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sexta-feira, 23 de setembro de 2011
A ideologia de Marx
Você sabe o que é ideologia? Acho que todo mundo conhece basicamente como um sistema de idéias que orientam o individuo em suas ações. Bom, tem aquele rapaz chamado Karl Marx que desenvolveu outro conceito para ideologia. Um conceito negativo. Ele dizia que a ideologia serve para mascarar a realidade. De esconder as desigualdades sociais. De fazer com que as outras classes se identifiquem com os valores da classe dominante. Não que isso seja maquiavelicamente pensado. É tipo os religiosos convertendo os índios no Brasil no período colonial. Eles realmente acreditavam que estavam fazendo algo certo.
Fiquei feliz com esse conhecimento adquirido. Daí um rapaz da sala foi citar um exemplo desse tipo de ideologia. Diz ele que pagou uma disciplina em uma turma de ecologia e que foram analisar aquela frase de "cada um deve fazer sua parte". Todo aquele lance de sustentabilidade, salvar o planeta. E ele disse que não fazia diferença se você jogar ou não lixo na rua. Mas não no sentido de não fazer diferença e sim no sentido de que mesmo que todos façam sua parte, o montante de lixo evitado não vai chegar ao pés do que uma indústria química polui o ambiente. E, nesses casos, faz total sentido o conceito de Marx. Porque se essa frase, que aparentemente é correta, cai no gosto popular, todos vão acreditar. E então o problema - a sustentabilidade - que É uma questão pública, vai se individualizar. E nós vamos nos sentir responsáveis, porem impotentes, porque não conseguiremos fazer nada muito grandioso de fato.
Óbvio, ninguém deve jogar lixo na rua, mas dizer que cada um estará fazendo sua parte é uma frase ideologica porque nao adianta muita coisa no sentido geral e esconde toda uma problemática por trás dos assuntos (as indústrias que poluem, no caso). Questões amplas se reduzem a problemas individuais. E não dá pra ser assim, né?
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Cotas
Sou a favor das cotas.
Antigamente eu achava que não existia racismo no Brasil, que usar camisas de "100% negro" era uma forma racista de se expressar e que, por isso, eu teria todo direito de usar uma camisa "100% branco".
Achava que o problema era puramente econômico. Ora, se existem pobres brancos e negros, existem também ricos negros e brancos. Todos tem sua chance, basta batalhar que você conseguirá o que deseja, afinal estamos num sistema capitalista que privilegia os que se esforçam mais.
Só que não. Não é tão simples assim. Há toda uma ideologia por trás disso.
Percebi que o racismo existe e ele é velado. Muitos de nós não percebemos porque somos privilegiados.
Como o racismo afeta a vida de Chris Rock nos EUA (sim, a situação lá é diferente, é apenas um exemplo:
Antigamente eu achava que não existia racismo no Brasil, que usar camisas de "100% negro" era uma forma racista de se expressar e que, por isso, eu teria todo direito de usar uma camisa "100% branco".
Achava que o problema era puramente econômico. Ora, se existem pobres brancos e negros, existem também ricos negros e brancos. Todos tem sua chance, basta batalhar que você conseguirá o que deseja, afinal estamos num sistema capitalista que privilegia os que se esforçam mais.
Só que não. Não é tão simples assim. Há toda uma ideologia por trás disso.
Percebi que o racismo existe e ele é velado. Muitos de nós não percebemos porque somos privilegiados.
Sabem por que o Brasil não é um país meritocrático? Porque ninguém faz o caminho inverso. Sim, é possível que um favelado brilhante se torne presidente de empresa. Mas e as antas bem-nascidas?"
O peixe não enxerga a água justamente por ter vivido toda a sua vida rodeado por ela: só dá por sua falta quando está se debatendo no convés do barco.Racismo é uma ação de poder e quem tem poder é o branco.
As cotas raciais a médio e longo prazo permitirão que mais e mais negros sejam vistos no mercado de trabalho como profissionais de sucesso, alterando as expectativas sociais que são atribuídas aos jovens negros.As cotas são uma solução. Paliativa. Ainda sim uma solução. Ou uma das.
