segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Acaso e Caos


Anteontem eu fui vender um livro pra uma menina no cidade jardim. Tava usando sandália e o piso tava escorregadio. Não havia essa placa ai em cima. Enfim. Chão liso, quase caia de cara ou bunda no chão, mas consegui manter meu centro de gravidade. Meu celular, por outro lado, foi arremessado. Talvez um movimento involuntário para me segurar em algo de modo a evitar cair (nem precisou e nem tinha no que segurar). Lá se foi o coitado, do chão não passou. Ele abriu, a bateria pulou fora e descarregou. Não totalmente. Ficou só um pontinho de energia. A qualquer momento ele descarregaria. Apenas na segunda-feira poderia carregá-lo, pois não tinha levado meu carregador pro apartamento.

Daí eu pensei: e se minha vida fosse um filme? Tipo BUTTERFLY EFFECT ou HAPPENSTANCE ou qualquer outro que envolva teoria do caos. Eu já imagino trilha sonora pra todo momento, então que mal há imaginar que é um filme? Então. Caso fosse nesse gênero, as atitudes do agora seriam refletidas no futuro. Tudo teria um motivo e mimimi. As oportunidades seriam criadas (não existiria isso de "agarrar" uma oportunidade, mas sim FAZER uma).

Nesse mesmo dia, a noite, fiquei trocando sms com uma menina (outra). Mensagem vai, mensagem vem, o celular descarrega. E telefone fixo, como se sabe, não envia sms. E o que eu poderia fazer pra continuar a conversa? Pegar o outro celular da casa (da minha mãe) e inserir meu chip nele. Mas esse seria o caminho fácil e não conveniente para um verdadeiro filme, né?

Decidi que assim que acordasse (era a madruga boladona naquele momento), iria CRIAR o evento que consistiria em conhecer os vizinhos do andar. Iria tocar a campainha de todos (são 4 por andar) até encontrar um carregador para o meu celular. E foi o que fiz. Mas nenhum deles tinha. Tentei também na academia do prédio, mas nada. O porteiro também não tinha. Ao todo, que me lembre, encontrei carregadores pra LG, Samsung, IPHONE... mas nada do meu Nokia. Que é um aparelho antigo, não tem essas entradas usb e miniusb. Mas mesmo assim acabei conhecendo (superficialmente, né?) algumas pessoas do prédio. Então se você observar por essa perspectiva, o escorregão não foi por acaso, né? Como diria Monty Python: ALWAYS LOOK ON THE BRIGHT SIDE OF LIFE.

Minha vida é um filme.


Homens feios


Garoteeenha
entrei em um site de namoro
aqui
em 3 dias
recebi 100 msgs

Júlio
o que isso significa?
que tem muitos solteiros ai?
ou que voce é linda e absoluta, igual stefani?

Garoteeenha
o que vc preferir
e tem cada gato

Júlio
e quantos voce pegou?

Garoteeenha
nenhum

Júlio
por que?

Garoteeenha
to conversando por sms
com 4
mas so com os mais feios
eu nao sei pq
eu gosto de feio

Júlio
UJAHUAHUAHUAHAUA

domingo, 19 de agosto de 2012

Vai e volta

Sabe quando te chamam para conhecer um novo lugar e você não conhece o caminho? Esse lugar sempre parece mais longe. Quando se percorre a estrada pela primeira vez, não estamos acostumados com a paisagem ao redor, o ambiente, os sinais e demarcações. A rota que pegamos na primeira vez aliada as expectativas sobre o local torna-se nossa primeira impressão sobre o mesmo. Ela pode ser positiva ou não, mas se for necessário percorrer a estrada novamente, abriremos nossos olhos para olhar ao redor em busca de atalhos, bifurcações. Evitaremos os percalços e adquirimos novas formas de chegar ao nosso destino. O caminho não parece tão longo como da primeira vez, né?

