terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

A Revolução dos Bichos



George Orwell tem dois livros famosos: 1984, aquele do BIG BROTHER e Revolução dos Bichos. Ambos são ficções que retratam, sutilmente, as injustiças sociais de sua época. Leia a biografia do rapaz!

Vamos ao livro.


Uma granja  de animais mal administradas por um certo Sr. Jones é local de uma revolução. Não por parte dos trabalhadores, mas sim pelos bichos. Insatisfeitos com as condições precárias, os animais se reúnem  sob a TUTELA do Major (um porco) e ouvem do mesmo um discurso, seguido de um relato do sonho que o mesmo teve noite passada sobre como seria o mundo sem os humanos.
"A vida do animal é feita de miséria  e escravidão: essa é a verdade nua e crua [...] O homem é a única criatura que consome sem produzir [...] O homem é o nosso verdadeiro e único inimigo [...] O homem não busca interesses que não os dele próprio"
Os acontecimentos posteriores, como a morte do Major (que já estava velhinho), levaram os animais a questionarem-se quando ocorreria a tal revolução. Duas lideranças surgiram dentre a espécie animal mais inteligente (os porcos): Bola-de-neve e Napoleão. Ambos foram responsáveis pela EXPURGO dos humanos da fazenda (logo no capitulo 2, que cedo!), mas se achávamos que as coisas correriam perfeitamente bem... Seria um conto de fadas! E este livro não o é. Nem de longe.


Um dos primeiros sentimentos neste livro é a PENA. Pena pela INGENUIDADE dos outros animais. Depois vem a ANGUSTIA, com o desenrolar dos acontecimentos. Por fim veio o MEDO de que a situação se repita. Não vou estragar as surpresas, pois o livro é bem curtinho (a edição que li não chega a 100 páginas).

Me aterei a pequenos comentários sobre as figuras e cenários do livro, porque é complicado falar sobre a história do livro sem estragar as surpresas.

- A montanha de açúcar-cande (Sugarcandy Mountain no original) era o local idílico mencionado pelo corvo Moisés. "os sete dias da semana eram domingos, o ano inteiro era época de trevo, e as sebes davam torrões de açúcar e bolinhos de linhaça".  O céu dos animais. É um pensamento de vida após a morte, mostrando que os animais possuíam fé (de certo modo).
"Suas vidas atualmente eram de fome e de trabalho, raciocinavam; não seria justo que lhes estivesse reservado um mundo melhor, mais além?"
- O animalismo era a organização dos ensinamentos do Major num sistema de pensamentos. Nesse estilo de vida, havia preceitos que deviam ser seguidos. São chamados os sete mandamentos.
Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo.
O que ande sobre quatro pernas, ou tenha asas, é amigo.
Nenhum animal usará roupa
Nenhum animal dormirá em cama
Nenhum animal beberá álcool
Nenhum animal matará outro animal
Todos os animais são iguais
Todos estes mandamentos foram sendo subvertidos, cedo ou tarde, por aqueles que estavam no poder, de modo a se encaixar nas suas novas expectativas. Os sete mandamentos foram condensados, posteriormente, em um único: "quatro pernas bom, duas pernas ruim".


- Surgiram datas comemorativas após a revolução: 12 de outubro era conhecido como a Batalha do Estábulo e 24 de junho o Aniversario da Rebelião. As datas foram criadas para os animais se orgulharem. Posteriormente outra data foi incluída após a subversão do sistema.

- Benjamin, o burro, por causa do seus pessimismo e pragmatismo, me lembrou muito Marvin, do Guia do Mochileiro das Galáxias (na verdade Marvin que lembra Benjamin, mas como li antes o Guia, então...).
"Moinho ou não moinho, dizia ele, a vida seguiria como sempre - ou seja, mal".