Como o racismo afeta a vida de Chris Rock nos EUA (sim, a situação lá é diferente, é apenas um exemplo:
É a primeira vez na história do mundo, que os brancos tem que ter cuidado no que dizem. Brancos, não se preocupem. É assim que a vida funciona. As vezes as pessoas com muita merda tem que calar a boca e deixar que outras pessoas falem merda delas. Eu vou dar um exemplo de como o racismo afeta a minha vida. Eu moro em um lugar chamado Alpine, New Jersey. Minha casa custa milhões de dolares. Na minha vizinhaça existem quatro pessoas negras. Centenas de casas, só quatro negros. Quem são esses quatro? um sou eu. Os outros são Mary J. Blige, Jay-Z e Eddie Murphy. Os únicos negros de toda a vizinhança. Bem, vamos analisar direito. Eu sou um comediante decente. Mary J. Blige uma das maiores cantoras de R&B que já existiu. Jay-Z um dos maiores rappers da história e Eddie Murphy um dos maiores atores de comédia da terra. sabe o que o cara branco que mora do meu lado faz da vida? Ele é uma porra de um dentista! Não é o melhor dentista do mundo, não vai pro hall da fama dos dentistas, não ganha placas por eliminar o tartaro. é apenas um dentista do tipo: “Arranca seu dente”. Você vê, um negro tem que voar, pra conseguir o que um homem branco consegue andando. É isso ai, eu tive que fazer milagres pra conseguir aquela casa. Eu tive que apresentar o Oscar, pra conseguir aquela casa. E até hoje, eu não acredito que seja a minha casa. por isso que eu deixo uma mochila bem do lado da porta, só para o caso dos brancos que são os verdadeiros donos aparecerem, um dia. “Hora de ir, negão”; “Droga, sabia que esse dia chegaria”; “Ainda bem que eu fiz as malas”. Sabe o que um dentista negro teria que fazer para se mudar pra minha vizinhança? Teria que inventar os “Dentes”!Algumas outras frases:
"Nos lugares onde foram aplicadas, longe de gerar segregação e ódio racial, as cotas promoveram distribuição de renda e ascensão socioeconômica."
(Ser contra as cotas porque elas "podem acirrar o conflito racial" é como contra as leis trabalhistas porque os patrões vão chiar!)
No entanto, a despeito de todas as explicações ideológicas, o homem negro teimosamente insistia em conservar suas características humanas, só restando ao homem branco reexaminar a sua própria humanidade e concluir que, nesse caso, ele era mais do que humano, isto é, escolhido por Deus para ser o deus do homem negro. Era uma conclusão lógica e inevitável no caminho da radical negação de qualquer laço comum com os selvagens.
O manto de privilégios que cobre e protege a nossa classe média é tão espesso que basta o simples fato de você SER da classe média, e ter amigos e conhecidos e parentes na classe média, para que isso já lhe abra portas e lhe conceda oportunidades totalmente fora do alcance da maioria dos brasileiros.
A falta do discurso racista torna as práticas racistas invisíveis (mas não menos opressivas) e tiram a legitimidade de qualquer contra-discurso: "Do que você está reclamando, meu filho? Pare de criar caso... O Brasil não é racista, nunca tivemos leis segregacionais, VOCÊ é que está sendo racista de falar nisso..."
Não somos culpados, mas somos, sim, responsáveis por solucionar os problemas atuais de nossa sociedade
As injustiças que as cotas pretendem corrigir não são as injustiças passadas. O que passou, passou. Acabou. Caput. Perguntem a qualquer historiador. As cotas existem porque as injustiças passadas continuam repercutindo e gerando novas injustiças, atuais e prementes, HOJEAlgumas fontes dessa postagem:
Chris Rock e o Racismo nos EUA
O que é ideologia?
Empatia
Cotas de Igualdade
Racismo e Normalidade
Você é um privilegiado?
Se daqui a mil anos...
Impossibilidade do negro ser racista
Pensamento Racial antes do Racismo
domingo, 9 de julho de 2017
A Revolução Francesa e a Produção dos Espaços - “Entre o Espaço Público e Privado – A Formação do Estado Nacional”
Introdução
Este trabalho visa mostrar como a Revolução Francesa (1789-1799) influenciou na produção dos espaços, sejam eles políticos, geográficos, culturais, etc. Dentro destas designações, mostrar-se-á a relação entre o espaço público e o espaço privado durante o período revolucionário, bem como a formação do espaço nacional.
A queda da Bastilha, no dia 14 de julho de 1789, marca o início do movimento revolucionário. A Burguesia e a sociedade francesa tiveram um papel atuante nesta revolução. Podemos citar alguns exemplos como causa desta revolução, como a insatisfação do povo francês em relação ao regime absolutista, desigualdade social, falta de unidade administrativa e consequentemente a recolha inadequada de impostos, desejo burguês de deter mais poder junto ao clero e a nobreza, influência da revolução americana de 1776, etc.
Suas conseqüências podem ser definidas, de certo ponto, com uma citação de Ben Tahar Jelloun na qual “O Ano de 1789 é uma lembrança que pertence ao patrimônio universal; está inscrito em cada um de nós. Nascemos com essa lembrança, isto é, com a presença de uma libertação. Muitos morrem sem tê-la conhecido”.
