segunda-feira, 21 de maio de 2012

Terrorismo Poético

Como pode o terrorismo ser poético? Vamos com calma.

A definição da enciclopédia livre para terrorismo é a seguinte:

Terrorismo é o uso de violência, física ou psicológica, através de ataques localizados a elementos ou instalações de um governo ou da população governada, de modo a incutir medo, terror, e assim obter efeitos psicológicos que ultrapassem largamente o círculo das vítimas, incluindo, antes, o resto da população do território


Há um escritor chamado Peter Lamborn Wilson, cujo pseudônimo é Hakim Bey, que cunhou essa ideia de terrorismo poético. Pelo que li sobre o assunto, o Terrorismo Poético pode ser caracterizado, a grosso modo, como intervenções urbanas feitas com o intuito de chocar e/ou trazer reflexão para a população.

Vamos a um exemplo, assim fica mais fácil entender.


A reação do público ou choque-estético produzido pelo Terrorismo Poético tem de ser uma emoção tão forte quanto o terror – profunda repugnância, tesão sexual, temor supersticioso, súbitas revelações intuitivas, angústia dadísta – não importa se o TP é dirigido a apenas uma ou várias pessoas, se é “assinado” ou anônimo: se não mudar a vida de alguém (além da do artista), ele falhou.


Lembra daquele ação/evento/flashmob/como-você-queira-chamar "Free Hugs" (abraços grátis)? Aquilo (também) é uma forma de Terrorismo Poético.


Tem um filme bastante interessante que aborda um pouco desse conceito. Chama-se "The Edukators". Um grupo de amigos invade casas, tira as coisas do lugar, empilha, mas não rouba ou quebra nada. Além disso o filme faz diversas críticas ao capitalismo, consumismo, a busca da felicidade através de um produto novo o supérfluo, o individualismo, etc.

Abaixo trailer de The Edukators.


Nota-se como o Terrorismo Poético flerta paquera NAMORA com o Anarquismo.

Outro exemplo de terrorismo poético são as enquetes virtuais em que a votação é manipulada para não refletir o senso comum. O site Kibe Loco, por exemplo, já fez duas ações desse tipo: fez o maior jornal da Argentina, o “La Nación”, apontar a seleção brasileira como favorita da Copa (2010) e também o site oficial do piloto Michael Schumacher eleger Ayrton Senna como o melhor piloto da história.


Por fim, aqui você pode encontrar mais um relato de Terrorismo Poético. Abaixo um trechinho.

é preciso ser esperto para subverter a ordem cotidiana. Quando se fala em piquenique logo vem à memória aquela imagem da toalha estendida ao chão, cheia de frutas, doces e salgados. (...) Quem disse que piqueniques têm de ser assim? Essa foi a primeira pergunta que me ocorreu. Depois foi o seguinte: o que, realmente é um lugar público? Supermercados são lugares públicos? É proibido comer dentro de um supermercado? Pra mim, estas são perguntas inspiradoras. Por exemplo, é perfeitamente normal sentar em banco de praça, tirar da bolsa um sanduíche e comê-lo em paz. Mas fazer o mesmo em uma loja de departamentos pode ser diferente.

domingo, 20 de maio de 2012

Considerações sobre o desapego


Há um grupo muito bom no facebook do qual faço parte. Chama-se "Sebo Desapego". É um espaço virtual criado por uma menina daqui de Natal destinado a venda e troca de livros, revistas, lps, games, cds, dvds, etc.

A ideia é vender por um preço abaixo do mercado livros (e outros produtos) que já não são mais do interesse do detentor do mesmo. Porem algumas pessoas não entraram no espírito da coisa e vez por outra tentam vender produtos com preços mais caros (ou equivalentes) do que os encontrados na loja. Ai não dá, né?