- Dizer que ser líder é um fardo pra justificar os benefícios. Reviver antigos temores para evitar motins e opiniões desfavoráveis. O discurso abaixo foi feito por Garganta (um porco), uma espécie de orador e relações públicas do novo "governo". Sua principal atividade era fazer crer que os outros animais (e não os porcos) sofriam de graves problemas de lapsos de memória. (Semelhante ao livro 1984 onde a historia era recontada a medida que as alianças se modificavam).
"Camaradas - disse - tenho certeza de cada animal compreende que o Camarada Napoleão faz, ao tomar sobre seus ombros mais esse trabalho. Não penseis, camaradas, que a liderança seja um prazer. Pelo contrario, é uma enorme e pesada responsabilidade. Ninguém mais que o Camarada Napoleão crê firmemente que todos os bichos são iguais. Feliz ele se pudesse deixar-vos tomar decisões por vossa própria vontade; mas, as vezes, poderíeis tomar decisões erradas, camaradas; então, aonde iríamos parar? Suponhamos que tivésseis decidido seguir bola-de-neve com suas miragens de moinho de vento - logo bola-de-neve, que, como hoje sabemos, não passava de um criminoso?"
A Revolução dos Bichos é um ótimo livro, mas também é um alerta de como o poder seduz as pessoas, que usam de todos os artifícios para mantê-lo. Recomendo! (Quem tiver Skoob, me adiciona!)

Para quem tem preguiça de ler, abaixo o filme completo no YouTube.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Deixa ela entrar (Låt den rätte komma in)

Essa não é uma história sobre vampiros, mas sim sobre amizade. Que, por acaso, tem uma vampira no meio.


A história acontece nos subúrbios de Estocolmo, capital sueca. O garotinho loiro da imagem acima chama-se Oskar e é bastante BULINADO no colégio. Criançada bate nele, rouba seu dinheiro, faz chacota... só sofrimento!

Certa noite, Oskar tá brincando sozinho quando vê uma garota. Conversa vai, conversa vem, descobre-se que o nome dela é Eli. A cena abaixo foi dita após eles se despedirem.


E por que ela não pode? Porque, como já falei lá em cima, ela é uma vampira. Não quer correr o risco de cair em tentação e morder as pessoas.

A sutileza da história é tremenda. A menina é uma vampira e, assim como os vampiros "clássicos", tem todos os prós e contras. O filme não é dar medo ou fazer susto. É drama, somente. Não tem CREPUSCULISMO, não tem gente afetada, não tem romance: trata apenas da amizade entre uma criança de doze anos e uma criatura poderosa com SEI LÁ quantos anos de vida, mas com aparência infantil.

Oskar oferecerá o contato e a efemeridade humana, enquanto Eli mostrará a Oskar como reagir a cada situação, como cuidar de si mesmo e ser mais autoconfiante. Igual a uma amizade normal, né? Cada um tem algo a proporcionar.


Apesar da história ser sobre o garoto, não tem como deixar de falar como os vampiros (ou A vampira) foram abordados no filme. Destaquei alguns pontos:

- Vampiros precisam de sangue. Humano, de preferência. Nada de cabritinhas, bolsas de sangue de hospital ou qualquer outro paliativo sintético.
- O sol mata. Não apenas queima, mas faz a criatura EVAPORAR. Ninguém brilha no sol ou possui anéis mágicos que permitem caminhar a luz do dia.
- Os gatos percebem os vampiros como predadores e sentem medo dos mesmos.
- Um humano mordido por um vampiro, se não for morto em seguida, se tornará um vampiro.
- E o lance mais legal, que creio ter sido inventado para essa história: em filmes com vampiros, eles não podem entrar na residência de outra pessoa sem um convite. É como se houvesse uma parede invisível que os impede de entrar. Nesse filme não há essa parede invísível, os vampiros podem entrar sim na casa, mas há uma consequência: a pele deles descasca, começa sair sangue, uma coisa dolorida de se ver.


Por fim, mais um ponto curioso: de onde vem a fortuna dos vampiros em geral? A casa de Eli é destituída de quase tudo: não tem TV, geladeira, forno, nada dessas coisas HUMANAS. Possui apenas uma mesinha com vários objetos, essa da imagem acima. Aparentemente os vampiros colecionam coisas valiosas para, quando necessitarem, venderem. O ovo que ela cita, creio eu, é o Ovo Fabergé:
"Num total de nove Ovos e mais cerca de 180 outras peças feitas por Fabergé, a coleção foi colocada em leilão na Sotheby's em fevereiro de 2004 pelos herdeiros de Forbes. Antes mesmo início do leilão, toda a coleçao foi comprada pelo magnata e oligarca russo da era pós-soviético de nome Victor Vekselberg por uma soma da ordem de 90 a 120 milhões de dólares"
Não sei se daria para comprar uma usina nuclear, mas ninguém ia morrer de fome com um OVO!

Eu inclui Deixa ela entrar (Låt den rätte komma in) na lista dos melhores filmes que já assisti. Já sabe, né? Recomendo! E nem precisa gostar de vampiros. A história vale a pena.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Baccano!