Percebemos que o impacto da revolução francesa está presente até os dias de hoje, seja nas artes, nas ciências, nas novas concepções ideológicas... De imediato temos a queda do absolutismo, a unificação política e administrativa e a consolidação do poder político da burguesia. Em seguida, o surgimento de uma nova ideologia (Iluminismo), as bases para o desenvolvimento do liberalismo, socialismo e conservadorismo, uma constituição que garantia a liberdade individual dos cidadãos (e que foi “copiada” por diversas nações) e as bases de uma sociedade burguesa e capitalista. Podemos considerar estes últimos como uma “revolução após a revolução”.
Neste trabalho serão mostrados os conceitos pré-revolucionários em relação ao que se considerava um espaço público e espaço privado, e consequentemente o seu papel de atuação pós-revolução. Em seguida trataremos da formação do estado nacional Francês, suas divisões e subdivisões geográficas e os símbolos pátrios criados durante o período revolucionário.
A Revolução Francesa e a Produção dos Espaços
Entre o Espaço Público e Privado
“A vida privada é o último reduto da
autenticidade, espontaneidade, verdade.”
(Margarethe Born Steinberger)
“O conceito de espaço público que se opõe a um espaço privado nasce junto com o conceito de Estado-nação, no contexto da Revolução Francesa em 1789. Até ali, o rei era o dono de todos os espaços, era o dono da primeira noite das esposas virgens, não esqueçam de Louis XIV dizendo "L’État c’est moi" - o rei era o próprio Estado.”
“Não havia, portanto, noção de direito individual, o indivíduo não podia ter direitos sobre espaços e territórios. Algumas sociedades indígenas ainda preservam essa visão de mundo e não compreendem como é que se pode pensar em possuir algo criado na Natureza. Só Deus pode possuir a Natureza, e por isso, o rei, identificado com a divindade, teria esse privilégio.”
“Com a criação de um Estado que não mais emana do poder divino, nasce a vida privada, sobre a qual o Estado não tem injunção. E nasce o conceito de poder público, a sociedade que toma em suas mãos o próprio destino, antes entregue a Deus ou à monarquia. ”
Partindo desta explicação de Margarethe Born Steinberger, podemos constatar que não havia um espaço propriamente privado antes da revolução francesa. Todos os espaços pertenciam ao rei, pois a sociedade francesa existia pelo “simples” fato de ser súdita deste rei, e não por haver um estado que a comportasse. O Antagonismo “Republica x Monarquia” era crescente. Os revolucionários também acreditavam que o “privado” era contra a revolução, pois o surgimento de interesses particulares seria um obstáculo a mesma. Trataram, pois, de separar o público do privado, afinal, “Se o homem público não defendia a Revolução de maneira satisfatória, o homem privado só podia ser corrupto”.
Onde então havia reuniões para debater sobre o governo? Estas aconteciam nos bares, cafés, nas próprias ruas parisienses. Massimo Terni nos mostra que estes locais eram palcos de discussões acirradas, onde se discutiam as noticiam diárias e os relatórios dos debates na Assembléia Nacional. Durante o período revolucionário, a criação de jornais se deu em um tom acelerado. Estas notícias que o povo francês discutia em suas reuniões eram difundidas por jornaleiros. Os jornais punham em pratica um caráter sensacionalista as suas reportagens (caráter este que ainda vigora nos tempos presentes). Os jornais mais lidos, em 1791, tinham posições políticas bem definidas e deixavam isto claro em seus periódicos. Nas discussões, a leitura não era solitária: lia-se em voz alta, pois a maioria da população era analfabeta. Assim, havia o uso da teatralidade a fim de convencer os ouvintes das convicções daquele que vos falava.
Homens e mulheres dividiam o tempo entre a militância na revolução e os seus papeis cotidianos (Comprar alimentos, por exemplo. O pão era o principal nas faixas mais pobres e entre os camponeses. Em Paris, as inovações culinárias fervilhavam. A Revolução trouxe uma mudança nos horários da alimentação). Por terem tido um papel atuante, podemos afirmar que os franceses comuns não delegaram suas atividades a outrem. Daniel Roche nos mostra que a sociedade esperava uma revolução pacifista, acreditavam numa suposta bondade das classes dominantes (que não foi o caso). Nos choques entre o Antigo Regime e os Revolucionários, acontecia destes últimos serem presos. As prisões propiciavam diferentes tratamentos em circunstância da classe social, acusação e do local. O Dinheiro comprava tudo nas prisões.
A Prostituição era comum em Paris. Segundo Arlete Frage, 13% da população feminina de Paris estavam neste meio. As prostitutas não são todas iguais: existem “classes” de acordo com o poder monetário. Há prostitutas para soldados, cortesãs para a nobreza e as pensionistas. Apesar da tentativa de repressão feita pela policia, a opinião pública é solidária a situação das prostitutas e condenam esta perseguição.
