Dias Comuns

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8 de março de 2013

Independência ou Mortos

Tenho muito orgulho, como historiador, em ver que publicações como essas começam a fazer sucesso no Brasil, trazendo o interesse dos leigos que querem conhecer um pouco mais sobre a nossa história, mesmo que seja através de uma história de ficção!


"Independência ou Mortos" é uma publicação do selo Nerd Books proveniente do site Jovem Nerd. Escrito por Abu Fobiya e ilustrado por Harald Stricker, a história da independência do Brasil é recontada de uma maneira nada SINGELA: com ZUMBIS.

Quando D. João VI foge de Portugal em direção ao Brasil, não podia imaginar que em sua embarcação surgiria uma doença que traria os mortos de volta a vida. E quem é responsável por isso? Sua mamãezinha, Dona Maria, A LOUCA!

Mesmo com essa INESPERADA situação, sua comitiva aporta em terras brasileiras. Com a mamãezinha. Você já deve saber o que está por vir, né? De algum modo, outras pessoas são infectadas e começa a luta pela independência.

Essa não é a história de D. João VI, mas sim a de Pedrinho D. Pedro I, o responsável por ter que lidar com as TOLICES que seu pai provocou.


A graphic novel tem 160 páginas, capa dura e dá gosto de tocar as páginas internas (elas tem aquele "cheirinho de novo", sabe? Os personagens são bem elaborados e até as ESTRIPULIAS ROMÂNTICAS de D. Pedro I são exibidas. Claro que há omissões de algumas figuras históricas, mas isso serve para manter o ritmo constante da obra (que, lembre-se, é uma FICÇÃO!)

Após o fim da história, os autores se pronunciam a respeito do livro, explicando como foi elaborado o projeto da história em quadrinho e as escolhas que tiveram que tomar.

Agora uma reflexão.

Como falei no inicio do post, gosto muito dessas remontagens. Mantem alguns fatos reais e adicionam elementos da ficção. Tenho esse posicionamento que isso gera INTERESSE pela história real. Quem tem um mínimo de consciência critica quando vê "história baseado em fatos reais" deve se perguntar duas coisas: será que a realidade retratada no filme é assim mesmo? Os personagens na tela condizem com a realidade (verossimilhança)?

A primeira coisa que pensei quando IGOR me emprestou o livro foi que, na mesma época, estava nos cinemas o filme Abraham Lincoln - Caçador de Vampiros. Um cara que, dada as devidas diferenças, tem uma representatividade semelhante pros EUA que D. Pedro I tem para o Brasil. Esse nosso complexo de vira-lata faz com que vejamos a Mafia Italiana no período da lei seca EUA, Samurais no Japão, Cavaleiros Templários na Europa como MODELOS/ÍCONES (e eles não o são! muito menos heróis!), mas quando voltamos os olhos leigos para nossa realidade não encontramos nada. Será mesmo? Ou é apenas desconhecimento de nossa parte?

(É desconhecimento!!! Ainda farei uma história distópica sobre A CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR ter dado certo.)

Dizem muito, os vira-latas, que no Brasil não há "heróis" (repito: isso não existe) porque nunca houve briga pela independência. Olha, mesmo que isso fosse verdade (e não é!) pra mim isso é um mérito  não um demérito. Alcançar o objetivo sem derramamento de sangue é uma proeza. Lembre-se que na historia "real" do Brasil, antes, durante e depois do processo de independência, houve vários movimentos separatistas ou revoltosos contra a COROA. Confederação do equador, Revolta Praieira, Sabinada, Balaiada... não estou julgando os méritos, mas sim expondo, pra quem ignora isso, que houve luta armada por aqui. Quase todas reprimidas.

Bom, pelo menos o cenário (literário, até agora) está mudando. O mesmo selo tem outra história publicada chamada Branca dos Mortos e os 7 Zumbis (zumbis de novo! alguém tem uma tara por isso...) e livros clássicos da literatura brasileira estão sendo recontados:  "Dom Casmurro e os Discos Voadores", "Escrava Isaura e o Vampiro", "Memórias Desmortas de Brás Cubas", "Senhora, A Bruxa", "O Alienista Caçador de Mutantes".


Obrigado por ter me emprestado o livro, Igor!
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