Pela abertura de Baccano! (que em italiano significa "barulho", "estrondo" ou "ruído"), já dá para ter uma noção de como a história possui várias nuances.


Ela, a abertura, cuja música chama-se Guns N' Roses, feita pela banda Paradise Lunch (não confundir com a banda!), nos apresenta 17 personagens. São vários núcleos: temos o casal Isaac e Miria (o casal mais divertido dos animes), os mafiosos Mazia e Firo, os irmãos Eve e Dallas Genoard... são muitas pequenas histórias sendo contadas, então cuidado para não se perder!


Aparentemente não há nenhuma ligação entre todos esses núcleos só que, ao longo dos 13 episódios, descobrimos que não é bem assim!

A história do anime move-se entre o tempo e o espaço. Por vezes mostra a California (EUA) durante o período da lei seca na década de 1930, enquanto em outros momentos a história recai sobre o Advenna Avis, um navio do ano de 1711. Ainda há o misterioso trem transcontinental Flying Pussyfoot. Eventos aparentemente desconexos, mas...


É trabalhando com esses cenários que os pontos vão sendo ligados e todos aqueles personagens da abertura vão se conhecendo de alguma forma.

O que mais gostei em Baccano! foi a forma pela qual a história foi contada: cheio de idas e vindas, mostrando acontecimentos do presente e flashbacks do passado, observando um mesmo fato de diferentes perspectivas, contando e recontando a história. Se fosse apresentada do modo habitual, em ordem cronológica  o anime não teria tanta graça, mas a maneira de contar torna cada episódio misterioso e, ao mesmo tempo, elucidativo. Sempre uma surpresa nos aguarda, seja para solucionar um assassinato, seja para descobrir quem é o matador dos trilhos.


Não pulei a abertura, que lembrou-me bastante de Cowboy Bebop, sequer uma vez. Ela é muito animadinha, como você já deve ter percebido no inicio do post! Não só ela, mas toda a trilha sonora de Baccano! é ótima.

Meu único porem em relação a obra é que ela não possui um fim conclusivo. Na época da sua adaptação, a light novel ainda estava sendo escrita (aliás, ainda não foi concluído: o anime é de 2007 e a light novel começou em 2003 e está aí até hoje). O anime possui, sim, um desfecho, mas nem todas as perguntas são respondidas no decorrer da série. O que nos resta é torcer pela continuação da série e/ou googlar para lê-la em inglês mesmo (porque se for depender das editoras brasileiras...).

Ah, explicando. Uma light novel é, a grosso modo, um "livro", onde o autor vai lançando os capítulos aos poucos. Possui imagens, como num mangá, mas isso não é imperativo. Geralmente são curtas, de fácil e rápida leitura. Abaixo um exemplo:


Aqui você pode baixar a OST (Original Sound Track) da série. O anime pode ser encontrado legendado em português do Brasil em torrent na tracker da Mansão dos Animes (MDAN, necessário cadastro).


quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

A trilogia Jogos Vorazes de Suzanne Collins


Para quem ainda está por fora, a história de Jogos Vorazes é, resumidamente, a seguinte: num futuro distópico, após a destruição da América do Norte, uma nova nação surge: Panem. Só que ela não aparece de repente assim. Houve uma guerra civil, conhecida como Dias Escuros, onde 13 distritos batalharam contra a Capital (a cidade central) e acabaram por serem derrotados. O 13º distrito foi OBLITERADO, inclusive. 

Para ressaltar a força da Capital (o nome é em maiúsculo porque é assim que se chama a cidade) e lembrar que os outros distritos são apenas subservientes, foi criado uma competição mortal chamada Jogos Vorazes (The Hunger Games). Transmitida para toda a nação, ela jogará em uma enorme arena duas pessoas de cada distrito (um garoto e uma garota, entre 12 e 18 anos), no qual o tributo (como são chamados os escolhidos) vencedor será o último a permanecer vivo.

Essa é a história de um desses tributos, Katniss Everdeen, uma garota de 16 anos do distrito 12.

Agora que você já conhece a história (superficialmente), destacarei a seguir alguns pontos que achei interessante EM TODA A TRILOGIA. Eu pensei em fazer um post especifico para cada livro, mas demandaria tempo demais, então focarei nos aspectos mais curiosos que consegui perceber. Talvez contenha um ou outro spoiler, mas nada grave.