A Revolução influenciou a sociedade em seu estilo de se vestir. A Roupa passa a ter um significado político. O Exemplo principal é a denominação “sans-culottes” (sem calças), denominação pejorativa atribuída dos aristocratas aos pequenos proprietários e trabalhadores participantes da revolução. Após 1789 a nobreza era identificada pelo uso de roupas coloridas, enquanto as sóbrias e modestas roupas negras representavam a burguesia. Esta mesquinhez em relação à vestimenta se refletia em um sentimento de patriotismo. Nos homens a mudança foi significativa: uso do chapéu em detrimento do tricórnio, o desuso das perucas (isto também ocorreu com as mulheres), vestimenta com cores sóbrias (preto principalmente) em contraste com as coloridas roupas aristocráticas pré-revolução. No período mais efervescente da revolução, porem, era comum o uso das cores tricolores da revolução para exaltar o crescente nacionalismo. Podemos citar a mudança do vestuário das mulheres, com a substituição das anquinhas e espartilhos pelo pierrot e túnicas de musselina branca. Tentou-se até criar um uniforme civil, mas este não deu muito certo. Contudo, a roupa não perdeu o significado político. O Aspecto paradoxal desta nova moda francesa é que toda sua influência veio da grande rival, a Inglaterra.
A Religião, o Cristianismo Católico em especial, entrou em declínio durante a revolução. Antes tomada como inerente a toda a população, passou a ser fruto da opinião pessoal de cada individuo. Essa tomada de “consciência” ocorre fundamentalmente quando a população percebe que os males que acontecem no seu meio não são devidos a uma suposta ira de Deus, mas sim de uma gestão mal administrada de uma determinada propriedade, local ou região. Isso se dá principalmente com o estabelecimento de impostos abusivos e do conhecimento dos privilégios que o clero e a nobreza gozam em relação ao rei. Não obstante, havia aqueles que defendiam sua igreja e seus ritos, em sua maioria mulheres e crianças. Isto fez com que a religião adquirisse um caráter privado, onde seus cultos eram praticados em casa, com familiares ou entre amigos.
A oficialização dos casamentos passou a ser dever do estado. Antes, o que era de âmbito privado, onde só a população conterrânea e a igreja podiam “provar” que o casamento havia ocorrido, agora era registrado perante a lei pelo estado. O Surgimento de todas essas idéias liberais resultou no aparecimento do “Divórcio”, pois o casamento torna-se um contrato civil, podendo assim ser anulado. Os divórcios aconteciam em todas as classes urbanas e seu principal motivo era o abandono ou a ausência. O Ambiente familiar tinha no pai a figura de um tirano, pois ele agia como se fosse o dono dos filhos e da mulher. A Concepção do masculino era identificada pelo espírito e a energia, ao passo que o feminino era composto pelo comportamento emocional e moral. Desta forma, a mulher se torna o símbolo da fragilidade e a “dama do lar”, sem intrometer-se na vida pública, papel este que cabia ao homem.
A desvalorização do poder Católico com a Constituição Civil do clero (bispos seriam nomeados apenas por eleições) e confisco dos bens eclesiásticos teve uma influência direta no tocante a moradia. A questão moral que reprimia os proprietários a exigir mais do proletariado dissolveu-se. Agora, os burgueses era uma classe diferenciada, superior ao proletário, e por isso era o único que podia estabelecer julgamentos morais. Estes geralmente vinham, claro, em seu próprio beneficio.
Os objetos do espaço privado tinham a marca da revolução. Camas, porcelanas, faianças, espelhos, cofres, calendários... Hunt afirma que esta “invasão dos símbolos públicos nos espaços privados foi determinante para a criação de uma tradição revolucionária”. Todavia, os símbolos privados invadiam o espaço popular: uso do “tu”, de expressões vulgares, termos coloquiais, representações da liberdade através de mulheres (jovens e mães), etc.
Finalmente, no espaço cultural, relacionado a vida privada, temos os textos do marquês de Sade. Sua obra “Ao mesmo tempo desencaminhava a liberdade, a igualdade e até mesmo a fraternidade”.
A Revolução Francesa e a Produção dos Espaços
A Formação do Estado Nacional
“Liberté, Egalité, Fraternité”
Antes da revolução não havia uma nação francesa propriamente dita. Os franceses eram súditos de um rei absolutista e não tinham um sentimento nacionalista. Este patriotismo surgiu, então, de onde? Durante o período revolucionário: na contra-revolução e nas guerras externas.
A criação da constituição tornou o homem francês detentor de direitos e obrigações perante o estado, tornando-o assim um cidadão.
