Dias Comuns

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9 de julho de 2017

CHATELET, Francois et alli (Org.). Dicionário de obras políticas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileirao, 1993.

François Chatelet, em seu “Dicionário de obras políticas”, trata da importância da obra “A República” do filosofo Platão nos tempos atuais, mostrando que mesmo tendo sido escrito há tantos séculos, ainda suscita discussões. Uma das questões que Chatelet levanta no texto é até que ponto o livro é considerado uma “obra política”.
“A República” terminou de ser escrita quando Platão já tinha passado por experiências na vida que contribuíram na formação de sua obra.
A biografia de Platão também é relatada no texto de François. Mostra-se seus sonhos em seguir carreira política, sua decepção com os governantes de Atenas, a criação da Academia como forma de aguçar seu intelecto através do debate com outros integrantes, além de servir como local de ensino e pesquisa.
A grande questão que Chatelet propõe é se a política está no centro ou na periferia dos diálogos de A República; além disso, Chatelet quer observar a estrutura do documento.
Para procurar a “justiça na cidade”, necessita-se de duas teorias: uma é baseada na gênese da cidade, sabendo os anseios dos homens; a outra é a das diversas formas de cidades “injustas”.
A cidade tida como “acabada” possui três classes: produtores econômicos, auxiliares armados e governantes-guardiães. Essa divisão de classes não ameaça a unidade da cidade, mas sim a assegura. Correspondente a estas classes,há três partes da alma da qual a Psicologia trata: o racional o irascível e a desejosa.
A cidade que Platão idealizou era utópica, apesar deste conceito só passar a existir tempos depois. Segundo Cícero, a cidade de “A República” era algo “mais para ser desejada do que esperada”.
Por fim, “A República” influenciou mais o pensamento político do que as ações políticas. Não se conhecem muitos governantes que tenham se referido a obra de Platão como “guia” para a gestão.

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