James Proimos, a quem a autora dedica o livro, é um autor estrangeiro de livros infantis (veja imagem acima). Ele foi a inspiração para Suzanne começar a escrever livros para crianças. Jogos Vorazes é categorizado como um livro de ficção infanto-juvenil. EU ACHO QUE NÃO TEM NADA DISSO, HEIN? (Suzanne tem outros livros, ok?).

Prim (a irmã da protagonista), Buttercup (o gato) e Catnip (apelido de Katniss) são todos nomes de flores. Rosas. Não sei a diferença, mas tem a ver com botânica. Abaixo segue imagens das PLANTAS, na ordem citada acima.




Em relação aos locais: Katniss e família vivem no Distrito 12, na área denominada Costura (a parte mais pobre da cidade). A Campina é o local descampado, cercado por arame e cerca elétrica. O objetivo, segundo a Capital, seria afugentar os animais selvagens, mas isso é só fachada para evitar que as pessoas FUJAM com facilidade do local. A caça é ilegal na região, bem como adentrar a floresta ao redor do distrito. Mesmo assim existe as pessoas, como Katniss, que cometem essas ilegalidades e não são punidas, porque as autoridades do distrito são maleáveis e as provisões alimentícias são escassas. Nada mais gostoso que um animalzinho caçado pela manhã, né? Para isso existe o MERCADO NEGRO, conhecido como Prego.

Percebemos também uma sociedade de classes. O pai era minerador e a mãe era uma espécie de curandeira. Ela veio de uma família rica, enquanto ele era um pobretão. Mesmo assim se casaram (contra a vontade de alguns). Cada distrito é responsável por suprir a Capital com algo. Energia, alimentação, etc. Um dos distritos é especializado em agricultura, outra em pesca, outro fornece material militar (os Pacificadores, como são chamados os policiais dos distritos) e assim por diante. Tudo bastante segmentado para evitar articulações políticas que possam vir a ameaçar a capital.

Tésseras é a moeda usada para trocar por grãos. Os mais pobres inscrevem o nome nos jogos mais vezes para ganhar mais suprimentos.


Como os protestos são proíbidos, a única forma de se manifestar contra a Capital é silenciosamente. Os três dedos significam agradecimento, admiração, adeus a alguém que você ama. Geralmente é visto em enterros.

Tudo dentro (e as vezes fora) da arena dos jogos remete a construção de um personagem pela mídia. As câmeras espalhadas por todo o local. As estratégias desenvolvidas para sobreviver. A forma de se portar em público (nas entrevistas) e dentro dos jogos. A imagem que é necessária transmitir para que as pessoas torçam por você e os patrocinadores te ajudem. O Centro de Transformação para deixar os tributos mais bonitos, identificados com o padrão de beleza da Capital. Tudo é um enorme teatro (exceto as mortes, né?).

O ponto mais interessante do poder da mídia em Jogos Vorazes é a edição do próprio jogo. É pura manipulação! O que é mostrado e o que é omitido é tudo feito para atender a determinados interesses.
"Por que essa gente fala como uma voz tão aguda? Por que suas bocas quase não se abrem quando eles falam? Por que o fim das sentenças sempre tem um tom acentuado, como se estivessem fazendo uma pergunta? Vogais esquisitas, palavras abreviadas, e sempre a letra S sibilando... não é para menos que é impossível deixar de parodiá-los."
Os criminosos, geralmente traidores, são punidos para que não conversem mais. Sua punição? Tem a língua cortada. São chamados de Avox (provavelmente é a junção do "A", para demonstrar negação, e "Vox" vem de voz. Sem voz.).

Escassez e abundância é um dos principais conflitos que ficam a tona. A Capital possui todos os recursos: alimentação, energia, entretenimento, saúde... para os distritos são reservados apenas migalhas disso. Fico imaginando: como serão os outros países? Porque Panem é uma nação, mas e o resto do mundo, o que está ocorrendo lá fora?


Em relação ao conceito de beleza:
“Na Capital, as pessoas fazem cirurgias para parecerem mais jovens e mais magras. No Distrito 12, parecer velho significa mais uma conquista, já que tantas pessoas morrem cedo. Você vê uma pessoa mais velha e deseja logo congratulá-la pela longevidade, sente vontade de perguntar a ela o segredo da sobrevivência. Uma pessoa rechonchuda é invejada porque não está ralando como a maioria de nós. Mas aqui a coisa é diferente. Rugas não são desejáveis. Uma barriga pronunciada não é sinal de sucesso."