A unificação da França republicana foi feita, politicamente, através de departamentos e suas subdivisões: são criadas leis comuns a todos estes departamentos e eliminadas as barreiras alfandegárias de região para região. Sistemas de medidas são instituídos pela Comissão dos Pesos e Medidas, visando a criação de um parâmetro comum. Ensina-se, obrigatoriamente, o francês nas escolas: os dialetos comuns a cada região serão cada vez menos usados em razão disso. A Importância de uma língua oficial é considerada revolucionaria, pois “suprimia a necessidade de se aprender latim”. Além disso, a língua que o povo, a nobreza, a burguesia e o clero falariam seria a mesma, sendo assim um fator de unificação. Quem não se fizesse ser entendido, estaria fora dos limites desta nação, sendo assim considerado um estrangeiro.
O Estado, quando formado, tomou conta das escolas, privando a igreja deste papel. Desta forma, influenciou as crianças a pensarem a maneira do estado (ideologia). Logo estas desenvolveram um sentimento de fraternidade com aqueles que falavam sua língua. Podemos também citar como exemplo para o patriotismo a instituição de símbolos (o galo, em referência aos gauleses (galois em francês), símbolo da vigilância e valentia e bastante presente no período revolucionário), a mulher como representação da revolução (figurando hoje no selo do estado francês), a bandeira nacional tricolor (1789) e o hino nacional (A Marselhesa, 1792). Essa intervenção do estado na maneira de pensar da população, segundo Gellner, seria “o nacionalismo que engendra as nações”, ou seja, o estado favorecendo a formação de um sentimento nacional.
Conclusão
“É muito difícil expor a concepção da vida privada dos próprios revolucionários. As memórias das grandes figuras políticas são espantosamente impessoais; são quase inteiramente dedicadas a vida publica (...) A Vida privada parece findar com a Revolução e recomeçar apenas quando se abandona a vida pública.”
Esta é uma das conclusões a qual chegou Lynn Hunt sobre os seus estudos da vida privada na Franca revolucionária. Aqueles que descreveram a revolução não envolviam (ou envolviam pouco) fatos de sua vida privada no aspecto público.
Tivemos durante e após a revolução francesa a mudança do regime absolutista monárquico para o republicano. Foram criados e instituídos símbolos presentes até hoje no cotidiano francês e que serviram, na época, para a tomada de uma consciência nacionalista. Notamos a influência da constituição francesa em boa parte das constituições mundiais: constituição essa que possibilitou a criação de um novo termo, “cidadão”, e de noções de direitos e deveres que cada um tem de se responsabilizar. O iluminismo foi o alicerce para os eventos que se seguiram a partir de 1789 na França.
Referências Bibliograficas
VOVELLE, Michel. (org.). França revolucionária (1789-1799). São Paulo: brasiliense, 1989.
GUIBERNAU, Montserrat. Nacionalismo: o estado nacional e o nacionalismo no século XIX. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997.
ANDERSON, Benedict. Nação e consciência nacional. São Paulo: Ática, 1989.
PERROT, Michelle (org.). História da Vida Privada 4: da Revolução Francesa à Primeira Guerra. São Paulo: Companhia das Letras, 1991.
A Revolução Francesa, 1789-1989. São Paulo: Istoé-senhor, 1989.
REVOLUÇÃO francesa. In: WIKIPÉDIA: a enciclopédia livre. Wikimedia, 2006. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Revolução_Francesa>. Acesso em: 13/9/2006
VOVELLE, Michael. A Revolução francesa e seu eco. Disponivel em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40141989000200003&lng=en&nrm=>. Acesso em: 15/9/2006
STEINBERGER, Margarethe Born. O Show da vida: Truman e o espaço público mal resolvido. Disponível em: <http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos/art051198a.htm>. Acesso em: 16/9/2006.
AGULHON, Maurice. A República francesa e seus símbolos. Disponível em: <http://www.ambafrance.org.br/abr/imagesdelafrance/republica.htm>. Acesso em: 25/9/2006
segunda-feira, 11 de junho de 2012
As sacolinhas Plásticas
Em um intenso debate com Vitória, falamos sobre as sacolinhas plásticas. "Falaram o que?" você pergunta. É o seguinte: essa onda de (supostamente) politicamente correto está se espalhando para todo os setores e chegou aos supermercados. Os seguintes casos aconteceram:
- Supermercado X aboliu o uso da sacolinha plástica e pede aos consumidores para trazerem caixas de papelão de modo a carregar as compras;
- Supermercado Y removeu a sacolinha plástica, mas você pode pagar (4 centavos) por cada sacolinha que você usar. A mesma sacolinha que eles removeram;
- Supermercado Z removeu a sacolinha, não oferece a sacolinha plástica, não a venda, mas oferece umas sacolas maiores, de papel, por um preço mais "caro" (R$2,00 a R$5,00).