Se alguém solta um "tá caro", o vendedor sente-se ofendido, como se estivéssemos tentando jogar areia na venda. CLARO, compra quem quiser, mas quem é inteligente o suficiente vai perceber que é mais vantajoso comprar na loja um livro novo e dividir em parcelas a perder de vista do que comprar a vista e usado num sebo virtual (sem garantia de troca). E, caso você não tenha um cartão de crédito, as compras na loja física podem oferecer descontos.

Ninguém quer empatar as vendas de ninguém, mas sim alertar que, por aquele preço, dificilmente suas vendas serão realizadas.

Daí estava conversando sobre isso com PV e o mesmo chegou a conclusão que:

"As pessoas tem que ter noção que não dá pra ganhar dinheiro (lucrar) se desfazendo das coisas."

E completou:

"Isso é coisa de quem nunca teve que vender coisas usadas."

sábado, 19 de maio de 2012

O Carteiro e o Poeta (Il Postino)

"Até a ideia mais sublime parece boba se ouvida com tanta frequência".

A história do filme é baseada em fatos reais, porem com algumas adaptações. Pablo Neruda foi um poeta chileno que, para evitar ser preso devido a problemas com o regime político do seu país, exilou-se em Isla Negra, no Chile, entre os anos de 1946 a 1952. No filme, a ação se passa em uma ilha na costa da Itália nos anos 1950.

Devido ao aporte da nova celebridade na vila dos pescadores, muitas cartas chegam para o mesmo e como o local onde o mesmo vive é isolado das outras residências, é contratado uma nova pessoa pelos correios local exclusivamente para entregar as correspondências de Pablo. Este é Mario, um homem humilde, desempregado e também o Carteiro do título do filme.

"Quando um homem começa lhe tocar com as palavras, está próximo de tocar com as mãos"

As constantes idas e vindas do carteiro, somada a sua curiosidade pela poesia (e pelo poeta, por que não?), dão inicio a uma relação de cumplicidade entre os dois. Neruda ensina a Mario sobre metáforas, enquanto Mario torna-se um ouvinte das nostalgias do poeta.

O filme toca em vários pontos interessantes: aborda a questão da figura idealizada pelo povo de uma celebridade e como ela se desfaz a medida que ocorre a interação entre ambos; a relação de mestre e aprendiz entre Pablo e Mario, quando o segundo se apaixona e Pablo dá as dicas de como por seus sentimentos em palavras; a criação de esteriótipos (os comunistas que comem criancinhas e a efusividade dos italianos/latinos).

"Quando você explica, a poesia se torna banal"

Em determinado ponto da história lembrei daquela frase do livro O Pequeno Príncipe: "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas". Há uma mudança substancial em Mario após conhecer Neruda. Se antes aparentava ignorância e subserviência, agora se mete em problemas por questionar as autoridades. É o ser humano aprendendo a questionar o que lhe é imposto. Não é a toa a crítica política do filme, revelando os motivos pelos quais os governos temem tanto os artistas, pois a arte é o meio mais fácil de transmitir (cifrada ou não) uma mensagem ao povo sobre os problemas da sociedade.

No fim, a mensagem que o filme passa é que as pessoas vem e vão durante nossas vidas, mas não são todas que deixam marcas e ensinamentos.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Quando usar a bicicleta vale realmente a pena?


Tem gente que acha que por andar de bicicleta vai proteger o mundo da devastação e unir as pessoas de nossa nação, mas eles estão enganados.

Andar de bicicleta tem vários benefícios, físicos e psicológicos, mas todos estão cansado de saber quais são. Mas vale a pena andar sempre?

Baseado em dados empíricos e em conversas com PV, chegamos a conclusão que só é interessante a bicicleta substituir carro, moto ou ônibus em determinadas circunstâncias, que são:

1. A distância é curta;
2. Não há sol ou chuva;
3. Há um caminho desobstruído para chegar ao destino..

"As 3 condicoes acima têm que ser satisfeitas ao mesmo tempo" (ÉGITO, PV)

Incluo também uma quarta.

4. O terreno ser plano.

Porque, pra mim, o maior problema de andar de bicicleta é chegar num canto suado. Mimimi.