A indiferença das pessoas da Capital em relação aos jogos é assustadora. É como se fosse puro entretenimento. Ninguém se preocupa com as pessoas mortas, ninguém reflete sobre o massacre que ocorre anualmente. Só conseguem olhar para o próprio umbigo.
"É engraçado, porque apesar de eles estarem tagarelando sobre os Jogos, só falam sobre onde estavam ou o que estavam fazendo ou o que sentiram quando determinado evento ocorreu. "Eu ainda estava na cama!", "Eu tinha acabado de tingir as sobrancelhas!", "Eu juro que quase desmaiei!". Tudo se refere a eles, não aos jovens que estavam morrendo na arena".
Um dado interessante é que não há herança. Katniss, após ter vencido a primeira edição, muda-se para um local adequado aos campeões, mas caso ela morresse, Prim e sua mãe teriam que voltar para a casa "original".

Para mostrar que o conceito de beleza não é universal, mas sim depende de cada cultura, temos a seguinte afirmação por Katniss:
"Fazer o quê? Aumentar meus lábios como o do Presidente Snow? Tatuar meus seios? Tingir minha pele de magenta e implantar jóias nela? Entalhar padrões decorativos no meu rosto? Dar-me garras curvas? Ou bigodes de gato? Vi todas essas coisas e muito mais nas pessoas na Capital. Será que eles realmente não fazem a menor idéia de como a sua aparência fica monstruosa para outras pessoas?"

 Pra quem não percebeu, Plutarco e Séneca, pessoas que foram responsáveis pela organização dos jogos, são também nomes de filósofos da antiguidade. Ambos viveram durante o período do Império Romano, tendo Séneca nascido em 4 a.C., falecendo em 65 d.C, enquanto Plutarco nasceu em 46 d.C. e morreu em 120 d.C. Como não li nada deles, não posso falar de semelhanças ou diferenças entre ambos :(

As pessoas comuns da Capital são TOTALMENTE ignorantes no que diz respeito aos problemas ao seu redor. Cordeirinhos que seguem lideranças sem questioná-las. Talvez se alguém dissesse para eles se importarem, quem sabe? Poderiam tentar diminuir a injustiça. Mas eles estão tão impregnados ao modo de vida que se torna muito improvável que comecem uma revolta. 
"É interessante, porém, quando eu penso no que Peeta disse sobre o atendente do trem estar tão infeliz pelos vitoriosos terem que lutar novamente. Sobre as pessoas do Capital não estarem gostando disso. Ainda acho que tudo isso vai ser esquecido uma vez que os barulhos dos gongos soarem, mas ainda é uma revelação que aqueles do Capital sentem alguma coisa por nós.  Eles certamente não têm problema nenhum em ver crianças serem assassinadas todos os anos. Mas talvez eles saibam demais sobre os vitoriosos, especialmente aqueles que foram celebridades por anos, para esquecer que somos seres humanos. É mais como ver seus próprios amigos morrerem, mas parecido como é para aqueles dos nossos distritos."


terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Saint Seiya: Lost Canvas (mangá)


Depois de muito tempo resolvi ler Lost Canvas. Dada as noticias de que o anime foi descontinuado por falta de público consumidor dos dvds e bluray, nada mais justo do que eu descobrir o que aconteceu na série através da obra original.

Na época que a JBC publicava os mangás, eu acompanhava religiosamente, até que me faltou dinheiro para comprar as edições. Hoje (não HOJE literalmente né), rico que estou, comprei o restante das revistas e comecei a leitura.

(Sim, comprei. Poderia ter baixado ou lido online em inglês, mas sou fã de Cavaleiros e tenho esse FETICHE de possuir produtos da série. Não me rendi a pirataria. Isso que dá ser fã.)

E já que comprei, não devo deixar de falar sobre o produto físico. As páginas não caíram quando segurei a revista, o papel não era transparente, as capas eram bonitas, não percebi nada gritante de errado nas traduções dos diálogos. O único erro que percebi foi que, ao final de cada volume, havia um "palavras da autora", onde a Shiori (a autora) escrevia alguma coisa. Na edição 25, o mangá final, ao invés de botarem algo novo, simplesmente copiaram o que havia na edição 24. Erro da editora provavelmente. Erro bem idiota. Não sei se houve um relançamento (esse é o termo?) com as palavras corretas, mas fiquei chateado. Queria saber o que ela pensava do final. Fora isso, tudo de bom.

