda-se. É isso que vai nos salvar, nos fazendo aceitar que o mundo é uma doideira e que tudo bem, porque sempre foi assim e sempre será.

Tudo que vale a pena na vida só é obtido ao superar o sentimento negativo associado a ele . Toda tentativa de escapar do negativo, de evitá-lo, suprimi-lo ou silenciá-lo sai pela culatra. Evitar o sofrimento é uma forma de sofrimento. Evitar dificuldades é uma dificuldade. Negar o fracasso é fracassar. Esconder o que é vergonhoso é , em si, causa de vergonha.

Ligar o foda-se é uma arte sutil. Sei que esse conceito pode parecer ridículo e que eu talvez soe como um babaca, mas estou falando de aprender a direcionar e priorizar seus pensamentos de maneira efetiva: escolher o que é importante e o que não é, com base em seus valores pessoais

O problema das pessoas que se agarram a qualquer banalidade como se daquilo dependesse sua maldita vida é que elas não têm mais nada interessante com que se importar.

encontrar algo importante e significativo para a sua vida talvez seja o uso mais produtivo de seu tempo e sua energia. Porque, se você não encontrar algo relevante de verdade, vai se importar com causas frívolas que mereciam um grande foda-se.

Capítulo 2

Em outras palavras, o príncipe percebeu o que todo mundo meio que já sabia: sofrer é uma merda, e não necessariamente se traduz em algo significativo. Seja na riqueza ou na pobreza, não existe valor no sofrimento quando não há um propósito. Daí foi um pulo para o príncipe chegar à conclusão de que sua ideia tão grandiosa, assim como a do pai, era uma bela bosta, e de que ele deveria fazer outra coisa da vida.

a vida em si já é uma forma de sofrimento. Os ricos sofrem por serem ricos. Os pobres sofrem por serem pobres. Pessoas sem família sofrem por não terem família. Pessoas com família sofrem por causa da família. Pessoas que buscam os prazeres mundanos sofrem por causa dos prazeres mundanos. Pessoas que se abstêm dos prazeres mundanos sofrem por se absterem. Isso não significa que todo sofrimento seja igual. Sem dúvida, alguns são mais dolorosos que outros, mas mesmo assim todos sofremos.

A felicidade não é uma equação que possa ser solucionada. A insatisfação e a inquietude são inerentes à natureza humana e, como veremos, componentes necessários para se criar uma felicidade consistente.

O Panda da Desilusão seria o herói que ninguém deseja, mas de que muitos precisam. Ele seria a salada verbal no fast-food da nossa alimentação mental. Tornaria nossa vida melhor, apesar de nos deixar deprimidos por um tempo. Ele nos deixaria mais fortes ao nos destroçar, iluminaria nosso futuro ao nos mostrar a escuridão. Ouvir o que o Panda tem a dizer seria como ver um filme em que o protagonista morre no final: apesar das lágrimas, você adora, porque é verossímil.

(PARECE MARVIN, O ANDROIDE PARANÓICO)

Sofremos pelo simples fato de que sofrer é biologicamente útil. O sofrimento é o agente preferido da natureza para inspirar mudanças. A evolução nos fez viver constantemente com certo grau de insatisfação e insegurança, porque é a criatura levemente insatisfeita e insegura que faz o máximo para inovar e sobreviver. Somos programados pela natureza para ficar insatisfeitos com tudo que temos e desejar apenas o que não temos. Essa insatisfação permanente faz nossa espécie seguir lutando e progredindo, construindo e conquistando. Então, não: nossa dor e tristeza não são uma falha da evolução humana. Pelo contrário: são um recurso essencial dela.

A felicidade está em resolver problemas. Repare que a palavra-chave é “resolver”. Se você evita os problemas ou acha que não tem nenhum, está no caminho da infelicidade. Se acha que não consegue resolver seus problemas, estará no mesmo caminho. O segredo está em resolver os problemas, e não em não ter problemas.

Às vezes são problemas simples: comer bem, viajar, zerar o jogo que você acabou de comprar. Outras vezes, porém, são problemas abstratos e complexos: manter um bom relacionamento com sua mãe, encontrar uma carreira em que se sinta confortável, criar um círculo de amigos fiéis.

Sejam quais forem seus problemas, o conceito é o mesmo: resolva-os e seja feliz. Infelizmente, para muitas pessoas a vida não é tão simples assim. Isso porque elas estragam tudo fazendo alguma destas merdas: Negação . Algumas pessoas negam que os problemas sequer existam. E, como negam a realidade, precisam se iludir e se alienar o tempo todo. Isso pode fazê-las se sentir bem a curto prazo, mas leva a uma vida de insegurança, neurose e repressão emocional. Vitimização . Há quem prefira acreditar que nada pode fazer para resolver seus problemas. As vítimas tentam culpar os outros ou circunstâncias externas. Isso pode fazê-las se sentir melhor a curto prazo, mas leva a uma vida de raiva, desamparo e desespero. As pessoas negam e culpam os outros pelos próprios problemas simplesmente porque é fácil e provoca alívio, enquanto resolvê-los é difícil e muitas vezes gera sofrimento. Culpa e negação dão barato. São uma fuga temporária dos problemas, o que proporciona uma sensação passageira de melhora.

A obsessão e a atenção exagerada aos sentimentos sempre falham pela simples razão de que sentimentos não duram. O que nos faz feliz hoje não nos fará feliz amanhã, porque nossa biologia sempre vai demandar algo mais. A fixação pela felicidade inevitavelmente nos leva a uma busca incessante por “outra coisa” — uma casa nova, um relacionamento novo, mais um filho, mais um aumento. E, apesar de todo o nosso esforço, acabamos nos sentindo do mesmo jeito que no começo: insuficientes.

O que levei muito tempo para descobrir é que eu não gostava muito de escalar. Só gostava de me imaginar no cume.

Você é definido pelas batalhas que está disposto a lutar. As pessoas que gostam da batalha da academia são aquelas que participam de triatlos, têm barriga de tanquinho e conseguem levantar um carro. As pessoas que gostam das longas horas de trabalho e da política de ascensão na hierarquia corporativa são as que chegam rapidamente ao topo. As pessoas que gostam das tensões e incertezas do estilo de vida do artista faminto são, no final das contas, as que chegam aos palcos. Isso não tem nada a ver com força de vontade ou coragem. Não é a repetição da ladainha “não há vitória sem dor”. É o componente mais simples e básico da vida: as batalhas determinam as conquistas. Os problemas criam a felicidade, junto com problemas um pouco menores e mais atualizados. Veja bem: trata-se de uma interminável espiral ascendente. Se você acha que em algum momento terá permissão para parar, infelizmente não entendeu nada. Porque a alegria está na subida.

Capítulo 3

No fim das contas, se sentir bem consigo mesmo não significa nada, a não ser que você tenha um bom motivo para isso. Hoje, sabemos que adversidade e fracasso são muito úteis e até mesmo necessários para o desenvolvimento de adultos determinados e bem-sucedidos. Hoje, sabemos que fazer as pessoas acreditarem que são excepcionais e se sentirem bem consigo mesmas sem fundamento não cria uma população de Bill Gates e Martin Luther Kings

Depois que a pessoa começa a achar que tudo que acontece na vida dela lhe confere ainda mais importância, é extremamente difícil livrá-la desse padrão de pensamento. Qualquer tentativa de ser razoável é vista como mais uma “ameaça” a sua superioridade, por parte de alguém que “não consegue aceitar” tamanho talento/inteligência/beleza/sucesso.

O arrogante forma uma bolha narcisista ao redor de si mesmo, distorcendo todo e qualquer evento para manter a retroalimentação. Pessoas arrogantes têm apenas duas formas de ver os acontecimentos da vida, ambas relacionadas a sua grandeza: reafirmação ou ameaça. Se algo de bom acontece a elas, é fruto de algo incrível que fizeram. Se algo de ruim acontece, é porque alguém está com inveja, tentando derrubá-las. A arrogância é impenetrável.

O que a maioria não identifica como arrogância é o comportamento daqueles que se sentem sempre inferiores e indignos do mundo.

A verdade é que não existem problemas únicos e pessoais. Se você tem um problema, é provável que milhões de outras pessoas já tenham passado por isso antes de você, estão passando agora ou virão a passar no futuro, inclusive conhecidos seus. Isso não diminui o problema nem anula a dor. Isso não significa que você não é legitimamente uma vítima em algumas circunstâncias. Significa apenas que você não é especial. Geralmente, essa constatação — de que você e seus problemas não são mais graves ou mais dolorosos que os dos outros — é o primeiro passo, assim como o mais importante, para resolvê-los.

Todos somos, basicamente, bem comuns. Mas são os extremos que atraem os holofotes. Já meio que sabemos disso, mas raramente pensamos e/ou tocamos no assunto, e menos ainda levantamos a questão de que isso pode ser um problema.

Nossa vida é repleta de informações sobre os extremos da experiência humana, porque no ramo da mídia é isso que chama atenção, e atenção gera lucro. É o mais importante. A maior parte da vida, no entanto, se dá na monótona média. A grande maioria da vida não é extraordinária, e sim bastante medíocre. Essa inundação de extremos noticiados nos condicionou a acreditar que, agora, ser excepcional é a norma. E, como somos todos bastante comuns na maior parte do tempo, o dilúvio de informações sobre o excepcional nos deixa inseguros e desesperados, porque, obviamente, não somos bons o bastante. Assim, sentimos a necessidade cada vez maior de compensar isso com arrogância e vício. Lidamos com isso da única forma que sabemos: enaltecendo a nós mesmos ou aos outros.

