quarta-feira, 18 de julho de 2012

Akira

Se a sinopse do filme Senhor dos Aneis é "um hobbit que queria queimar o anel", em Akira é "tenho inveja da moto do meu amigo". Imagine um filme com grande potencial. Esse é Akira. Um filme que, não sei porque, é um clássico, mesmo sem explicar quase nada da sua mitologia.

Eu fiquei interessado em assistir ao filme pela curiosidade, já que dizem que haverá uma adaptação americana do mesmo. Com Leonardo DiCaprio ou algo assim. Mas o filme não diz a que veio logo no inicio. Isso é chato. Porque você fica na expectativa dele COMEÇAR DE VERDADE. E demora muito até isso acontecer...

Sobre a história: se passa no futuro. Em 2019. Em 16 de julho. Daqui a 7 anos. O Japão tá infestado de gangues. A antiga cidade de Tóquio foi destruída por um ser chamado Akira e em seu lugar existe NEO TÓQUIO. Há toda uma briga de gangues de motoqueiros na cidade. A violência correta solta. O líder de uma delas e protagonista da história é Kaneda.

Kaneda e a moto da discórdia.

Um dos amigos de Kaneda, Tetsuo, sofre um acidente em um desses confrontos e acaba indo parar em um hospital do governo (ou algo assim), onde acaba sofrendo alguns experimentos científicos, tendo muitas dores de cabeça em consequência disso e, também, ganhando alguns super poderes. Ao fugir do hospital, acaba roubando a moto de Kaneda (PORQUE KANEDA DUVIDOU QUE ELE CONSEGUIRIA DIRIGI-LA) e novamente o governo vem atrás dele e após uma crise devido as dores na cabeça, levá-lo de volta para o hospital. Kaneda então passa a desconfiar do que está acontecendo e vai atrás de resgatar o seu amigo e descobrir o que fizeram com ele.


Basicamente é isso.

No filme o desenho dos personagens são todos parecidos. É ate difícil distinguir mulheres dos homens. Acho que é porque nos animes de hoje há uma distinção bem maior do que é ser uma mulher. Seja nos peitões, nas cores do cabelo, nas saias curtinhas e plissadas... em Akira não há isso. Os cabelos tem a mesma cor, as roupas não diferem muito e o corpo não é destacado.

Rola também 3 personagens crianças AZUIS que foram feitos, obviamente, para causar repulsa no espectador. Só pode. Eles também tem poderes sobrenaturais. Isso será explicado mais lá na frente, mas é bem meia-boca.


O filme é pra ser uma ficção cientifica distopica, mas peca por não falar nada sobre a parte mitológica do planeta. Alias, fala, mas é tão escasso que nem conta. Não sabemos nada sobre a primeira destruição, sobre Akira, sobre como aquele poder existe... nada, nada, nada. Li por aí que quando da adaptação para o cinema, o mangá ainda não havia sido concluído. Provavelmente é por isso que as explicações são fracas.

Resta ver o que Hollywood fará num possível remake!

terça-feira, 17 de julho de 2012

Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil

Peguei esse livro no grupo do Sebo Desapego. Acho que foi uns R$10. Parecia ter várias curiosidades. E na verdade é isso que é. Um punhado de curiosidades num mesmo livro, dando supostos ares de legitimidade.


O autor, Leandro Narloch, trabalhou na Veja, então daí você, leitor inteligente, usa de todos os seus pre-conceitos para imaginar o que vem por aí. Revisionismo histórico. Todos os textos possuem comentários que considero sem fundamento ao fim de cada passagem. Todos de ordem subjetiva ("eu acho que..."). Por exemplo: ele trata a história das civilizações consideradas pobres (BRASIL, oi?) através de uma visão reducioniosta, de forma esquemática, como se todas fossem iguais e se encaixassem num esquema pré-moldado.