Primeiro. Por que eles removeram? A justificativa é o meio ambiente. As sacolas plásticas causam um grande impacto, a degradação delas dura milhares de anos, blá blá blá. Louvável mesmo a atitude. Porem substituir por papelão traz os mesmos problemas. E o plástico não deixará de ser produzido só porque algumas sacolinhas sairão de linha (caso saiam, veja que o Supermercado Y continua a vendê-las)
Segundo. Mesmo nos supermercados que removeram a sacola, o preço dos produtos não diminuíram. Claro, há outros fatores envolvidos nos preços, mas não houve uma misera diminuição. Pressuponho que os custos de manter as sacolinhas estejam embutidos nos preços dos produtos. Será que estou certo? Se sim, então por que não diminuiu? Fica a pergunta.
Terceiro. Há um uso posterior da sacola. Podemos usá-la para guardar lixo. Claro, a sacola vai parar no lixão e ANIQUILAR o meio ambiente.
Quais serão então as possíveis soluções de menor impacto ambiental?
Nossa (dela) ideia é investir em sacos biodegradáveis ou de papel. Em larga escala, claro, para diminuir os custos. Ambos não ficam voando por aí (como acontece com os sacos plásticos), pois absorvem os resíduos do ambiente. Só que para fazer sacola de papel, é necessário derrubar umas árvores, né? É, mas as árvores não vão deixar de cair, então é o jeito menos pior. Há de se pensar em criar áreas de manejo sustentável que permita a criação de árvores somente para esse fim, respeitando o ambiente local e a biodiversidade (que discurso bonito, né?)
É que não adianta entrar numa floresta e destruir toda uma biodiversidade de árvores e animais que vivem por perto para produzir apenas Eucaliptos. Entende?
Segundo Vitória, é possível fazer um "uso mais racional das sacolas, usando sacos de papel". Para ela, "o problema está no destino final do lixo."
Temos que ter em mente que não podemos acreditar que remover sacolinha de plástico vai fazer uma diferença IMPACTANTE no mundo. Não vai. É utopia. Ideologia. As sacolas e OUTROS produtos de plástico continuarão a serem produzidos, até que haja uma alternativa viável (leia-se: barata e com grandes margens de lucro para quem produz). A iniciativa de removê-las é louvável, pois fomenta a discussão sobre os problemas e soluções são pensadas, mas remover apenas por remover não é a saída correta.
- Supermercado X aboliu o uso da sacolinha plástica e pede aos consumidores para trazerem caixas de papelão de modo a carregar as compras;
- Supermercado Y removeu a sacolinha plástica, mas você pode pagar (4 centavos) por cada sacolinha que você usar. A mesma sacolinha que eles removeram;
- Supermercado Z removeu a sacolinha, não oferece a sacolinha plástica, não a venda, mas oferece umas sacolas maiores, de papel, por um preço mais "caro" (R$2,00 a R$5,00).
Primeiro. Por que eles removeram? A justificativa é o meio ambiente. As sacolas plásticas causam um grande impacto, a degradação delas dura milhares de anos, blá blá blá. Louvável mesmo a atitude. Porem substituir por papelão traz os mesmos problemas. E o plástico não deixará de ser produzido só porque algumas sacolinhas sairão de linha (caso saiam, veja que o Supermercado Y continua a vendê-las)
Segundo. Mesmo nos supermercados que removeram a sacola, o preço dos produtos não diminuíram. Claro, há outros fatores envolvidos nos preços, mas não houve uma misera diminuição. Pressuponho que os custos de manter as sacolinhas estejam embutidos nos preços dos produtos. Será que estou certo? Se sim, então por que não diminuiu? Fica a pergunta.
Terceiro. Há um uso posterior da sacola. Podemos usá-la para guardar lixo. Claro, a sacola vai parar no lixão e ANIQUILAR o meio ambiente.
Quais serão então as possíveis soluções de menor impacto ambiental?
Nossa (dela) ideia é investir em sacos biodegradáveis ou de papel. Em larga escala, claro, para diminuir os custos. Ambos não ficam voando por aí (como acontece com os sacos plásticos), pois absorvem os resíduos do ambiente. Só que para fazer sacola de papel, é necessário derrubar umas árvores, né? É, mas as árvores não vão deixar de cair, então é o jeito menos pior. Há de se pensar em criar áreas de manejo sustentável que permita a criação de árvores somente para esse fim, respeitando o ambiente local e a biodiversidade (que discurso bonito, né?)
É que não adianta entrar numa floresta e destruir toda uma biodiversidade de árvores e animais que vivem por perto para produzir apenas Eucaliptos. Entende?
Segundo Vitória, é possível fazer um "uso mais racional das sacolas, usando sacos de papel". Para ela, "o problema está no destino final do lixo."