Cada um de nós pode ser extraordinário. Todos merecemos a grandeza. O paradoxo dessa ideia — afinal de contas, se todo mundo fosse extraordinário, então, por definição, ninguém seria — não é percebido pela maioria das pessoas. Em vez de questionar o que realmente merecemos ou não, engolimos a mensagem e pedimos mais. Ser “comum” se tornou o novo padrão de fracasso. O pior lugar em que se pode estar é no meio do bando, no topo da curva de Gauss. Quando o padrão de sucesso de uma cultura é “ser extraordinário”, acaba sendo melhor estar no pior extremo da curva de Gauss do que no meio, porque pelo menos ali você é especial e merece atenção.

Uma vez que você aceita a premissa de que a vida só vale a pena se for notável e grandiosa, também aceita o fato de que a maior parte da humanidade (incluindo você) é inútil e sem valor. E essa mentalidade pode se tornar danosa bem rápido, tanto para você mesmo quanto para os outros.

O caminho para a saúde emocional, como para a física, é legumes e verduras — ou seja, aceitar as verdades sem graça e banais. Como “Suas ações em geral não importam tanto assim ” e “A maior parte da vida é tediosa e irrelevante, mas tudo bem”. O prato de legumes vai ter um gosto bem ruim no começo. Você não vai querer comer. Mas, depois que engolir, seu corpo vai acordar mais potente e mais vivo. Afinal de contas, você não vai mais estar carregando a constante pressão de ser incrível e inovador. O estresse e a ansiedade de ser sempre inadequado e de precisar se provar vai se dissipar. E a percepção e a aceitação da sua existência banal o libertarão para realizar o que realmente deseja, sem julgamento ou expectativas altas demais.

Capítulo 4

Tempos depois, Onoda declarou não se arrepender de nada. Disse que se orgulhava de suas escolhas e do tempo que passara em Lubang; que foi uma honra dedicar parte considerável de sua vida a um império já inexistente. Se Suzuki tivesse sobrevivido, provavelmente teria dito algo similar: que estava fazendo exatamente o que queria, que não se arrependia de nada. Esses dois homens escolheram como queriam sofrer. Para eles, o sofrimento tinha um significado , servia a uma causa maior. E foi por esse motivo que ambos conseguiram suportá-lo, talvez até gostar dele.

Todos nós temos pontos cegos emocionais. Em geral, são os sentimentos que aprendemos a considerar inapropriados na infância. É preciso anos de prática e esforço para conseguir identificá-los e expressar as emoções de forma adequada. É uma tarefa extremamente importante, que vale o esforço.

nossos valores determinam a natureza dos nossos problemas, e a natureza dos nossos problemas, por sua vez, determina a qualidade da nossa vida. (...) tudo que pensamos e sentimos sobre uma situação se resume ao valor que damos a ela.

As percepções e sentimentos das pessoas podem mudar, mas os valores-base e a forma de avaliá-los são sempre os mesmos.

Tire um instante para pensar em algo que o esteja incomodando muito. Agora se pergunte por que isso o incomoda. É provável que a resposta envolva algum tipo de fracasso. Depois, pergunte-se por que esse fracasso lhe parece “verdadeiro”. E se isso não for um fracasso? E se você estiver analisando as coisas do jeito errado?

O que é verdade sobre sua situação não é tão importante quanto a forma como você vê a situação, como escolhe medi-la e valorizá-la. Os problemas podem ser inevitáveis, mas o que cada problema vai significar não é

Somos animais. Nos consideramos muito sofisticados com nossos micro-ondas e sapatos de marca, mas não passamos de um bando de animais bem enfeitados. E, por sermos animais, instintivamente avaliamos a nós mesmos a partir do que vemos nos outros, competindo por status. A questão, portanto, não é se nossa autoavaliação tem como referência o que vemos nos outros, e sim qual referência é essa.

Nossos valores determinam o parâmetro segundo o qual avaliamos as outras pessoas e nós mesmos.

Se você deseja mudar sua forma de ver os problemas, precisa mudar seus valores e/ou sua forma de medir fracassos e sucessos.

alguns valores e parâmetros são melhores que outros. Alguns conduzem a problemas bons (do tipo fácil e simples de resolver), enquanto outros levam a problemas ruins (do tipo difícil e complexo de resolver).

Quando as pessoas avaliam a si mesmas não por seu comportamento, mas pelos símbolos de status atrelados a elas, estão sendo não só superficiais como idiotas também.

É simples: coisas dão errado, pessoas cometem erros, acidentes acontecem. Tudo isso deixa a gente na merda. E tudo bem. Sentir-se mal é um componente imprescindível da saúde emocional. Negar sentimentos ruins é perpetuar problemas em vez de solucioná-los.

em geral, as pessoas que morrem de medo da opinião alheia têm medo é de que pensem o mesmo que elas pensam de si mesmas.

a essência do “autoaperfeiçoamento”: priorizar valores melhores é escolher se importar com coisas melhore

Capítulo 5

Muitas vezes, a única diferença entre um evento doloroso e um poderoso é a sensação de que escolhemos passar por aquilo

Quando acreditamos ter escolhido nossos problemas, nos sentimos empoderados. O oposto acontece quando achamos que eles nos foram impostos: nos sentimos vitimados e infelizes

Certa noite, enquanto lia um texto do filósofo Charles Peirce, William decidiu fazer um pequeno experimento. No diário, escreveu que passaria um ano acreditando ser cem por cento responsável por tudo que ocorria em sua vida, fosse o que fosse. Durante esse período, ele faria tudo que estivesse ao alcance para mudar sua situação, mesmo que as chances de dar certo parecessem nulas. Se nada melhorasse naquele ano, ficaria claro que ele realmente era impotente diante das circunstâncias da vida, e, diante disso, William James se mataria

Existe uma percepção simples que permite todo tipo de melhora e crescimento pessoal: a de que nós, individualmente, somos responsáveis por nossa vida como um todo, sejam quais forem as circunstâncias externas. Nem sempre dá para controlar o que acontece conosco, mas sempre podemos definir nossa interpretação dos acontecimentos e nossa reação a eles.

À medida que assumimos a responsabilidade por nossa vida, mais poder adquirimos para mudá-la. Assim, aceitar-se responsável é o primeiro passo para resolver seus problemas.

O que esse sujeito não percebia era que ele tinha escolhido o valor que o prejudicava: a altura. Na cabeça dele, ser alto era imprescindível para impressionar as mulheres. Não tinha jeito: ele estava ferrado.

O valor que ele escolheu lhe tirava o poder e o colocava numa situação péssima: não ser alto o suficiente num mundo feito (na visão dele) para pessoas altas. Ele poderia ter adotado valores muito melhores para guiar sua vida amorosa. “Só vou sair com mulheres que gostem de mim como eu sou” seria um bom ponto de partida, pois se baseia em valores como honestidade e aceitação. Mas ele preferiu outro caminho. Provavelmente nem percebia que estava escolhendo um valor (não sabia sequer que podia escolher). Mesmo sem perceber, ele era responsável pelos próprios problemas.

Eis uma forma simples de diferenciar mais claramente os dois conceitos: culpa é passado, responsabilidade é presente. A culpa aponta para escolhas já feitas, enquanto a responsabilidade aponta para escolhas sendo feitas agora, a cada segundo de cada dia

Aprendi do pior jeito possível que se as pessoas com quem você se relaciona são egoístas e prejudicam outras pessoas, é provável que você também seja assim, mesmo que não saiba disso.

Eu vejo a vida da mesma forma. Todos nós recebemos cartas aleatórias no início do jogo, alguns, cartas melhores. E, embora seja fácil nos fixar no que está na mão e sentir que nos ferramos, na verdade o jogo está nas escolhas que fazemos com essas cartas, nos riscos que decidimos correr e nas consequências com as quais escolhemos viver. Quem, de maneira consistente, faz as melhores escolhas diante das situações que se apresentam acaba ganhando no pôquer, e na vida.

Neste momento, qualquer um que se sinta ofendido com qualquer coisa — seja o fato de que um livro sobre racismo entrou no currículo de uma faculdade, que árvores de Natal foram banidas do shopping local ou que os impostos sobre fundos de investimento tiveram um aumento de 0,5% — acha que está sofrendo algum tipo de opressão e que, portanto, merece se sentir ultrajado e receber determinada quantidade de atenção.

O maior problema da injustiça chique é desviar a atenção das vítimas reais . É como uma overdose de alarmismo. Quanto mais gente se autoproclama vítima de pequenas infrações, mais difícil é enxergar quem realmente sofre.

Nós já escolhemos , a cada momento de cada dia, as coisas com as quais nos importamos. Então, para mudar, basta escolher nos importarmos com outras coisas. É simples assim. Só que não é fácil.

Capítulo 6

Não devemos procurar a resposta “certa”, e sim tentar eliminar nossos erros de hoje para estarmos um pouco menos errados amanhã

Crenças desse tipo — “Não sou bonita, então por que me dar ao trabalho?” ou “Meu chefe é um babaca, então por que me dar ao trabalho?” — são feitas para nos proporcionar conforto imediato, hipotecando uma felicidade e um sucesso maiores para o futuro. São péssimas estratégias a longo prazo, mas mesmo assim nos apegamos a elas por presumirmos que sejam corretas, por presumirmos já saber o que virá. Em outras palavras, presumimos saber o fim da história.

