6 de novembro de 2012

Obsolescência programada e eu


Dia desses li um ótimo texto de AUTOCRÍTICA feito pelo "Kid" (o Izzy Nobre do Hoje é um bom dia) no qual o mesmo falava sobre seu vicio em tecnologia. Em especial, os aparelhos novos da Apple (iPhone, iPad, iQualquercoisa). Ele disse que não consegue deixar de comprar os novos aparelhos, mesmo que apenas poucas funções sejam acrescentadas numa versão mais nova.
Eu seria muito mais feliz se me contentasse em usar o mesmo celular por mais de um ano, ou não precisasse acumular tantos aparelhos eletrônicos sempre que eles são lançados (...) Acho que eu deveria começar a praticar origami ou alguma coisa assim, porque dar 500-600 dólares pra Apple de 6 em 6 meses tá foda.
Dias depois vi um artigo na Wired explicando porque ainda é possível vender o iPad 1 (sem câmeras, sistema operacional antigo e processador mais LERDO, por exemplo) por 250 dólares. Um valor considerado alto, mesmo o aparelho sendo usado e estando a três gerações "defasado". Lembrando que o aparelho custava 499 dólares em 2010.

O artigo dizia que muitas pessoas não estavam atrás de todas aquelas funções MÁGICAS, mas apenas queriam acessar a internet. E em comparação a um notebook/netbook, um tablet é mais prático de se levar.  Como se o iPad substituísse esses aparelhos.
“We are shocked at how well the iPad has held its value thus far,” says Nicholas Fiorentino, CEO of Totem, a San Diego company that resells mobile devices to business users. His company is still doing a brisk original iPad business. “There are a lot of people who don’t need all the bells and whistles that the iPad 2 and iPad 3 have,” he says.

Corporate users have often written custom software for the large-screened iPads, and that makes the iPad mini a non-starter for many in the corporate world, Fiorentino says. “A lot of them don’t need a front-facing camera or a Retina Display,” he says of his iPad 1 buyers. “All of them just need a mobile screen.”
E então me lembro de um termo que ouvi por aí chamado "Obsolescência programada". Vamos a definição da Wikipédia.
Obsolescência programada é o nome dado à vida curta de um bem ou produto projetado de forma que sua durabilidade ou funcionamento se dê apenas por um período reduzido. A obsolescência programada faz parte de um fenômeno industrial e mercadológico surgido nos países capitalistas nas décadas de 1930 e 1940 conhecido como "descartalização". Faz parte de uma estratégia de mercado que visa garantir um consumo constante através da insatisfação, de forma que os produtos que satisfazem as necessidades daqueles que os compram parem de funcionar ou tornem-se obsoletos em um curto espaço de tempo, tendo que ser obrigatoriamente substituídos de tempos em tempos por mais modernos.

A obsolescência programada foi criada, na década de 1920, pelo então presidente da General Motors Alfred Sloan. Ele buscou atrair os consumidores a trocar de carro frequentemente, tendo como apelo a mudança anual de modelos e acessórios. Bill Gates, fundador da Microsoft, também adotou esta estratégia de negócio nas atualizações do Windows.
Repare que o verbete fala em obrigatoriedade, mas o que EU mais observo é a compulsão por querer algo mais recente, seja pelas funções do aparelho (já que o antigo é "defasado"), seja pelo status que isso proporciona no seu meio social.


Associei isso tudo a minha vida. Recentemente adquiri o iPad 1 por módicos R$400 (usado), mais barato que os 250 dólares sugeridos pela Wired. E estou bastante satisfeito com ele. Penso em atualizar quando o meu cair e quebrar. O mesmo posso dizer da minha câmera digital, uma Sony Cybershot DSCW5. Comprei ela em 2005, não cai no mito do megapixel, e só penso em adquirir uma nova quando esta partir dessa pra melhor. A TV (uma Samsung de resolução 1366x768), que uso como monitor, foi adquirida em 2007 e existe até hoje.

Claro que isso se deve a minha situação financeira, né? Se eu tivesse dinheiro sobrando, possivelmente iria me interessar por aparelhos mais novos. Por outro lado, sempre fui bastante econômico, então eu iria pensar muito e comparar demais os produtos antes de adquirir efetivamente comprar.

Outro ponto que deve ser observado é que, geralmente, aparelhos mais novos são mais econômicos (uma geladeira mais nova consome menos energia que uma antiga, por exemplo). E se você for uma pessoa descuidada, o dinheiro que gastaria na manutenção de um produto (um computador, por exemplo), poderia ser revertido em um upgrade ou a compra de um novo. 

Não sou uma pessoa consumista.
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