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Minimalismo e Desapego

Já faz uns anos que sou adepto dessa onda minimalista. No sentido de economia. Economizar espaços e coisas. Sempre achei meu quarto pequeno demais para os objetos que tinha (centenas de livros, cds, dvds e action figures. Centenas mesmo). Depois de muitas reflexões percebi que o problema talvez não fosse o quarto, mas sim eu. Eu que queria TER coisas demais, mesmo que isso não faça sentido. Principalmente hoje, quando podemos dispor de 3 desses 4 itens virtualmente (oi, internet?).


Houve uma disciplina que paguei na universidade, Museologia, na qual me identifiquei bastante. O professor falava muito do "fetiche de colecionador". Aquelas pessoas que precisam ter certos objetos apenas porque começaram a colecionar. É quase uma doença isso. Ele citou o exemplo da Revista Caras. Ela sempre vem com uma promoção, né? Compre a revista e ganhe o primeiro fasciculo de alguma coisa. Compre a revista e ganhe o primeiro CD de uma série de 100 de música clássica. Compre a revista e ganhe peças de um faqueiro. E as pessoas que são compulsivas, que tem esse fetiche, precisam ter TODAS. Se perdem uma edição, vão atrás do jornaleiro para encomendar, pedem pela internet, pagam mais caro por um simples objeto... tudo para tê-lo. Pelo significa que o mesmo representa para a pessoa. O professor, Helder, até comparou com a espada de Dom Pedro, o rapaz que proclamou a independência do Brasil. Uma espada qualquer, iguais a muitas espadas da época, apenas por ter sido de posse do imperador, torna-se um objeto de desejo.

Enfim.


Daí eu vi essa matéria sobre o homem que vive apenas com 15 objetos. Claro, tem gente ai vivendo com muito menos, mas esse não é o mérito da questão. O Andrew Hide, o homem do link acima, tem condições de possuir muito mais coisas do que os 15 objetos, mas optou pelo contrário. Não sei quais foram as intenções dele, se queria ajudar a salvar o mundo (ideologia) ou achava que tinha "entulho" demais em casa ou apenas achou mais prático para a vida dele. Sei que essa forma de ver o mundo condizia com o que eu achava. Veja bem, ele não abdicou de viagens, do lazer, da diversão, de sair com os amigos, da família, de nada. Apenas de boa parte dos objetos que achou desnecessário.

Então resolvi me livrar dos meus. Com os dvds e cds foi fácil, mas os livros tem toda aquela ligação emocional. Alguns deles estão cheios de anotações que fiz e refiz enquanto lia e relia. Mas hoje resolvi desapegar de alguns. A prioridade é me livrar dos que já e não penso em reler. Os que manterei serão aqueles com alguma ligação afetiva (Harry Potter, Senhor dos Anéis, O Guia do Mochileiro das Galáxias). Os que tenho e ainda não foram lidos, me esforçarei para lê-los. Vou tentar substituir todos por versões digitais. Essa epifania sobre os livros foi devido a outra leitura, iTunes, Steam e outros: como o paradigma de posse mudou ao longo dos anos (e como ele vai mudar ainda mais). Eu já tinha essa ideia, só faltava por em prática.


Mesmo sabendo que o papel dura bem mais como forma de armazenamento e é imune a pulsos eletromagnéticos, hackers e picos de luz, meu desejo de me desapegar desses objetos é porque já foram usados. Então tá tudo guardado dentro da minha cabecinha. Não preciso que algo dure mais de 100 anos, porque eu mesmo não vou durar tudo isso.

Algumas das coisas que já botei a venda:

Algums cds: https://www.facebook.com/groups/sebodesapego/permalink/456484531049689/
DVDS: https://www.facebook.com/groups/sebodesapego/permalink/456481207716688/
Livros: https://www.facebook.com/groups/sebodesapego/permalink/456487034382772/
Mangás: https://www.facebook.com/groups/sebodesapego/permalink/457090497655759/
Mais DVDS: https://www.facebook.com/groups/sebodesapego/permalink/458848597479949/
Mais livros: https://www.facebook.com/groups/sebodesapego/permalink/459583004073175/

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Uchuu Kyoudai (Space Brothers)

Você sabia que antes de irem para o espaço os astronautas fazem um testamento? Que um dos testes que eles precisam passar é saber operar a nave de olhos vendados de modo a, caso ocorra alguma emergência e eles não possam ver, saber onde estão os comandos e como operá-los? Que é necessário 3 dias para se chegar de foguete a lua?