Em vez de lutar por uma vida cheia de certezas, devemos sempre buscar a dúvida, seja em relação a nossas crenças, a nossos sentimentos ou em relação ao que o futuro nos reserva se não metermos a cara e fizermos acontecer. Em vez de tentarmos estar certos o tempo todo, que tal enxergar o oposto? Que tal aceitar que estamos errados o tempo todo? Porque estamos mesmo.

Nosso cérebro é uma máquina de gerar significado. O que entendemos por “significado” são associações mentais entre dois ou mais eventos. Se apertamos um botão e vemos uma luz se acender, concluímos que o botão foi a causa e a luz, a consequência. Em essência, significado é isso. Botão, luz; luz, botão. Vemos uma cadeira, notamos que é cinza. Nosso cérebro estabelece uma associação entre a cor (cinza) e o objeto (cadeira) e elabora um significado: “A cadeira é cinza.

Toda informação nova é avaliada segundo padrões e conclusões prévios. O resultado é um cérebro sempre tendencioso em relação ao que consideramos ser verdade em determinado momento. Se temos um relacionamento maravilhoso com nossa irmã, por exemplo, vamos interpretar a maior parte das lembranças com ela sob uma perspectiva positiva. Quando o relacionamento azeda, é comum começarmos a ver as mesmas lembranças sob nova ótica, reimaginando-as de forma a explicar a atual raiva que sentimos. Aquele presente lindo que ela nos deu no Natal assume conotações de condescendência. Aquela vez em que não fomos convidados para a casa de praia passa de erro inofensivo para tremenda negligência.

Clichês desagradáveis como “confiar em si mesmo” e “seguir seu coração” estão por toda parte. Talvez o melhor seja confiar menos em si mesmo. Afinal, se nosso coração e nossa mente são tão falhos, precisamos questionar ainda mais nossas intenções e motivações. Se está todo mundo errado o tempo todo, não seriam o ceticismo e a rigorosa objeção a nossas crenças e suposições o único caminho lógico para o amadurecimento?

Em meados da década de 1990, o psicólogo Roy Baumeister começou a pesquisar a maldade como conceito, analisando pessoas que cometiam atos ruins e por que os faziam. Na época, supunha-se que as pessoas faziam maldades porque se sentiam mal consigo mesmas — ou seja, tinham baixa autoestima. Uma das primeiras descobertas surpreendentes de Baumeister foi que muitas vezes isso não se aplicava. Em geral, era o contrário. Alguns dos piores criminosos se sentiam muito bem consigo mesmos, e era essa sensação boa, apesar da realidade ao redor, que parecia justificar seus atos de ferir e desrespeitar os outros.

Para que indivíduos justifiquem os próprios atos terríveis, é preciso que tenham certeza inabalável de sua retidão, suas crenças e seu merecimento. Racistas fazem o que fazem porque têm certeza de sua superioridade genética. Fanáticos religiosos dinamitam o próprio corpo e assassinam centenas porque têm certeza de seu lugar no céu como mártires. Homens estupram e agridem mulheres porque têm certeza de seu direito sobre o corpo delas. Pessoas más nunca acreditam que são más; elas acreditam que todos os outros são maus

Nossos valores são imperfeitos e incompletos. Presumir o oposto é o mesmo que vestir uma mentalidade perigosamente dogmática, caindo num comportamento arrogante e irresponsável. A única maneira de resolver nossos problemas é admitir que nossas ações e crenças sempre estiveram erradas e nunca funcionam.

Todos temos valores pessoais. Protegemos esses valores. Tentamos viver de acordo com eles, justificá-los e mantê-los. Mesmo sem perceber, é assim que o cérebro funciona. Como observado antes, somos injustamente tendenciosos em relação ao que já sabemos, às nossas certezas. Se eu acreditar que sou um cara legal, evitarei situações que possam vir a contradizer essa crença. Se acreditar que sou um ótimo cozinheiro, sempre buscarei oportunidades para provar isso a mim mesmo. A crença é sempre a prioridade. Até mudarmos a forma como enxergamos a nós mesmos, o que acreditamos ser e não somos, não temos como superar a evasão e a ansiedade. Não temos como mudar. Nesse sentido, “conhecer a si mesmo” ou “se encontrar” pode ser perigoso. Pode prender você a um papel rígido e colocar expectativas desnecessárias nas suas costas. Pode fechá-lo para seu potencial interno e para oportunidades externas.

Isso é narcisismo puro e simples. Você sente que os seus problemas merecem ser tratados de forma diferente, que os seus problemas têm uma característica única que não obedece às leis do universo.

A verdade é que somos nossos piores observadores. Os últimos a perceber quando estamos irritados, enciumados ou tristes. A única maneira de descobrir isso é enfraquecer a nossa armadura de certeza, o tempo todo considerando a possibilidade de engano.

Muitas pessoas conseguem se perguntar se estão erradas, mas poucas conseguem dar o passo seguinte, de avaliar quais seriam as consequências de estarem erradas. Isso porque o potencial significado por trás dos nossos erros em geral é doloroso. Não só nossos valores são questionados como nos vemos obrigados a considerar viver com um valor diferente, até oposto.

Pergunta 1: E se eu estiver errado?

Pergunta 2: O que significaria estar errado?

Pergunta 3: Se eu concluísse que estou errado, criaria um problema melhor ou pior que o atual, tanto para mim como para os outros?

Capítulo 7

O fracasso em si é um conceito relativo. Se meu parâmetro para a definição de sucesso fosse “me tornar um revolucionário anarcocomunista”, minha incapacidade absoluta de ganhar dinheiro nos anos de 2007 e 2008 teria significado sucesso total. Mas se, como as pessoas normais, meu parâmetro fosse apenas um primeiro emprego decente para pagar algumas contas depois de formado, eu fui um fracasso.

Aprimorar-se em uma tarefa é um processo que passa por milhares de pequenos fracassos, e a magnitude do seu êxito nisso vai se basear em quantas vezes você não conseguiu fazer determinada coisa

Considere uma criança pequena aprendendo a andar. Sabemos que ela vai cair e se machucar centenas de vezes. Mas em nenhum momento ela para e pensa: “Bem, acho que andar não é a minha. Não tenho talento para isso.” A aversão a fracassos e erros é adquirida posteriormente na vida

Grande parte do medo do fracasso surge por conta de valores pessoais muito ruins. Por exemplo, se eu avaliar a mim mesmo pelo parâmetro “ser amado por todo mundo”, a ansiedade é certa, uma vez que dependerei cem por cento dos outros. Não estarei no controle. Assim, meu valor estará à mercê do julgamento de terceiros.

Valores escrotos, como expliquei no capítulo 4, são aqueles que envolvem objetivos externos, fora do nosso controle. Buscá-los provoca alto grau de ansiedade. E, mesmo que consigamos alcançá-los, ficamos vazios e inertes: não há mais problemas a resolver. Valores melhores, como vimos, são focados no processo. Algo como “honestidade ao se expressar” — um parâmetro a ser adotado em virtude do valor “honestidade” — nunca termina; é um problema que precisa ser revisto sempre. Toda nova interação social e todo novo relacionamento trazem novos desafios e novas oportunidades para se expressar com sinceridade. Esse tipo de valor é um processo contínuo e vitalício.

Em perspectiva, as mudanças pessoais mais radicais acontecem depois das piores experiências. Só em face a uma dor intensa nos dispomos a reavaliar nossos valores e examinar suas falhas. Precisamos de algum tipo de crise existencial para analisar de forma objetiva a fonte do significado que damos à vida, e só depois considerar uma mudança de curso.

Para quem está na situação, da perspectiva de cada uma dessas pessoas, são perguntas extremamente complexas — charadas existenciais embrulhadas em desafios lógicos e jogadas num balde cheio de cubos mágicos. Dúvidas videocassete são engraçadas, porque a resposta é difícil para quem está com a dúvida e facílima para todo o resto do mundo. O problema é a dor. Preencher a papelada necessária para abandonar o curso de medicina é uma ação direta e óbvia; lidar com o desapontamento dos pais, não.

Por não conseguir separar sentimento de realidade , eu era incapaz de mudar minha perspectiva e ver o mundo como um lugar onde duas pessoas podem se aproximar a qualquer momento e conversar

Não vou mentir: no começo vai ser muito difícil e você vai se sentir perdido, sem saber o que fazer. Mas já falamos sobre isso, não? Você realmente não sabe. Não sabe nada . Mesmo quando acha que sabe, na verdade você não faz a menor ideia do que está acontecendo. Então, convenhamos, o que há a perder?

Se você quer realizar alguma coisa e não se sente motivado ou inspirado, você acha que já era, ferrou. Não há nada que possa fazer. O impulso para sair do sofá e agir só acontece diante de algum grande evento emocional. Ações levam a novas reações emocionais e, portanto, novas doses de inspiração, que por sua vez motivam ações futuras. Se você não está motivado para realizar determinada mudança importante, faça alguma coisa , qualquer coisa. Depois, aproveite o efeito da ação como combustível para se motivar. Ao me forçar a fazer alguma coisa , mesmo a mais insignificante das tarefas, as tarefas maiores pareciam muito mais fáceis.

