Dias Comuns

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5 de fevereiro de 2013

A Revolução dos Bichos



George Orwell tem dois livros famosos: 1984, aquele do BIG BROTHER e Revolução dos Bichos. Ambos são ficções que retratam, sutilmente, as injustiças sociais de sua época. Leia a biografia do rapaz!

Vamos ao livro.


Uma granja  de animais mal administradas por um certo Sr. Jones é local de uma revolução. Não por parte dos trabalhadores, mas sim pelos bichos. Insatisfeitos com as condições precárias, os animais se reúnem  sob a TUTELA do Major (um porco) e ouvem do mesmo um discurso, seguido de um relato do sonho que o mesmo teve noite passada sobre como seria o mundo sem os humanos.
"A vida do animal é feita de miséria  e escravidão: essa é a verdade nua e crua [...] O homem é a única criatura que consome sem produzir [...] O homem é o nosso verdadeiro e único inimigo [...] O homem não busca interesses que não os dele próprio"
Os acontecimentos posteriores, como a morte do Major (que já estava velhinho), levaram os animais a questionarem-se quando ocorreria a tal revolução. Duas lideranças surgiram dentre a espécie animal mais inteligente (os porcos): Bola-de-neve e Napoleão. Ambos foram responsáveis pela EXPURGO dos humanos da fazenda (logo no capitulo 2, que cedo!), mas se achávamos que as coisas correriam perfeitamente bem... Seria um conto de fadas! E este livro não o é. Nem de longe.


Um dos primeiros sentimentos neste livro é a PENA. Pena pela INGENUIDADE dos outros animais. Depois vem a ANGUSTIA, com o desenrolar dos acontecimentos. Por fim veio o MEDO de que a situação se repita. Não vou estragar as surpresas, pois o livro é bem curtinho (a edição que li não chega a 100 páginas).

Me aterei a pequenos comentários sobre as figuras e cenários do livro, porque é complicado falar sobre a história do livro sem estragar as surpresas.

- A montanha de açúcar-cande (Sugarcandy Mountain no original) era o local idílico mencionado pelo corvo Moisés. "os sete dias da semana eram domingos, o ano inteiro era época de trevo, e as sebes davam torrões de açúcar e bolinhos de linhaça".  O céu dos animais. É um pensamento de vida após a morte, mostrando que os animais possuíam fé (de certo modo).
"Suas vidas atualmente eram de fome e de trabalho, raciocinavam; não seria justo que lhes estivesse reservado um mundo melhor, mais além?"
- O animalismo era a organização dos ensinamentos do Major num sistema de pensamentos. Nesse estilo de vida, havia preceitos que deviam ser seguidos. São chamados os sete mandamentos.
Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo.
O que ande sobre quatro pernas, ou tenha asas, é amigo.
Nenhum animal usará roupa
Nenhum animal dormirá em cama
Nenhum animal beberá álcool
Nenhum animal matará outro animal
Todos os animais são iguais
Todos estes mandamentos foram sendo subvertidos, cedo ou tarde, por aqueles que estavam no poder, de modo a se encaixar nas suas novas expectativas. Os sete mandamentos foram condensados, posteriormente, em um único: "quatro pernas bom, duas pernas ruim".


- Surgiram datas comemorativas após a revolução: 12 de outubro era conhecido como a Batalha do Estábulo e 24 de junho o Aniversario da Rebelião. As datas foram criadas para os animais se orgulharem. Posteriormente outra data foi incluída após a subversão do sistema.

- Benjamin, o burro, por causa do seus pessimismo e pragmatismo, me lembrou muito Marvin, do Guia do Mochileiro das Galáxias (na verdade Marvin que lembra Benjamin, mas como li antes o Guia, então...).
"Moinho ou não moinho, dizia ele, a vida seguiria como sempre - ou seja, mal".

- Dizer que ser líder é um fardo pra justificar os benefícios. Reviver antigos temores para evitar motins e opiniões desfavoráveis. O discurso abaixo foi feito por Garganta (um porco), uma espécie de orador e relações públicas do novo "governo". Sua principal atividade era fazer crer que os outros animais (e não os porcos) sofriam de graves problemas de lapsos de memória. (Semelhante ao livro 1984 onde a historia era recontada a medida que as alianças se modificavam).
"Camaradas - disse - tenho certeza de cada animal compreende que o Camarada Napoleão faz, ao tomar sobre seus ombros mais esse trabalho. Não penseis, camaradas, que a liderança seja um prazer. Pelo contrario, é uma enorme e pesada responsabilidade. Ninguém mais que o Camarada Napoleão crê firmemente que todos os bichos são iguais. Feliz ele se pudesse deixar-vos tomar decisões por vossa própria vontade; mas, as vezes, poderíeis tomar decisões erradas, camaradas; então, aonde iríamos parar? Suponhamos que tivésseis decidido seguir bola-de-neve com suas miragens de moinho de vento - logo bola-de-neve, que, como hoje sabemos, não passava de um criminoso?"
A Revolução dos Bichos é um ótimo livro, mas também é um alerta de como o poder seduz as pessoas, que usam de todos os artifícios para mantê-lo. Recomendo! (Quem tiver Skoob, me adiciona!)

Para quem tem preguiça de ler, abaixo o filme completo no YouTube.

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