Sem contar que o papel também é compostável se não reciclável e é uma fonte renovável de matéria se reflorestado. Não voa porque absorve resíduo e não mata passarinho, peixe ou criança sufocado
Temos que ter em mente que não podemos acreditar que remover sacolinha de plástico vai fazer uma diferença IMPACTANTE no mundo. Não vai. É utopia. Ideologia. As sacolas e OUTROS produtos de plástico continuarão a serem produzidos, até que haja uma alternativa viável (leia-se: barata e com grandes margens de lucro para quem produz). A iniciativa de removê-las é louvável, pois fomenta a discussão sobre os problemas e soluções são pensadas, mas remover apenas por remover não é a saída correta.
Coerência: passe adiante
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Minimalismo e Desapego
Já faz uns anos que sou adepto dessa onda minimalista. No sentido de economia. Economizar espaços e coisas. Sempre achei meu quarto pequeno demais para os objetos que tinha (centenas de livros, cds, dvds e action figures. Centenas mesmo). Depois de muitas reflexões percebi que o problema talvez não fosse o quarto, mas sim eu. Eu que queria TER coisas demais, mesmo que isso não faça sentido. Principalmente hoje, quando podemos dispor de 3 desses 4 itens virtualmente (oi, internet?).
Houve uma disciplina que paguei na universidade, Museologia, na qual me identifiquei bastante. O professor falava muito do "fetiche de colecionador". Aquelas pessoas que precisam ter certos objetos apenas porque começaram a colecionar. É quase uma doença isso. Ele citou o exemplo da Revista Caras. Ela sempre vem com uma promoção, né? Compre a revista e ganhe o primeiro fasciculo de alguma coisa. Compre a revista e ganhe o primeiro CD de uma série de 100 de música clássica. Compre a revista e ganhe peças de um faqueiro. E as pessoas que são compulsivas, que tem esse fetiche, precisam ter TODAS. Se perdem uma edição, vão atrás do jornaleiro para encomendar, pedem pela internet, pagam mais caro por um simples objeto... tudo para tê-lo. Pelo significa que o mesmo representa para a pessoa. O professor, Helder, até comparou com a espada de Dom Pedro, o rapaz que proclamou a independência do Brasil. Uma espada qualquer, iguais a muitas espadas da época, apenas por ter sido de posse do imperador, torna-se um objeto de desejo.
Enfim.
Daí eu vi essa matéria sobre o homem que vive apenas com 15 objetos. Claro, tem gente ai vivendo com muito menos, mas esse não é o mérito da questão. O Andrew Hide, o homem do link acima, tem condições de possuir muito mais coisas do que os 15 objetos, mas optou pelo contrário. Não sei quais foram as intenções dele, se queria ajudar a salvar o mundo (ideologia) ou achava que tinha "entulho" demais em casa ou apenas achou mais prático para a vida dele. Sei que essa forma de ver o mundo condizia com o que eu achava. Veja bem, ele não abdicou de viagens, do lazer, da diversão, de sair com os amigos, da família, de nada. Apenas de boa parte dos objetos que achou desnecessário.
Então resolvi me livrar dos meus. Com os dvds e cds foi fácil, mas os livros tem toda aquela ligação emocional. Alguns deles estão cheios de anotações que fiz e refiz enquanto lia e relia. Mas hoje resolvi desapegar de alguns. A prioridade é me livrar dos que já e não penso em reler. Os que manterei serão aqueles com alguma ligação afetiva (Harry Potter, Senhor dos Anéis, O Guia do Mochileiro das Galáxias). Os que tenho e ainda não foram lidos, me esforçarei para lê-los. Vou tentar substituir todos por versões digitais. Essa epifania sobre os livros foi devido a outra leitura, iTunes, Steam e outros: como o paradigma de posse mudou ao longo dos anos (e como ele vai mudar ainda mais). Eu já tinha essa ideia, só faltava por em prática.
Mesmo sabendo que o papel dura bem mais como forma de armazenamento e é imune a pulsos eletromagnéticos, hackers e picos de luz, meu desejo de me desapegar desses objetos é porque já foram usados. Então tá tudo guardado dentro da minha cabecinha. Não preciso que algo dure mais de 100 anos, porque eu mesmo não vou durar tudo isso.