Se seguirmos o princípio do Faça Alguma Coisa, o peso do fracasso é reduzido. Quando o parâmetro de sucesso é meramente a ação — quando todo resultado possível é considerado um progresso e tem seu valor, quando a inspiração é vista como uma recompensa e não um pré-requisito —, somos impulsionados à frente. Nos sentimos livres para fracassar, e até mesmo o fracasso nos movimenta

Capítulo 8

no Ocidente “livre”, continuou meu professor de russo, havia uma abundância de oportunidades econômicas — tantas que se tornou muito mais valioso se comportar da maneira X, mesmo que fosse falsa, do que ser de fato da maneira X. A confiança perdeu o valor. As aparências e o carisma se tornaram formas de expressão mais vantajosas. Conhecer muita gente de forma superficial valia mais a pena do que conhecer pouca gente com intimidade. É por isso que nas culturas ocidentais passamos a seguir a norma de sorrir e dizer coisas educadas, mesmo quando não estamos com vontade, contar mentirinhas bobas e fingir concordar mesmo quando discordamos. É por isso que as pessoas aprendem a fingir que são amigas de gente de quem não gostam, a comprar produtos que não desejam. O sistema econômico promove essa farsa.

todo mundo precisa se importar com alguma coisa para valorizar alguma coisa. E, para valorizar alguma coisa, precisamos rejeitar seu oposto. Para valorizar X, precisamos rejeitar o não X.

Ninguém pode resolver os seus problemas para você. E nem deveriam tentar, porque isso não vai fazê-lo feliz. Da mesma forma, você não pode resolver problemas alheios, porque isso não vai ajudar a fazê-los felizes. Um relacionamento não saudável é quando duas pessoas tentam resolver os problemas um do outro para se sentir bem consigo mesmas.

Definir limites adequados não significa que você não pode ajudar ou apoiar seu parceiro ou receber ajuda e apoio. Os dois devem se apoiar mutuamente. Mas que seja por escolha própria, não por se sentirem obrigados a isso ou no direito de exigir.

Pode ser difícil reconhecer a diferença entre fazer algo por obrigação ou voluntariamente. Então, eis um teste para o salvador. Pergunte a si mesmo: “Se eu me recusasse a fazer esse gesto, o que mudaria no nosso relacionamento?” Para a vítima, a pergunta seria: “Se meu parceiro se recusasse a fazer algo por mim, o que mudaria no nosso relacionamento?”

A confiança é o ingrediente mais importante em um relacionamento, pela simples razão de que sem ela o relacionamento não significa nada. Uma pessoa pode dizer que ama você, que quer ficar com você, que largaria tudo por você, mas se você não confia nela, não se beneficia dessas declarações. Você não se sente verdadeiramente amado até confiar que esse amor não virá com alguma condição especial nem bagagem agregada.

Mas nem sempre mais é melhor. Na verdade, o oposto é verdadeiro. Em geral ficamos mais felizes com menos. Quando somos sobrecarregados por oportunidades e opções, sofremos o que os psicólogos chamam de paradoxo da escolha. Basicamente, quanto mais variáveis, menos satisfeitos ficamos com o que escolhemos, porque temos consciência de que perdemos várias opções.

Quanto mais velhos ficamos, mais experiência obtemos e menos cada nova experiência nos afeta.

Capítulo 9

se não havia motivo para fazer qualquer coisa, também não havia motivo para não fazer. Percebi que em face da inevitabilidade da morte não existe motivo algum para ceder ao medo, ao constrangimento ou à vergonha, já que tudo isso não passa de um monte de nadas. Ao passar a maior parte da minha curta vida evitando o que era doloroso e desconfortável, eu tinha essencialmente evitado estar vivo.

todo o significado da vida humana é moldado por esse desejo inato de nunca morrer .

para compensar o medo da inevitável perda do eu físico, tentamos construir um eu conceitual, que viverá para sempre. É por isso que as pessoas se esforçam tanto para colocar seu nome em prédios, estátuas e lombadas de livros. É por isso que nos sentimos impelidos a dedicar tanto tempo aos outros, especialmente às crianças, na esperança de que a nossa influência — nosso eu conceitual — dure muito mais que o físico; na esperança de que seremos lembrados, reverenciados e idolatrados muito depois que o nosso eu físico deixar de existir. Becker chamou esses esforços de nossos “projetos de imortalidade”, aqueles que permitem que o eu conceitual continue vivo muito depois da nossa morte física. Toda a civilização humana, diz ele, é basicamente o resultado de inúmeros projetos de imortalidade: cidades, governos, estruturas e autoridades que existem hoje já foram projetos de imortalidade de mulheres e homens que vieram antes de nós. São o que restou de seres conceituais que não morreram.

O que Becker diz, em resumo, é que o medo impulsiona as pessoas a se importarem demais, porque se importar com alguma coisa é a única forma de se distrair da realidade implacável da morte. E estar pouco se fodendo para tudo é alcançar um estado quase espiritual de aceitação da efemeridade da própria existência. Nessa condição é muito menos provável ser dominado por várias formas de arrogância.

Embora a morte seja ruim, ela é inevitável. Então, não devemos evitar essa verdade, e sim aceitá-la da melhor forma que pudermos. Porque, quando nos sentimos confortáveis com o fato de que vamos morrer — o terror essencial e a ansiedade subjacente que motivam todas as ambições frívolas da vida —, podemos escolher nossos valores mais livremente, sem as restrições causadas por uma busca ilógica pela imortalidade, ficando assim liberados de perigosas visões dogmáticas.

Que marca você deixará ao partir? Terá tornado o mundo diferente e melhor? Qual influência terá causado? Dizem que o bater de asas de uma borboleta na África pode causar um furacão na Flórida; pois bem, que furacão sua passagem pelo mundo causará? Como Becker destacou, esta é a única questão verdadeiramente importante da vida, mas evitamos pensar nela. Primeiro, porque é difícil. Segundo, porque é assustador. E terceiro, porque não sabemos o que estamos fazendo.

As pessoas se declaram especialistas, empresários, inventores, inovadores e treinadores sem qualquer experiência real de vida. Não fazem isso porque realmente se acham melhores que os outros; fazem porque acham que precisam ser incríveis para serem aceitos em um mundo que só divulga o extraordinário.

Você já é incrível porque mesmo diante da confusão infinita e da morte certa, continua a escolher com o que se importa ou não.


 



As coisas que você vê quando desacelera

 “Quando chegou a hora de escolher as telhas, eu via telhas em todo lugar que ia. Reparava no material de que eram feitas, na espessura, no formato. E então, quando foi a vez do piso, tudo que eu enxergava eram tipos de piso. Eu naturalmente prestava atenção na cor, no tipo de madeira, no padrão e na durabilidade dos pisos que via por aí. E de repente me dei conta: quando olhamos para o mundo exterior, estamos enxergando apenas a pequena parte dele que nos interessa. O mundo que vemos não é o Universo inteiro, mas uma parte limitada com a qual a mente se importa. No entanto, para a nossa mente, essa pequena parte do mundo é o Universo inteiro. Nossa realidade não é o Cosmos, que se expande infinitamente, mas a pequena parte dele em que resolvemos concentrar nossa atenção. A realidade existe porque a nossa mente existe. Sem a mente não haveria Universo.” 


“A vida é como o teatro. Você recebe um papel. Se não gostar dele, saiba que tem o poder de representar o papel que quiser”  


"Se eu tivesse que resumir a vida da maioria das pessoas em poucas palavras, diria: resistência interminável em relação ao que se é. Ao resistir, estamos em constante movimento, tentando nos ajustar, e mesmo assim continuamos infelizes em relação ao que somos. Se eu tivesse que resumir a vida de uma pessoa iluminada em poucas palavras, diria: completa aceitação do que se é. Ao aceitarmos aquilo que somos, nossa mente fica relaxada e serena enquanto o mundo se transforma depressa ao nosso redor.”  : 


"Quando tiver que tomar uma decisão, tente avaliar quantas pessoas se beneficiarão da sua ação. Se ela satisfizer apenas seu ego e magoar os outros sem necessidade, a decisão é errada.”  


"Criticar é fácil. Mas quando o crítico tenta se encarregar das coisas, logo entende que nada é tão fácil quanto fazer críticas. Criticar sem apresentar solução só serve para inflar o ego do crítico.”  


“Tentar convencer alguém a adotar nosso ponto de vista é obra de nosso ego. E mesmo que no fim estejamos certos, o ego nunca estará satisfeito, e irá buscar uma nova discussão para se meter.”  


“Se quiser se comunicar de forma efetiva com os outros, é melhor descrever o que está sentindo do que partir para a ofensiva. Por exemplo, diga: “Estou muito triste de ouvir isso” e não: “Por que você sempre me deixa triste?” Você quer que as pessoas o escutem, não que tenham que se defender de você.”  


“Quando ficar decepcionado, não espere muito para dizer algo. Quando guarda os sentimentos para si, o rio da emoção se avoluma, tornando mais difícil atravessá-lo e falar com calma.”  


"Papel enrolado em incenso tem cheiro de incenso, um fio de amarrar peixes tem cheiro de peixe.” Quer gostemos disso ou não, somos naturalmente influenciados pelo ambiente. Pergunte-se: “Eu quero seguir o exemplo de quem? Essa pessoa está próxima fisicamente ou mentalmente?”  


“De acordo com o sábio confuciano Chŏng Yag-yong (1762–1836): “A melhor forma de esconder sua riqueza é distribuí-la. Se você for generoso com a sua riqueza, o dinheiro que mais cedo ou mais tarde teria desaparecido se tornará uma joia eterna, profundamente marcada no coração de quem a recebeu.”  


“Em seus relacionamentos, presuma que você vai dar mais que receber. Nós nos lembramos muito bem do que fizemos pelos outros, mas nos esquecemos com facilidade do que fizeram por nós.” 


“O defeito que você percebe imediatamente em alguém que acabou de conhecer deve estar em você também. Se não estivesse, você não o teria percebido tão rápido.”  

