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9 de julho de 2017

Possíveis vestígios da colonização européia na capitania do Rio Grande


Introdução

O objetivo deste trabalho é demonstrar as probabilidades de encontrarem-se vestígios da colonização européia na capitania do Rio Grande, mais precisamente na região onde é hoje Ceará-Mirim. Para isso serão considerados fatores geológicos (no que diz respeito ao local desbravado), antropológicos (no que diz respeito aos costumes e hábitos dos europeus), econômicos e políticos (no que diz respeito ao que o estado maior visava com a colonização).

Possíveis vestígios da colonização européia na capitania do Rio Grande

Para sugerir hipóteses de prováveis locais onde se possam encontrar vestígios arqueológicos da passagem dos europeus pelas terras da capitania do Rio Grande é necessário certo conhecimento em cartografia, pois é através das leituras dos mapas da capitania (seja hidrográfico, topográfico, geográfico, etc) que poderemos formular possibilidades e probabilidades do que poderemos encontrar e onde encontrar. Além da cartografia, temos que recorrer a documentos de época que mencionem a produção alimentar, para contribuir na tarefa de agrupar argumentos que sejam criveis para as hipóteses sugeridas, e também a bibliografia produzida sobre a história do estado do Rio Grande do Norte, para embasar, ou não, estas mesmas conjecturas.
Partindo destes princípios, temos que fazer perguntas cabíveis ao contexto da época: o que é necessário para colonizar um local? Homens. Portugal, contudo, era um país pequeno e poucos estavam dispostos a vir aventurar-se numa terra desconhecida. Mas vieram. Ao chegar, deparam-se com nativos. Como proceder? Havia duas opções: ou enfrentar conflitos constantes para exterminar os índios da região ou promover a miscigenação entre o europeu e os índios. Por, já citado, não possuírem um contingente grande de pessoas no inicio da colonização, a segunda opção torna-se coerente. Assim, a miscigenação gerou descendentes que se encarregariam naturalmente de ir ocupando o território da capitania.  
Resolvido o problema populacional, partimos para a questão da sobrevivência. O que é necessário para se estabelecer em uma região? Água e Alimento. A água não podia ser qualquer uma, tinha que ser potável. Desta forma, excluímos locais perto do Mar e nos focamos em espaços que tenham água potável em abundância. Neste caso, os rios e seus leitos. (O Forte dos Reis Magos era um local, como o nome já diz, um ponto fortificação militar. E ficava apenas a 2km do que era a cidade do Natal).
Sabendo que água potável era encontrada nos rios, podemos perceber que a região onde se localiza hoje o município de Ceará-Mirim possui este pré-requisito.
Os rios Ceará-Mirim e Guamoré serviam tanto para o abastecimento de água da região, sendo este último também responsável pelo escoamento da produção de Pau-Brasi no tempo da capitania. Além disso, os rios serviam como fonte de alimentação, graças ao que se podia extrair dos rios, como peixes, por exemplo.
A região possui terras férteis, próprias para as lavouras, gerando mais uma fonte de alimentação. Tanto a pecuária como a produção de cana-de-açúcar nos engenhos servia como fatores que agregaram habitantes em seu entorno, fazendo com que a cidade pudesse crescer e desenvolver-se.
Além do Engenho Velho como local com potencial arqueológico, podemos citar também a construção de uma igreja pelos Jesuítas, na aldeia do Guajiru (o período compreendido sob a influencia jesuíta foi entre 1603 a 1759). A partir desta igreja, construiu-se também um edifício para a câmara municipal e um outro para cadeia.
A região de Ceará-Mirim estava na faixa litorânea que era onde o povoamento se acentuava. Era uma das rotas na qual os europeus, vindo do sul, tentavam avançar em direção ao norte. Sendo assim, pode-se inferir que que ataques holandeses e franceses a costa possam ter deixado algum vestígio militar da época.
Conclusão

Ceará-Mirim possui diversos elementos que dão margem a possíveis descobertas de vestígios arqueológicos durante a colonização européia. Possuía população, edifícios, estava nas rotas de expansão, tinha terras férteis e água potável.
Contudo, a região do Vale do Ceará-Mirim, por ser facilmente alegável, não é possível dizer ao certo se os vestígios podem ser encontrados.
Anexos:
Foto do que ainda resta da Igreja de Guajiru, atualmente localizada em Extremoz.  Por Maxwell Oliveira

Foto panorâmica do Engenho Velho, em Ceará-Mirim Por Wellington Lima

Bibliografia:

SILVA, M. ; CAVENAGHI, A. J. ; ARRAIS, R. . Atlas Histórico do Rio Grande do Norte. 2006. Publicado no jornal Diário de Natal.


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