Shiori Teshirogi, a menina que melhorou em 42% Saint Seiya.

A história de Lost Canvas é FODA. Sério. Enorme, cheias de reviravoltas, milhares de surpresas, nem parece ser escrita por Kurumada. Porque de fato não é mesmo! Quem escreveu e ilustrou foi Shiori. Por isso esse salto de QUALIDADE.

Vamos refletir um pouco sobre a FORMA KURUMADA DE ESCREVER HISTÓRIAS:

Saint Seiya Clássico: saga das 12 casas, enfrentam um a um os adversários, correm contra o relógio, chegam no BOSS (CHEFÃO), vencem.
Saint Seiya: Asgard: enfrentam, enfrentam um a um os adversários, recuperam as safiras, chegam no BOSS, vencem.
Saint Seiya: Poseidon: enfrentam um a um os adversários, destroem os pilares, chegam no BOSS, vencem.
Saint Seiya: Hades: os espectros invadem o santuário, enfrentam um a um os adversários, correm contra o relógio, chegam no BOSS, "vencem".
Saint Seiya: Next Dimension, os espectros invadem o santuário, enfrentam um a um os adversários, correm contra o relógio... ainda não foi finalizado este mangá.

Kurumada, meu filho, INOVE. Evolua. Você criou um sucesso, mas não precisa torná-lo repetitivo para sempre.

Masami Kurumada, um rapaz que aprecia um bom vinho.

Agora vamos ao modo SHIORI de escrever: misture três amigos de infância e separe-os; cozinhe até um deles se tornar o lendário cavaleiro de Pegasus, outra se tornar a deusa Athena e o próximo o imperador do inferno Hades; faça com que os deuses mitológicos nasçam na terra como IRMÃOS; mantenha os ingredientes no forno e espere até eclodir uma GUERRA SANTA.

Após isso, insira dezenas de cavaleiros e espectros com personalidades ambíguas; sele os deuses do SONO (Hypnos) e da MORTE logo de cara (Thanatos), mas de forma custosa; mantenha em segredo até o final (O FINAL MESMO) a pessoa responsável por manipular a guerra santa; torne os fãs da série felizes por verem seus SIGNOS representados dignamente em batalhas épicas contra os espectros; adicione um espectro forte o suficiente para bater de frente com os cavaleiros de ouro, porem com ambições egoístas; surpreenda a todos tornando uma mulher o receptáculo para o espírito do deus do oceano, POSEIDON; dê a oportunidade das ARMAS DA ARMADURA DE LIBRA serem usadas; faça com que um único cavaleiro do zodíaco dispare o ATHENA EXCLAMATION SOZINHO; explique, um pouco, os motivos que levam o cavaleiro de Pegasus a ser fora do comum.

Ufa!

Os cavaleiros de ouro em Lost Canvas.

Tá bom ou quer mais? Porque ainda TEM mais. Lost Canvas é uma história tão boa que é bom demais pra ser verdade. Infelizmente ela não é "oficial". Mesmo tendo a CHANCELA de Kurumada, Lost Canvas não faz parte da cronologia de Cavaleiros do Zodíaco. É uma Spin off, ou seja, uma história situada em um universo paralelo (ou derivado) do original. A cronologia oficial acerca dos eventos da guerra santa anterior a saga clássica de cavaleiros está presente no mangá Saint Seiya: Next Dimension.

E olhe: é de uma tristeza imensa ler Next Dimension depois de Lost Canvas. Este último é infinitamente superior.


Meu único questionamento acerca da história: aonde foi parar Suikyo? Isso daria muito mais PANO PRA MANGA!

Como já falei, vale muito a pena ler este mangá, já que não temos ideia de quando uma continuação do anime será produzida (se for). Quem gosta de Cavaleiros com certeza precisa ler e quem não curte, essa é a melhor (talvez única) chance de gostar da série: ao mesmo tempo em que utiliza elementos clássicos do original, consegue criar uma história que prende o leitor e não apela para o EXCESSO DE PROTAGONISMO. Todos os personagens tem sua importância e os principais são bem desenvolvidos. O traço é bonito (pra mim só perde em relação ao Episódio G) e os diálogos não abusam da inteligência do leitor, além de serem bastante dinâmicos.

Recomendo! (Para ler em inglês, clique aqui).