Gostamos de nos envolver nos assuntos dos outros achando que estamos fazendo isso por eles. Oferecemos ajuda não solicitada e interferimos na vida deles. Retiramos o poder deles e os fazemos sentirem-se incapazes. Isso vem de nosso desejo por controle e reconhecimento. Nada tem a ver com amor.


Se você tentar encontrar um amor que atenda a certos critérios, seu novo amor também poderá fazer certas exigências a você. Livre-se rápido das exigências quando o amor bater à sua porta.


Para determinar quão próximos somos de alguém, basta perguntar: "Posso agir como uma criança na frente dessa pessoa?” Quando amamos alguém, nos sentimos como uma pequena criança em nosso coração.


O amor precisa ser equilibrado.

Se você gosta mais de uma pessoa do que ela de você, dê-lhe tempo e espaço para que ela o alcance. É importante refrear suas emoções quando seus sentimentos não estiverem em equilíbrio com os dela.


O coração é mais lento que a mente. A mente sabe que vocês devem se separar, mas seu coração, não. Isso é porque seus sentimentos estão abrigados bem fundo no seu coração. Um dia, após muitas decepções, seu parceiro dá o golpe final, e a luz enfim se apaga em seu coração.


Às vezes não temos certeza se o que sentimos é amor. Nessas horas, pergunte a si mesmo: "Estou feliz em oferecer mais mesmo após já ter oferecido tanto?”. Se a resposta for “sim” e não houver nenhum arrependimento depois, então isso provavelmente é amor.


Amor significa amar a pessoa do jeito que ela é. Querer que ela seja de determinada forma não é amor, e sim o seu desejo. Não tente aperfeiçoar o outro em nome do amor. Isso é um aprimoramento apenas aos seus olhos, não aos olhos do outro.

Quando for comprar algo que irá durar muito tempo, como uma casa ou um piano, escolha o melhor dentro das suas possibilidades, não algo que sirva apenas por enquanto. Você pode pensar que é bom o suficiente, mas após um tempo vai se arrepender.


Podemos amar nossos familiares e rezar pela felicidade deles. Podemos oferecer conselhos e ajuda quando é necessário. Mas não podemos tomar decisões por eles nem fazê-los agir da forma que queremos. Há muitas coisas na vida que não controlamos. Isso inclui as pessoas mais próximas de nós.


Quando compartilha problemas com seus amigos, você não espera que eles tenham as soluções. Você apenas fica grato por eles estarem ao seu lado, dispostos a ouvi-lo. Se alguém compartilhar problemas com você, não sinta necessidade de ter as soluções. Apenas escute com sinceridade. Isso costuma ser mais útil. 


Se somos rápidos em fazer um favor, as pessoas são rápidas em esquecer a gratidão. Se fazemos um favor impondo várias condições, as pessoas expressam imensa gratidão.


Uma palavra de incentivo, dita com generosidade e esperança, pode mudar o futuro de uma pessoa.


Estabeleça uma meta para a semana. Há uma grande diferença entre ter uma meta e não ter. Uma conquista significativa pode se originar de um único pensamento.


Um líder sábio não forma uma equipe apenas com pessoas que concordam com ele. Ele precisa ter quem discorde dele para poder enxergar os próprios pontos cegos.


Um jóquei não chicoteia um cavalo parado. Um jóquei só chicoteia o cavalo que está correndo. Quando a sua professora lhe der uma advertência, aprenda a aceitá-la com dignidade. Ela está fazendo isso porque se importa. Ela acredita que você pode se sair melhor.

Um líder espiritual é um dedo que aponta para a Lua. Se o dedo tenta se tornar a Lua, isso pode levar a graves erros


Num dia de primavera, quando fiz 30 anos, olhei para a minha mente e percebi três coisas. No momento em que me dei conta delas, soube o que teria que fazer para ser feliz. Em primeiro lugar, as pessoas não estão tão interessadas em mim como sempre pensei. Não consigo lembrar o que minha amiga estava vestindo quando a encontrei na semana passada. Nem como estava sua maquiagem ou seu cabelo. Se eu não consigo lembrar, então por que ela se lembraria desse tipo de coisa em relação a mim? Apesar de pensarmos nos outros de tempos em tempos, é raro que isso aconteça por mais do que pouco minutos. Quando terminamos, nossa mente se volta imediatamente para o que nos interessa. Por que deveríamos passar tantos momentos da vida preocupados com o que os outros pensam de nós? Em segundo lugar, nem todo mundo tem que gostar de mim. Afinal, nem eu gosto de todo mundo. Com certeza existem políticos, colegas de trabalho, clientes e familiares que não conseguimos suportar. Então por que todos deveriam gostar de mim? Não há razão para se atormentar porque alguém não gosta de você. Aceite isso como um fato da vida; não é possível controlar a forma como os outros se sentem em relação a você. Se alguém não gosta de você, deixe que essa pessoa tenha a própria opinião. Apenas siga em frente. Em terceiro lugar, se formos brutalmente honestos, a maior parte do que fazemos é para nós mesmos. Rezamos pelo bem-estar da nossa família porque precisamos tê-la por perto. Derramamos lágrimas pela morte de nosso parceiro por causa da solidão iminente. Fazemos sacrifícios pelos nossos filhos na esperança de que eles cresçam como queremos. A menos que nos tornemos iluminados como Buda ou Jesus, é difícil abandonar nossa preocupação com nós mesmos, tão profundamente enraizada. Pare de se preocupar com o que os outros pensam e faça apenas o que o seu coração deseja. Não ocupe sua mente se perguntando o que poderia ter acontecido. Descomplique a vida e assuma seus desejos. Só quando você é feliz é possível ajudar a transformar o mundo em um lugar mais feliz.







Descrença e The Witcher

 - E você não acha, perguntou Geralt, com um sorriso irônico, que minha descrença na falta de sentido em um transe desses não comprometeria de saída sua finalidade?

- Não, não acho. E sabe por quê?

- Não.

Nenneke inclinou-se e encarou Geralt com um estranho sorriso nos lábios pálidos.

- Porque seria a primeira prova cabal de que a descrença possa ter algum tipo de poder.

domingo, 27 de junho de 2021

Misery - Louca Obsessão

 Eu gosto de histórias de terror, especialmente aquelas que a maldade é feita pelos humanos. Porque se tem algo que a gente é bom é em fazer coisas ruins. Só que eu não acreditava que conseguiria ter essa sensação de medo ao ler um livro de terror. O que é bem burro da minha parte, já que se tenho outras emoções lendo, por que não essa? Enfim. Quando era mais burrinho que hoje, tive vários livros de Stephen King que não dei cabimento por causa das explicações acima e por isso acabei dando/vendendo sem bem sequer tentar. Dos filmes gosto bastante: meu favorito dele é O Nevoeiro, seguido de perto pela Tempestade do Século e A espera de um Milagre


Só sei que conversei com uma pessoa recentemente que gostava de terror e de Stephen e mesmo depois de ter falado as coisas acima, ela recomendou o livro Misery, que talvez faria mudar minha perspectiva. 


SPOILER: mudou. 


Comecei a ler o livro e tive um déjà vu: "eu conheço essa história". E conhecia mesmo! Era a adaptação de um filme que aluguei chamada Louca Obsessão. Não lembrava do desenrolar da história, mas o sentimento de agonia não foi esquecido. A sinopse é: escritor sai de carro na neve com o único manuscrito do seu último livro, sofre acidente e é resgatado pela sua fã número um que também é enfermeira e mentalmente instável.


A caracterização de Annie Wilkes, a vilã, me lembra bastante a Tia Lydia da série The Handmaid's Tale. Até googlei pra saber se eram as mesmas atrizes. Não eram, mas o biotipo é semelhante e a personalidade é idêntica no sentido de alguém que prática o mal e está crente que faz o bem. A lavagem cerebral, no livro, que ela tenta fazer em Paul, o protagonista, traz muitos paralelos com outra personagem de Handmaid's, Janine. 


Como conseguimos ter acesso aos pensamentos do protagonista, sabemos o que ele está pensando. Uma das coisas que me incomodou, de um jeito bom, é quando Paul está com o raciocínio confuso e seus pensamentos deixam de ter vírgulas pra expressar isso. Tudo fica embaralhado para o leitor. Adorei.


Perturbador também são os problemas nas teclas da máquina de escrever. Em determinadas partes do livro temos que ler o livro dentro do livro e se pra mim foi CHATO PRA CARAMBA só ler (confesso que quis pular esses trechos), imagine Paul. Dá pra sentir a angustia!


Curti bastante a ideia do livro como metalinguagem, já que é um escritor escrevendo sobre um escritor que escreve. Me pergunto o que S.K. pensa do seu fandom e se as dicas sobre escrita devem ser levadas a sério. Algumas parecem ter um fundo de verdade.


Por fim, perto do final da história, Paul cogita queimar todo seu trabalho. Isso me lembrou uma cena em House of Cards onde monges passam o dia inteiro, meticulosamente, criando uma mandala de areia para, depois de realizado todo o trabalho, destruí-la, para mostrar a efemeridade da vida.


Ah, a brincadeira do "Sai dessa!" estimula bastante a criatividade. Como Annie fala: não precisa ser realista, só precisa ser honesto (a famosa verossimilhança)


(Anotei alguns filmes/livros que foram citados e fiquei com vontade de consumir: senhor das moscas, o prisioneiro de zenda, o mundo segundo garp)

domingo, 20 de janeiro de 2019

Dororo (mangá)

Li mangá de Dororo por causa do anime. É bastante diferente.

