Dias Comuns

qualquer coisa aleatória que passa na cabeça

10 de agosto de 2012

O Artista (The Artist)

O Artista é igual a um filme antigo: preto-e-branco e mudo. Há os créditos logo no inicio, legendas na tela para mostrar a fala dos personagens, orquestra dentro da sala do cinema funcionando como trilha sonora dos acontecimentos presentes na tela, as pessoas indo assistir os filmes todas de terno, etc.


A história se passa em 1927 e é sobre um ator de filmes mudos. É o verdadeiro esteriótipo do GALÃ: bem vestido, alto, sempre sorridente, acolhedor com os fãs e, claro, famoso. Sabe dançar e usa e abusa das expressões faciais. O produtor de seus filmes sempre cede aos seus caprichos (deixando o cachorro de estimação entrar no palco de uma apresentação ou acatando a ideia de por uma atriz inexperiente em um filme).

Com o desenvolvimento da tecnologia, em 1929 os filmes passam a ter audio. O ator, George, orgulhoso pelas suas façanhas, não acredita que filmes falados vão fazer sucesso. Por isso, insiste nos filmes mudos. Só que ele vai na contramão do que as empresas pensam e acaba tendo as verbas para seus filmes cortadas.


Começa a decadência.

Por outro lado, uma jovem atriz, Peppy Miller, que contracenou em um dos filmes de George, começa a fazer sucesso no cinema falado. Enquanto George entra em crise, tentando fazer um filme mudo no auge (para época) do cinema falado e falhando miseravelmente, perdendo assim todo seu dinheiro (1929, durante o crack da bolsa de valores de Nova Iorque), Peppy Miller entra numa ascensão meteórica. De figurante dos filmes de George, torna-se uma estrela.


A relação entre os dois é meio de tietagem. Peppy vê George como um grande ídolo que não soube tomar as decisões corretas. Então ela passa a ajudá-lo. E é basicamente isso o filme: o auge e a decadência de George e a subida ao estrelato por Peppy. Um aprendendo com o outro.

Destaque para o cachorro de George. É o personagem mais carismático do filme. Obedece a todos os comandos do dono!


O Artista é um filme interessante, mas não acho que devia ter vencido o oscar. Percebo que rolou uma certa auto homenagem, metalinguismo mesmo, Hollywood falando sobre Hollywood. A história é até interessante, mostrando tanto a mudança de paradigmas do cinema, com a inclusão do audio, como também a questão do ator que fica fora dos holofotes e os problemas decorrentes (no caso de George, cair no alcoolismo). Percebo também que Peppy é um tipo de stalker: ela seguia todos os passos de George, até quando o mesmo caiu no ostracismo. Tinha a melhor das intenções, mas como George poderia saber disso? A cena que ela compra todas as peças dele e esconde num porão me lembrou muito a cena da Bela e a Fera, quando a Bela encontra a rosa encantada naquele quarto onde os móveis estão todos cobertos.

Eu não assistiria de novo, mas não recrimino se você assistir uma vez. Acho que The Help deveria ter vencido fácil esse Oscar de melhor filme em 2012.

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