Pois é. Também não sabia.

Uchuu Kyoudai (título em inglês: Space Brothers) conta a história de dois irmãos: Mutta e Hibito. Desde pequeno ambos são fascinados pelo espaço. Adoram ficar olhando as estrelas a olho nu ou com seus telescópios. No ano de 2006, ainda crianças, observam algo que se assemelha a um disco voador. Empolgados e intrigados com a descoberta, ambos fazem uma promessa: "seremos astronautas quando crescermos".


O tempo passa. Estamos em 2025. Hibito, o irmão mais novo (o loirinho), consegue realizar seu sonho de se tornar astronauta, é empregado pela NASA e será o primeiro japonês a pisar na lua. Já Mutta... este foi demitido de seu emprego numa loja de automóveis e teve que voltar a morar com seus pais. Decepcionado por não ter se tornado um exemplo para seu irmão mais jovem, Mutta fica sem saber o que fazer. Ainda é tarde para correr atrás dos sonhos de infância?


Querendo encorajá-lo, seus pais enviam seu currículo para a JAXA, a agência espacial japonesa. Mutta é chamado para uma entrevista e a partir daí as coisas talvez comecem a mudar...

Uchuu Kyoudai estreou em Abril desse ano. Ainda sem previsão para o termino, posso dizer que é uma das séries mais bem feitas que já vi, tanto em relação ao enredo, como na animação. A série mescla situações de comédias (a maioria proveniente de Mutta) com o drama de conseguir superar seu irmão mais novo. Não há intenções egoístas por parte de Mutta quando descrevo isso. Ele quer ser apenas um exemplo no qual seu irmão possa se espelhar, assim como acontecia na infância.


O anime mostra MUITAS curiosidades para quem se interessa quanto as coisas relativas ao espaço. Aquelas perguntas que fiz no inicio são apenas as que consegui lembrar enquanto escrevia. Há muito mais aspectos interessantes, principalmente em relação a química e física espacial (gravidade, força G, etc).

Aparentemente a série é bem fiel no tocante aos testes e exames pelos quais os personagens devem passar até se tornarem astronautas. O processo de seleção é bastante rigoroso, envolvendo entrevistas, exames médicos, testes cardíacos, de força, de intelecto. O nível dos candidatos é altíssimo. Apesar de parecer bobalhão, Mutta não é idiota ou burro, mas será que irá conseguir superar seus concorrentes? (atualmente estou no episódio 10 da série e Mutta ainda está na terceira etapa na JAXA! Alguns adversários já foram eliminados no decorrer do desenho).


Outro ponto bastante interessante vai além do aspecto técnico da seleção. O anime também mostra a visão pessoal de alguns dos astronautas (além de Mutta) e suas angustias. Por exemplo: o objetivo de um deles é ir a Marte, mas caso consiga, teria que abdicar de ver o crescimento de sua filhinha pequena por mais de dois anos e meio. Como seria para a filha crescer sem um pai? Essa visão altruísta dos personagens intensifica a carga dramática da série.


Recomendo muito começa a assistir Uchuu Kyoudai. Não tem magia, feitiçaria, golpes especiais, não se passa num futuro distópico, não há viagens no tempo, shinigamis, ninjas ou piratas. Então se você tem preconceito contra desenhos animados por eles mostrarem coisas "irreais", deixe ele de lado para assistir a série. É apenas um anime realista contando a história de dois irmãos que desejam realizar seus sonhos. Um já está na metade do caminho. E o outro?

Estou baixando a série pelo fansub MDAN. Eles oferecem os arquivos legendados via torrent e em http (Obrigado Anônimo que comentou). Há outro fansub, o Punch, que também traduz e oferece os arquivos via links em http.

Espero que a série dure mais do que o habitual (uma temporada de anime completa tem 26 episódios) e que a única ficção seja a chegada de um dos dois irmãos a Marte. Ficção porque é viagem tripulada, viu? Sei que têm vários robôs por lá.

Se quiser ver mais imagens da série, clique aqui.