O clima é muito mais leve na revista. Hyakkimaru consegue se comunicar com as pessoas, porque sua voz "alcança os corações telepaticamente" ou alguma besteira do tipo.

Dororo sofre demais: praticamente em todo encontro com um estranho leva uma surrona.

Não se vê os 48 demônios (no anime são 12). Felizmente, não e só uma história de caça-los e recuperar as partes do corpo: há muitas histórias com Dororo e ela realmente ajuda Hyakkimaru.

Os personagens ainda enigmáticos do anime (ainda estou no episódio 2), como o médico e o monge, não tem tanto espaço na obra. O médico de próteses aparece no começo, enquanto o monge aparece raras vezes ao longo do mangá.

O final do mangá é inconclusivo, mas espero que no anime seja diferente, já que no anime anterior da década de 1960 assim o foi.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Poppy no Negai

Poppy no Negai é um oneshot, uma história de apenas um capítulo, do mesmo autor de The Promised Neverland.

Basicamente um cientista cria uma inteligência artificial top da balada e bota ela numa torradeira para ela fazer torradas gostosas.

Depois de muito choro da parte da torradeira, chamada Poppy, o cientista resolve atender seus pedidos e cria pra ela um corpo humano.

E o restante você tem que ler pra não perder a graça, afinal são só 32 páginas.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014



Hoje uma ex amiga lançou um livro. Ex porque ela nem fala mais comigo, mas como já fomos amigos, não posso falar em colega, né? Algumas pessoas acham que amizades duram pra sempre. Não duram. Tem prazo de validade, geralmente ligado ao que se faz junto e aos amigos em comum. E a não ir em aniversários.

Divago.

Enfim.

Ela lançou esse livro num sábado a tarde. Autografou vários tablets, porque ele não é de papel. É .pdf. São poemas. São todos POEMAS SOBRE AMOR. Aparentemente sobre uma mesma pessoa. Como não estou com ninguém, torna-se um livro sem graça. Somente pelo fato de que não consigo me transpor para o lugar do EU-LÍRICO. Quem sabe um dia.

Porem dois textos são bem legais: "Não era ele. É ele" e "Assim nós vamos".

Quem quiser dar uma chance, o link pro livro está aquiA entrevista com Bia feita por Fábio (outro ex amigo) está no site do Apartamento 702; e o blog dela chama-se Brinquedo Torto.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

A fantástica sobrecapa da autobiografia não autorizada de Lemony Snicket

Essa sobrecapa FALSA cujo título é "A pândega do pônei!" da coleção "As crianças mais sortudas do mundo!" esconde, na verdade, o livro "Autobiografia não autorizada" de Lemony Snicket. A capa correta tem o seguinte texto escrito na orelha:
"O livro que você está segurando nas mãos é extremamente perigoso. Se as pessoas erradas o virem com esta objetável autobiografia, os resultados poderão ser desastrosos. Por favor, faça uso da sobrecapa reversível deste livro imediatamente. Disfarçar este volume, bem como a você mesmo, pode ser a única salvação."

Genial!

segunda-feira, 25 de março de 2013

Manhole

Uma crime aparentemente besta, se mostra mais complicado do que aparenta. Uma doença causada por uma filaria, um parasita, começa a causar gravíssimos danos nos seres humanos. Roubando sua líbido, deixando-os os cansado e removendo seu apetite. O parasita age no talamo central do cérebro responsável por controlar nossas vontades. E agora? De onde veio isso? Uma nova mutação? Coisa do demônio? Bioterrorismo? Um cientista louco?


Imagine que por causa de um inseto CHUPADOR DE SANGUE (hematófago), a disseminação da doença fica mais fácil. É assim mesmo que ocorre. Triste perceber que os humanos são tão fracos.

O primeiro caso da história é de um rapaz que anda nu e balbucia palavras sem sentido. Ao encontrar uma outra pessoa, tenta falar algo, possivelmente "mamãe!", mas a surpresa do transeunte ao ver aquela cena é tão grande que este o empurra, fazendo o homem nu cair de cabeça no chão e morrer, sem antes deixar de cuspir UM JATO DE SANGUE na cara do pedestre quando tentava balbuciar algo. Já viu, né? Infecção.


A policia, a principio, acha que é mais um caso banal, mas logo descobre-se toda uma conspiração. Há um certo instituto para o qual este homem nu se dirigiu para tentar curar-se dos seus males. Ele batia nos pais, roubava seu dinheiro, era uma pessoa agressiva, mas em algum momento quis melhorar. (E isso me lembra que há umas três semanas fui a uma palestra que debatia internação compulsória de usuários de crack. Pensei: "tudo a ver com esta história, Paolla).

Mas o que este instituto pode ter feito de tão ruim para fazer um homem andar nu cuspindo sangue pelas pessoas e falar numa linguagem ininteligível?


Aos poucos descobrimos que a pessoa por trás desses eventos tem uma ideia bastante EUGENISTA sobre a população. Quer simplesmente expurgar as pessoas ruins do mundo. A intenção é boa, né? Pelo menos assim pensa o coordenador das ações. Só que se você parar e refletir, é complicado ser o INMETRO da população mundial. Prefiro não viver num mundo onde minhas ações podem ser interpretadas como maléficas e sofrer o que os personagens da história sofreram.


E quando eu me referi a palestra que fui, não foi a toa. Estão falando de lobotomia no mangá! E, pasmem, o rapaz que criou isso, Egas Moniz, foi agraciado com um PRÊMIO NOBEL. A mentalidade daquela época (1949) era outra mesmo, hein? A imagem acima diz que "muitos pacientes foram libertos do seu sofrimento".  Será? Definitivamente devem ter se tornado cordeirinhos, sem mais causar problemas a família, mas isso é resolver o problema? Não há outras opções? Para o "VILÃO", não há.


Dois dos personagens policiais responsáveis por cuidar dos casos são estes da imagem acima. Uma garota que acabou de entrar pra polícia e seu chefe, que lhe prega várias pegadinhas. Uma ótima dupla!

Lembrar também que os países africanos, no casto deste mangá Botsuana, ainda são vistos como locais mágicos, estranhos, bizarros e diferentes, repletos de propriedades místicas e curadoras. Não há melhor cenário para criar-se mitos que um local pouco conhecido pelo ser humano. Inventar uma "tribo dos ciclopes" torna-se muito mais simples.


Apesar dessas imagens chocantes que usei na resenha, o mangá não é tão nojento como parece. É PIOR, não pela nojeira, mas por se basear em COISAS REAIS. A filária realmente existe. A lobotomia foi uma prática bastante utilizada e aceita em um certo período. Teorias eugenistas PIPOCAM pelo mundo até hoje. E, novamente sobre a palestra, se as pessoas doentes não condizem com o que a sociedade almeja, o único modo de resolver o problema é eliminá-las e/ou isolá-las. Pelo menos assim pensam algumas pessoas.


Tetsuya Tsutsui, o autor da história, possui apenas três outros mangás além de Manhole. Um deles, Duds Hunt, encontrei traduzido para o português do Brasil pela mesma galera que fez Manhole, o Chrono Scanlator (dá pra fazer download de Manhole neste mesmo link). É só um volume, então em breve escreverei algo por aqui.

E, sim, recomendo lerem Manhole.

terça-feira, 19 de março de 2013

Série de livros FEIOS

Ingrid me falou que leu este livro na época em que eu lia Jogos Vorazes. Ela disse que a história tinha potencial para ser boa. Por FEIOS também ser uma distopia (meu gênero predileto), pensei que ia gostar bastante!


Infelizmente, assim como ela, achei bem bobo.

Tally Youngblood tem 15 anos de idade e vive em VILA FEIA. Em seu mundo há os FEIOS, pessoas como ela, e os PERFEITOS, pessoas que que são presenteadas pelo governo com uma intervenção cirúrgica de modo a deixa-los como uma aparência externa perfeita, alem de um organismo mais resistente a doenças, ossos mais leves e resistentes, etc etc etc.

Esse "presente" é dado a todos os cidadãos ao completarem 16 anos. Tally está super ansiosa para que chegue logo seu aniversario para, enfim, se tornar perfeita.

Que vantagens há nisso? Em NOVA PERFEIÇÃO, a cidade dos perfeitos, pode-se dormir ate a hora que quiser, ninguém trabalha, o governo oferece casa, comida e roupa lavada, as pessoas vivem festejando... Porem.... Bem, não vou estragar a surpresa.

Quem, em sã consciência, recusaria isso? Os amigos mais velhos de Tally já estão todos em Nova Perfeição e a garota precisa passar o tempo ate a data de sua cirurgia. Nesse ínterim ela conhece Shay, uma menina que NÃO quer se tornar perfeita. POR QUE?


PEOR! além de não querer ser perfeita, Shay deseja se mudar para um local "mitológico" chamado Nova Fumaça, uma espécie de comunidade "hippie" onde as pessoas vivem NA e DA natureza, comendo plantas e animais, sem o conforto que a cidade oferece. Que ABSURDO, né?

O problema é que Shay desaparece e os ESPECIAIS, um grupo de PERFEITOS que monitora a cidade, incumbe Tally de ir atras da sua amiga. Caso se recuse, a garota nao ira se tornar perfeita! Tadinha!

Esse primeiro livro da serie conta o resgate de Shay por Tally, mas este post contem reflexões e comentários a respeito dos quatro livros.


Deu pra ver que tem varias lacunas a historia, né? É assim mesmo. O livro demora MUITO para dizer a que veio. Retarda muito para mostrar os CONTRAS desse novo mundo (Tenha calma, todas as respostas são dadas, mas é algo tao fora de ordem que você pensa se faltou planejamento do autor Scott Westerfeld).