O livro também trata sobre índios, negros, escritores, samba, guerra do Paraguai, Aleijadinho, Acre, Santos Dumont e comunistas. E em todos eles há a tentativa de fazer o leitor acreditar que os problemas do passado são apenas problemas do passado. São. Mas se estamos discutindo isso hoje e se o problema persiste, logo ele também faz parte do presente, né?

Olha o que ele diz sobre os índios e o tabaco:

“Os índios e seus descendentes não tem nenhuma responsabilidade sobre um habito que copiamos deles. Na verdade, temo s é que agradecer a eles por terem nos iniciado nesse costume maravilhoso que é fumar tabaco e outras ervas deliciosas. Da mesma forma, quem hoje se considera índio poderia deixar de culpar os outros por seus problemas”

Como se um suposto beneficio invalidasse qualquer manifestação que as pessoas, no caso os índios, achassem validas.


Quando ele fala sobre os negros e escravos:

“Ninguém hoje deve ser responsabilizado pelo que os antepassados distantes fizeram séculos atrás”

Pode ate fazer certo sentido e soar coerente, mas pessoas devem ser responsabilizadas por se omitir e discriminar HOJE. Ao não tomar partido, você está tomando um partido. É o mesmo que dizer "não vou votar nas eleições porque tem politico safado" e deixar que os outros decidam por você. Sua omissão faz diferença. Ou seja... não faz sentido algum.

O capítulo sobre os escravos, contudo, é interessante para quem ainda não sabe que os escravos não eram só negros e que a escravidão não era exclusividade da África. Desde a antiguidade as pessoas eram escravizadas. E todas elas, em determinado momento, se rebelaram contra o sistema. Não foram passivos ante a dominação. Lembra o seriado SPARTACUS? Então. O livro aborda isso e considero um ponto positivo (para quem desconhecia).


Em relação aos escritores e a censura promovida por Machado de Assis:

“Se bem que, com tanta peça ruim nos teatros hoje em dia, até que um censor como Machado de Assis não seria nada mal”

Tá vendo, né? Se EU acho que é ruim, então deve ser banido. Censura é isso. E ele incentiva. O problema não é achar ruim. Isso não é problema. A questão é querer abolir a pluralidade de opções baseado em gosto pessoal.

Em suma: o livro tem muitas curiosidades, não vou checar todas as fontes para verificar a veracidade, mas a maneira como ele joga as coisas é bastante tendenciosa. Se for ler, ative o seu senso crítico e perceba o discurso nas entrelinhas.

“A história nem sempre é uma fábula: não tem uma moral edificante no final e nem causas, consequências, vilões e vitimas facilmente reconhecíveis”

segunda-feira, 16 de julho de 2012

True Love

True love foi uma minissérie inglesa transmitida nesse ano de 2012. Com apenas 5 episódios de 30 minutos cada, a série fala sobre amor. Histórias de amor.

É só isso? É. Os episódios não tem um conexão um com o outro. Não há continuidade. São como pequenos contos. Mas isso não foi um problema pra mim.

A primeira história é sobre o rapaz casado (o Doctor WHO!) que encontra um antigo amor da juventude.


A segunda narrativa mostra um rapaz que, toda vez que passa por uma parada de ônibus, vê sempre a mesma garota. Então ele decide, um dia, ir falar com ela, já que olhares foram cruzados. Quem não quer ter um relacionamento com um completo estranho?


No meio da minissérie temos um tema batido: professor e aluno. No caso, professora e aluna. A DEUSA Kaya Scodelario e a ROSE DE DOCTOR WHO protagonizam um romance lésbico.


No penúltimo episódio, novamente pela perspectiva feminina, vimos uma mãe ver sua filha indo morar longe e tem que conviver com o marido em casa. Um marido inapto. Que não quer sair com ela, não quer sexo, não quer nada. Então ela vai se aventurar por aí...


Por fim, o encerramento da série. O melhor episódio. Cheio de constrangimento alheio. Um homem separado procura na internet alguém para amar, ao mesmo tempo que a amiga de escola da sua filha dá em cima do mesmo! Tenso!


