Dias Comuns

qualquer coisa aleatória que passa na cabeça

3 de fevereiro de 2013

Deixa ela entrar (Låt den rätte komma in)

Essa não é uma história sobre vampiros, mas sim sobre amizade. Que, por acaso, tem uma vampira no meio.


A história acontece nos subúrbios de Estocolmo, capital sueca. O garotinho loiro da imagem acima chama-se Oskar e é bastante BULINADO no colégio. Criançada bate nele, rouba seu dinheiro, faz chacota... só sofrimento!

Certa noite, Oskar tá brincando sozinho quando vê uma garota. Conversa vai, conversa vem, descobre-se que o nome dela é Eli. A cena abaixo foi dita após eles se despedirem.


E por que ela não pode? Porque, como já falei lá em cima, ela é uma vampira. Não quer correr o risco de cair em tentação e morder as pessoas.

A sutileza da história é tremenda. A menina é uma vampira e, assim como os vampiros "clássicos", tem todos os prós e contras. O filme não é dar medo ou fazer susto. É drama, somente. Não tem CREPUSCULISMO, não tem gente afetada, não tem romance: trata apenas da amizade entre uma criança de doze anos e uma criatura poderosa com SEI LÁ quantos anos de vida, mas com aparência infantil.

Oskar oferecerá o contato e a efemeridade humana, enquanto Eli mostrará a Oskar como reagir a cada situação, como cuidar de si mesmo e ser mais autoconfiante. Igual a uma amizade normal, né? Cada um tem algo a proporcionar.


Apesar da história ser sobre o garoto, não tem como deixar de falar como os vampiros (ou A vampira) foram abordados no filme. Destaquei alguns pontos:

- Vampiros precisam de sangue. Humano, de preferência. Nada de cabritinhas, bolsas de sangue de hospital ou qualquer outro paliativo sintético.
- O sol mata. Não apenas queima, mas faz a criatura EVAPORAR. Ninguém brilha no sol ou possui anéis mágicos que permitem caminhar a luz do dia.
- Os gatos percebem os vampiros como predadores e sentem medo dos mesmos.
- Um humano mordido por um vampiro, se não for morto em seguida, se tornará um vampiro.
- E o lance mais legal, que creio ter sido inventado para essa história: em filmes com vampiros, eles não podem entrar na residência de outra pessoa sem um convite. É como se houvesse uma parede invisível que os impede de entrar. Nesse filme não há essa parede invísível, os vampiros podem entrar sim na casa, mas há uma consequência: a pele deles descasca, começa sair sangue, uma coisa dolorida de se ver.


Por fim, mais um ponto curioso: de onde vem a fortuna dos vampiros em geral? A casa de Eli é destituída de quase tudo: não tem TV, geladeira, forno, nada dessas coisas HUMANAS. Possui apenas uma mesinha com vários objetos, essa da imagem acima. Aparentemente os vampiros colecionam coisas valiosas para, quando necessitarem, venderem. O ovo que ela cita, creio eu, é o Ovo Fabergé:
"Num total de nove Ovos e mais cerca de 180 outras peças feitas por Fabergé, a coleção foi colocada em leilão na Sotheby's em fevereiro de 2004 pelos herdeiros de Forbes. Antes mesmo início do leilão, toda a coleçao foi comprada pelo magnata e oligarca russo da era pós-soviético de nome Victor Vekselberg por uma soma da ordem de 90 a 120 milhões de dólares"
Não sei se daria para comprar uma usina nuclear, mas ninguém ia morrer de fome com um OVO!

Eu inclui Deixa ela entrar (Låt den rätte komma in) na lista dos melhores filmes que já assisti. Já sabe, né? Recomendo! E nem precisa gostar de vampiros. A história vale a pena.
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