Eu fiquei imaginando um filme. Se acontecer, tem que mostrar muitos mais benefícios para se tornar um PERFEITO. Tally também teria que ter sua personalidade modificada para uma garota ALUADA/INGÊNUA/EGOÍSTA, pois não faz sentido trair os amigos. A Vila Feia precisaria se tornar um local medíocre  afinal é como se ela fosse a periferia de Nova Perfeição  ou seja, submetida ao mesmo governo. Não ha falta de comida em Vila Feia, é tudo uma questão estética.
A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte... (Titãs - Comida)
Se hoje não temos uma cirurgia que possa nos modificar completamente, como o livro sugere, temos outros meios de se encaixar num padrão de beleza "perfeito" (ou quase isso). Temos que ser magros e ao mesmo tempo fortes (vá pra academia!); Nossos dentes precisam ser brancos e perfilados (alô, dentista!). Nossos cabelos precisam ser mais lisos que pau de sebo (shampoos e salão de beleza). Silicone! Lipoaspiração! Lente de contato! Perucas! Marca passo! A lista é longa, mas basicamente esse é o padrão que a sociedade impõe. Daí me lembrei desse post da Lola sobre os corpos dos atletas olímpicos (LEIA, POR FAVOR), mostrando que cada pra cada modalidade há um biotipo adequado. Percebemos como é ténue a linha de um padrão de beleza.


A tentativa de HOMOGENEIZAÇÃO da sociedade é para evitar os conflitos. As intenções inicias são boas. O governo condicionava as pessoas a se sentirem inferior por terem nascido feias. A única opção era se tornar perfeito, fazer a cirurgia. Assim não haveria distinção.
- Até parece que as coisas eram maravilhosas quando todo mundo era feio. Ou será que você perdeu essa aula na escola?
– Eu sei, eu sei. Todo mundo julgava os outros pela aparência. As pessoas mais altas conseguiam empregos melhores, e o povo votava em certos políticos só porque eles não eram tão feios quanto a maioria. Blá, blá, blá.
– Isso aí. E as pessoas se matavam por coisas como uma cor de pele diferente. – Tally balançou a cabeça. Por mais que repetissem aquela história dezenas de vezes na escola, ela nunca tinha acreditado de verdade. – Então, qual é o problema de as pessoas serem mais parecidas agora? É o único jeito de tornar as pessoas iguais.
– Poderiam pensar numa forma de deixá–las mais espertas. 
Ainda em relação a beleza, nesta parte do livro Tally e Shay encontram revistas antigas, do período em que não havia a cirurgia. E aí percebemos as diversas formas de beleza do passado (e se você tiver lido o post que indiquei, tudo vai fazer mais sentido ainda).
Os olhos de Tally demonstravam espanto enquanto Shay virava as páginas, sempre apontando e rindo. Ela nunca tinha visto tantos rostos tão diferentes. Bocas, olhos e narizes de todos os formatos possíveis, combinados de um jeito absurdo, em pessoas de todas as idades. E os corpos? Alguns eram monstruosamente gordos ou estranhamente musculosos ou perturbadoramente magros. E quase todos apresentavam proporções desequilibradas e feias. No entanto, em vez de demonstrarem vergonha por causa de suas deformidades, as pessoas davam risadas, trocavam beijos e posavam, como se as fotos tivessem sido tiradas numa grande festa. 
O livro tem uma preocupação ambiental IMENSA, beirando ao ridículo. O discurso nas entrelinhas explicito é que os seres humanos são uma praga incontrolável que irá destruir o mundo a qualquer momento. Por isso não devemos derrubar nenhuma arvore, não abater animais para comer... É muito extremista. Essas imposições são todas feitas pelo governo. Ele decide; o povo acata. ACATAR é o termo certo, pois a sociedade apenas respeita e venera o que o governo. Não há questionamentos sobre o autoritarismo. Tá tudo dando bem pra todos, então por que mudar?

É aí que o direito de escolher é ressaltado. 
– Por que sou infeliz? – repetiu Tally. – Porque a cidade obriga você a ser como eles querem, Peris. E eu prefiro ser eu mesma. É por isso.
Ele apertou o ombro dela com uma expressão triste no rosto.
– Mas as pessoas são melhores agora. Podem existir boas razões para eles terem nos mudado, Tally.
– Peris, as razões deles não significam nada, a não ser que eu tenha o direito de escolher. E eles não dão esse direito a ninguém – disse ela, tirando o braço dele do ombro e se voltando para a cidade que se distanciava. 
E após certos eventos ocorrerem no livro, vimos o quanto o debate e a discussão de ideias é algo ainda, no minimo, estranho para a protagonista. 
Tally jamais tinha ouvido adultos discutindo daquela forma, nem mesmo em particular. Era como se um bando de feios dominasse as transmissões. Sem as lesões para tornar as pessoas aprazíveis, a sociedade vivia em constante estado de guerra por meio de palavras, imagens e ideias.
Era uma sensação avassaladora, quase como o modo de vida dos Enferrujados, ter que debater todas as questões em público em vez e deixar o governo fazer o seu trabalho.
E as mudanças já em vigor em Diego eram apenas o início, Tally percebeu. A cidade dava a impressão de estar fervendo com todas aquelas mentes emancipadas trocando opiniões, como algo prestes a explodir.  
Quando percebemos que a historia se passa 300 anos após um colapso na terra, somos chamados de ENFERRUJADOS, para ressaltar nossa dependência do metal. Só que essa parte não ficou bem explicada. Essa DERROCADA aconteceu devido a uma bactéria, criada por alguém que não sabemos quem, tornar os produtos criados com petróleo totalmente inflamáveis. Aparentemente aconteceram sérios incêndios globais devido a isso e MUITA gente morreu porque ao invés de fugir a pé, fugia de carro. E o carro contem peças feitas de petróleo (e, óbvio, há o combustível)... Somos estúpidos assim? Esse colapso aconteceu do dia para noite? Quantas pessoas sobreviveram? Quais são as matérias primas do novo mundo?

Outra questão: Tally tinha pais, Sol e Ellie, mas como era o relacionamento deles? Por que ela não usava pai e mãe para se referir aos pais? Como era a família em Vila Feia? A população era controlada? Como?

DO QUE LEMBREI AO LER O LIVRO?


Em vários momentos da história lembrei de possíveis referencias a cultura popular. A prancha flutuante, tão usada nos livros, por exemplo: não tem como deixar de lembrar de DE VOLTA PARA O FUTURO.



O cenário, na minha cabeça, foi uma mistura do desabitado mundo do seriado Revolution e do anime No.6 com a tecnologia autosuficiente da cidade de Tokyo 3 (Evangelion).

  

A viagem de Tally, SOZINHA, para a Vila Fumaça me deu a mesma sensação de jogar Shadows of the Colossus. Veja o vídeo acima. Sério. Troque o cavalo por uma prancha flutuante e pronto. Era Tally sozinha num mundo COMPLETAMENTE DESABITADO. A mesma solidão que Wander, o protagonista de SOTC, deve sentir.


A reserva humana, pra mim, foi o ponto alto dos três primeiros livros. A forma de conter os humanos primitivos no local é a cara de LOST. Observe a descrição.
E no interior dos bonecos devia haver algo muito mais sofisticado: um sistema de segurança capaz de subjugar seres humanos, sem causar mal às árvores e aos pássaros. Algo que atacava o sistema nervoso, traçando uma fronteira intransponível ao redor do mundo daquelas pessoas.  
MUITA CALMA NESSA HORA. ACABEI DE FALAR DOS TRÊS PRIMEIROS LIVROS, MAS AINDA HÁ O QUARTO...

Quando li a série, acreditei que o título do quarto livro, EXTRAS, era uma referência a um conteúdo extra da história original. Um compêndio, sabe? Com informações sobre aquele mundo.

Eu estava errado. Quase.

Extras é uma espécie de spin-off da serie feios.

A história ocorre no mesmo mundo de Tally Youngblood, 3 anos e meio apos os acontecimentos do terceiro livro da série, ESPECIAIS. Ao invés de beleza, a tecnologia e a popularidade são o que chamam a atenção. A protagonista chama-se Aya e aparentemente a historia se passa no Japão, afinal a garota fala japonês (dããã). Youngblood faz uma "participação especial" na historia.


Pra mim, se rolasse um filme, esse seria o mais chamativo. Justamente por ter TUDO A VER com o mundo que vivemos. Da popularidade. Da comparação social. A moeda da sociedade chama-se MÉRITOS. Não é a toa, né? As pessoas deste novo contexto tem uma obsessão INTENSA em gravar e filmar tudo. Tipo eu. Tipo você. E há um ranking de popularidade. Aya quer fazer parte desse ranking, mas ainda não sabe como e inveja seu irmão por ser um dos mais populares.

O enredo, fraco, desse livro é que Aya acaba por descobrir um grupo de garotas que NÃO QUEREM SER POPULARES. Evitam a todo custo a exposição. Isso, por si só, não tem efeito algum, Contudo, essas garotas são que nem aqueles paulistas (só lembro de paulistas, desculpem-me) que surfam nos trens. Elas fazem O MESMO! Isso é algo tão arriscado que provavavelmente, pensa Aya, se conseguisse filmar faria com que ela ascendesse rapidamente aos primeiros lugares do ranking.