Acho que vale a pena assistir True Love, pelos debates sobre o amor, pelos casos mostrados na tela (nada muito extravagante ou fora do comum), pelo fato de você torcer por um determinado final para cada episódio e, principalmente, por ser curtinha. Gostei bastante.

Ah, uma música que toca em todos os episódios é "What The World Needs Now" de Jackie DeShannon. Bem bonitinha.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

O chat do Facebook


Além dos problemas atuais do chat do Facebook, de não enviar as mensagens ou enviar fora de ordem ou mesmo ficar offline, aconteceu um negócio curioso: desde que o Facebook implementou o lance de você saber quando alguém leu sua mensagem (aquela mensagem de "Visualizada às 00:00"), algumas pessoas não sabem como reagir. Porque se você sabe que alguém leu e não respondeu, o que você pensa? A pessoa te ignorou. Ou que você não era interessante o suficiente pra merecer uma resposta. Ou que você simplesmente não merece uma resposta. Ou a pessoa é devagar e tá pensando na resposta. Ou mil coisas. Paranoia total. Era melhor quando eramos ignorante em relação a pessoa ter lido?

domingo, 8 de julho de 2012

Precisamos Falar Sobre o Kevin (We Need to Talk About Kevin)


Lembra do massacre em Realengo? Ou das crianças reféns na escola russa em Beslan? Ou do documentário de Michael Moore "Tiros em Columbine"? Pois bem... "We Need to Talk About Kevin" também trata de um massacre, só que visto por uma perspectiva singular: a da mãe do psicopata.

A psicopatia é um distúrbio mental grave caracterizado por um desvio de caráter, ausência de sentimentos genuínos, frieza, insensibilidade aos sentimentos alheios, manipulação, egocentrismo, falta de remorso e culpa para atos cruéis e inflexibilidade com castigos e punições. Apesar da psicopatia ser muito mais frequente nos indivíduos do sexo masculino, também atinge as mulheres, em variados níveis, embora com características diferenciadas e menos específicas que a psicopatia que atinge os homens.


Quando me falaram desse filme, achei que fosse baseado em alguma história real. Não é. É uma história totalmente fictícia, porem bastante crível. É baseado num livro escrito por uma jornalista que diz ter feito uma pesquisa aprofundada sobre o comportamento desses psicopatas.

A história é contada de uma forma não-linear. Foca-se em Eva, a mãe, no presente, mostrando flashbacks de seu passado, desde antes da gravidez até o ocorrido.


A violência visual presente no filme é sutil, não é descarada, é tudo implícito. Isso torna o filme bastante TENSO, pois o espectador, sabendo de antemão a sinopse, entende o que irá acontecer. A cor vermelha, por exemplo, está por todo o filme: na comida, na tinta, até nas cores das árvores!


De certa forma o filho não era desejado. Não fica claro se Eva teve alguma depressão pós-parto ou se realmente não queria ser mãe naquele momento, mas ela acaba tendo que lidar com isso. Pior, praticamente sozinha. O pai é uma figura ausente, não percebe as peripécias do filho e acredita que a mãe está imaginando coisas. Dá a entender que a mãe seria a única culpada do que ocorre com o filho, mas isso é errado. Ela tenta de todo modo se aproximar dele, mas não é bem sucedida.


Destaco do filme a atriz, Tilda Swinton (que fez a Feiticeira Branca em Nárnia), como a mãe e, principalmente, todos os atores que interpretavam o Kevin, desde o bebê até o adolescente. TODOS são bem parecidos e, dá forma que se desenrola o filme, espere muitas maldades da parte deles.


Daí eu me pergunto: você nasce um psicopata ou se torna um? Há uma predisposição para esses atos? Acredito eu, baseado em puro achismo, que haja uma genética, mas que isso não é o único fator. Penso que contexto social contribui para esse tipo de comportamento aflorar. Não é algo pelo qual possa se afirmar "É ISSO!" e pronto. E outra pergunta: é possível os pais não amarem seus filhos?

Um ótimo filme de drama. Tenso do começo ao fim. Vale a pena assistir.