A história se desenvolverá a partir daí. Será que as garotas vão descobrir que Aya só quer filmá-las? Num desses surfs nos trens, o grupo acaba passando por entre uma montanha e encontra um grupo de SERES roubando o metal. Que seres são esses? Humanos? E por que estão roubando metal? Pretendem iniciar uma guerra? O que era apenas uma filmagem de adolescentes se arriscando torna-se uma teoria conspiratória com diversos agravantes.

Assim como nos outros livros, as cirurgias estéticas e cerebrais estão disponíveis  A "honestidade radical", cirurgia que altera a mente para tornar a pessoa INCAPAZ DE MENTIR, é a mais engraçada de todas. Quero muito ver isso num filme. É só você imaginar aquele filme do Jim Carrey, O MENTIROSO.
A ausência de Moggle [a câmera voadora de Aya] a deixou duplamente receosa. Era assustador pensar que nada daquilo estava sendo gravado. O que quer que acontecesse teria acabado na manhã seguinte, como um sonho. Aya sentiu que estava isolada no mundo, que ela mesma não existia.
Esse artefato de Aya, Moggle, como não lembrar do GOOGLE GLASS? Filmando tudo, 24 horas por dia. Além disso, Moogles são também o nome de criaturas fictícias da série Final Fantasy. No Final Fantasy 7, por exemplo, há um único Moogle que consegue se comunicar com humanos. Igual a câmera de Aya.


Se uma árvore cai e ninguém vê, então não faz barulho; o mesmo vale para uma única mão batendo palmas. A pessoa tem que ser vista antes que exista de verdade.
Gostei muito da definição de EXPANSÃO usada pelo antagonista deste livro (que não irei contar quem é!). Ele diz que "expansão é a palavra dos deuses para o crescimento, mas a bola do mundo não cresce". Reflita. O mundo não cria novos espaços para abrigar a população, mas aparentemente achamos que sim. Não é um crescimento sustentável. E novamente o problema ecológico é mencionado na história. Uma constante na série, mas dessa vez sem tanto maniqueísmo.

Pra mim esse é o livro mais legal da série e é perfeitamente possível lê-lo sem ter lido os três anteriores. Espero que, caso ocorra um filme, esse seja o primeiro, contando o FUTURO DO FUTURO e os antecedentes sirvam para explicar a mitologia da série (dizer quem é Tally, porque o mundo ficou daquele jeito, etc etc).

sexta-feira, 8 de março de 2013

Independência ou Mortos

Tenho muito orgulho, como historiador, em ver que publicações como essas começam a fazer sucesso no Brasil, trazendo o interesse dos leigos que querem conhecer um pouco mais sobre a nossa história, mesmo que seja através de uma história de ficção!


"Independência ou Mortos" é uma publicação do selo Nerd Books proveniente do site Jovem Nerd. Escrito por Abu Fobiya e ilustrado por Harald Stricker, a história da independência do Brasil é recontada de uma maneira nada SINGELA: com ZUMBIS.

Quando D. João VI foge de Portugal em direção ao Brasil, não podia imaginar que em sua embarcação surgiria uma doença que traria os mortos de volta a vida. E quem é responsável por isso? Sua mamãezinha, Dona Maria, A LOUCA!

Mesmo com essa INESPERADA situação, sua comitiva aporta em terras brasileiras. Com a mamãezinha. Você já deve saber o que está por vir, né? De algum modo, outras pessoas são infectadas e começa a luta pela independência.

Essa não é a história de D. João VI, mas sim a de Pedrinho D. Pedro I, o responsável por ter que lidar com as TOLICES que seu pai provocou.


A graphic novel tem 160 páginas, capa dura e dá gosto de tocar as páginas internas (elas tem aquele "cheirinho de novo", sabe? Os personagens são bem elaborados e até as ESTRIPULIAS ROMÂNTICAS de D. Pedro I são exibidas. Claro que há omissões de algumas figuras históricas, mas isso serve para manter o ritmo constante da obra (que, lembre-se, é uma FICÇÃO!)

Após o fim da história, os autores se pronunciam a respeito do livro, explicando como foi elaborado o projeto da história em quadrinho e as escolhas que tiveram que tomar.

Agora uma reflexão.

Como falei no inicio do post, gosto muito dessas remontagens. Mantem alguns fatos reais e adicionam elementos da ficção. Tenho esse posicionamento que isso gera INTERESSE pela história real. Quem tem um mínimo de consciência critica quando vê "história baseado em fatos reais" deve se perguntar duas coisas: será que a realidade retratada no filme é assim mesmo? Os personagens na tela condizem com a realidade (verossimilhança)?

A primeira coisa que pensei quando IGOR me emprestou o livro foi que, na mesma época, estava nos cinemas o filme Abraham Lincoln - Caçador de Vampiros. Um cara que, dada as devidas diferenças, tem uma representatividade semelhante pros EUA que D. Pedro I tem para o Brasil. Esse nosso complexo de vira-lata faz com que vejamos a Mafia Italiana no período da lei seca EUA, Samurais no Japão, Cavaleiros Templários na Europa como MODELOS/ÍCONES (e eles não o são! muito menos heróis!), mas quando voltamos os olhos leigos para nossa realidade não encontramos nada. Será mesmo? Ou é apenas desconhecimento de nossa parte?

(É desconhecimento!!! Ainda farei uma história distópica sobre A CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR ter dado certo.)

Dizem muito, os vira-latas, que no Brasil não há "heróis" (repito: isso não existe) porque nunca houve briga pela independência. Olha, mesmo que isso fosse verdade (e não é!) pra mim isso é um mérito  não um demérito. Alcançar o objetivo sem derramamento de sangue é uma proeza. Lembre-se que na historia "real" do Brasil, antes, durante e depois do processo de independência, houve vários movimentos separatistas ou revoltosos contra a COROA. Confederação do equador, Revolta Praieira, Sabinada, Balaiada... não estou julgando os méritos, mas sim expondo, pra quem ignora isso, que houve luta armada por aqui. Quase todas reprimidas.

Bom, pelo menos o cenário (literário, até agora) está mudando. O mesmo selo tem outra história publicada chamada Branca dos Mortos e os 7 Zumbis (zumbis de novo! alguém tem uma tara por isso...) e livros clássicos da literatura brasileira estão sendo recontados:  "Dom Casmurro e os Discos Voadores", "Escrava Isaura e o Vampiro", "Memórias Desmortas de Brás Cubas", "Senhora, A Bruxa", "O Alienista Caçador de Mutantes".


Obrigado por ter me emprestado o livro, Igor!

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Cândido ou O Otimismo



Pela apresentação do livro, parece que Voltaire escreveu essa historinha só para se opor a um RAPAZOTE chamado Leibniz. Aparentemente Leibniz acreditava que o mundo em que vivemos era o mais perfeito possível, tudo ia bem até quando ia mal, nada podia ficar melhor do que já estava. Um otimista, por assim. dizer.

Voltaire, apesar de não ser pobrezinho, teve uns percalços na vida, indo até parar na prisão. Não concordava em nada com essas ideias de Leibniz.

Como não havia internet nessa época, então não tinha como Voltaire dar DISLIKE ou deixar de acompanhar o feed de notícias de Leibniz. O que fez então? UM LIVRO. Nada mais natural, né? Escrever todo um livro para mostrar que o outro estava errado. A obra versa sobre as DESVENTURAS de um rapaz chamado Cândido (Candinho), um personagem análogo a Leibniz (otimista, etc).


Vamos ao livro então. São 30 capítulos em pouco mais de 70 páginas. Ótimo para fichamentos! Mas não é esse o caso. CANDINHO morava no castelo de um barão. Havia no castelo uma moça formosa, de nome Conegundes, irmã do Barão. No castelo ainda morava uma espécie de conselheiro, chamado Pangloss, que ensinava as pessoas que lá viviam que tudo era bom, tudo era ótimo, blá blá blá, whiskas sachê.

Mas aí Cunegundes resolveu dar uns pegas em Candinho e a situação se deteriorou. Pego NO FLAGRA pelo barão, foi expulso do castelo a pontapés e sua vida ITINERANTE começou.

Sabe aquele rapaz, aquele da bíblia, que só queria fazer o bem, que todo mundo se amasse, cheio de boas intenções e que só se fodeu por causa disso? Pois esse é um ótimo paralelo com Candinho. Exceto que o rapaz da bíblia ressuscitou, enquanto Cândido continuou sofrendo.


Um resumo dos INSUCESSOS de Candinho: perdeu a mulher amada; foi recrutado a força e espancado dentro do exército; pediu esmolas nas ruas; passou por um naufrágio e um terremoto; foi açoitado pela igreja... CHEGA!

O livro não se trata apenas das coisas ruins que se sucederam a Cândido.

Trata-se também das coisas ruins que se sucederam a sua mulher amada (Cunegundes), ao conselheiro (Pangloss), a empregada de Cunegundes (A Velha), ao irmão de Cunegundes (O Barão)... (as reticências é porque há mais gente). Cada um contando uma história mais triste que a outra. Como se fosse uma competição de quem sofreu as piores mazelas da vida.

Mas e aí? QUEM GANHOU? Ninguém. É uma série de insucessos!

O que mais chama atenção de quem lê (bem, chamou a minha) é comparar o Cândido do começo do livro com o Cândido do final. Pra saber se houve uma transformação, para saber se a maneira de encarar o mundo foi modificado.

Mas pra saber de TUDO que ocorreu com Cândido, só lendo. O livro pode ser baixado no site do Domínio Público. Vai lá!


P.S.: Cândido talvez só perca em tristezas para os IRMÃOS BAUDELAIRE, mas isso é assunto para outro post.