Algumas das coisas que já botei a venda:
Algums cds: https://www.facebook.com/groups/sebodesapego/permalink/456484531049689/
DVDS: https://www.facebook.com/groups/sebodesapego/permalink/456481207716688/
Livros: https://www.facebook.com/groups/sebodesapego/permalink/456487034382772/
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Mais livros: https://www.facebook.com/groups/sebodesapego/permalink/459583004073175/
Houve uma disciplina que paguei na universidade, Museologia, na qual me identifiquei bastante. O professor falava muito do "fetiche de colecionador". Aquelas pessoas que precisam ter certos objetos apenas porque começaram a colecionar. É quase uma doença isso. Ele citou o exemplo da Revista Caras. Ela sempre vem com uma promoção, né? Compre a revista e ganhe o primeiro fasciculo de alguma coisa. Compre a revista e ganhe o primeiro CD de uma série de 100 de música clássica. Compre a revista e ganhe peças de um faqueiro. E as pessoas que são compulsivas, que tem esse fetiche, precisam ter TODAS. Se perdem uma edição, vão atrás do jornaleiro para encomendar, pedem pela internet, pagam mais caro por um simples objeto... tudo para tê-lo. Pelo significa que o mesmo representa para a pessoa. O professor, Helder, até comparou com a espada de Dom Pedro, o rapaz que proclamou a independência do Brasil. Uma espada qualquer, iguais a muitas espadas da época, apenas por ter sido de posse do imperador, torna-se um objeto de desejo.
Enfim.
Daí eu vi essa matéria sobre o homem que vive apenas com 15 objetos. Claro, tem gente ai vivendo com muito menos, mas esse não é o mérito da questão. O Andrew Hide, o homem do link acima, tem condições de possuir muito mais coisas do que os 15 objetos, mas optou pelo contrário. Não sei quais foram as intenções dele, se queria ajudar a salvar o mundo (ideologia) ou achava que tinha "entulho" demais em casa ou apenas achou mais prático para a vida dele. Sei que essa forma de ver o mundo condizia com o que eu achava. Veja bem, ele não abdicou de viagens, do lazer, da diversão, de sair com os amigos, da família, de nada. Apenas de boa parte dos objetos que achou desnecessário.
Então resolvi me livrar dos meus. Com os dvds e cds foi fácil, mas os livros tem toda aquela ligação emocional. Alguns deles estão cheios de anotações que fiz e refiz enquanto lia e relia. Mas hoje resolvi desapegar de alguns. A prioridade é me livrar dos que já e não penso em reler. Os que manterei serão aqueles com alguma ligação afetiva (Harry Potter, Senhor dos Anéis, O Guia do Mochileiro das Galáxias). Os que tenho e ainda não foram lidos, me esforçarei para lê-los. Vou tentar substituir todos por versões digitais. Essa epifania sobre os livros foi devido a outra leitura, iTunes, Steam e outros: como o paradigma de posse mudou ao longo dos anos (e como ele vai mudar ainda mais). Eu já tinha essa ideia, só faltava por em prática.
Mesmo sabendo que o papel dura bem mais como forma de armazenamento e é imune a pulsos eletromagnéticos, hackers e picos de luz, meu desejo de me desapegar desses objetos é porque já foram usados. Então tá tudo guardado dentro da minha cabecinha. Não preciso que algo dure mais de 100 anos, porque eu mesmo não vou durar tudo isso.
Algumas das coisas que já botei a venda:
Algums cds: https://www.facebook.com/groups/sebodesapego/permalink/456484531049689/
DVDS: https://www.facebook.com/groups/sebodesapego/permalink/456481207716688/
Livros: https://www.facebook.com/groups/sebodesapego/permalink/456487034382772/
Mangás: https://www.facebook.com/groups/sebodesapego/permalink/457090497655759/
Mais DVDS: https://www.facebook.com/groups/sebodesapego/permalink/458848597479949/
Mais livros: https://www.facebook.com/groups/sebodesapego/permalink/459583004073175/
domingo, 9 de julho de 2017
ALMADA, Sandra. Mídia e educação no Brasil. in: Cadernos do terceiro mundo, n. 166, 1993.
Contexto histórico da chegada da televisão ao Brasil. Conflito de mídia contra as escolas e a leitura. Sugestões para combater a ideologia de massa feita pela televisão. Diferenças entre os paises de 1º e 3º mundo em relação á chegada da televisão. Mostra-se o impacto causado pela TV a população iletrada, choque esse que vem da manipulação de imagens e sons. Critica a escolarização via veículos de mídia, onde se “acena com uma escolarização rápida e fácil”. Aponta a evasão escolar e ressalta a tensão entre escola e sociedade devido à crise que essa sofre. Explicação do maior contingente atingido pela mídia é a de que “a mídia penetra em lugares onde o livro não entra, porque a energia elétrica é ainda mais barata que o livro”. Revela a falta do habito de leitura entre a população. Mostram-se soluções para tentar combater o que à mídia impõe. Critica ao livro didático como guia fundamental a educação. Estimulo a leitura de ficção para habituar o jovem leitor. Falta de incentivo do governo como referência a cultura.
sábado, 24 de março de 2012
Metropolis
Por que você baixou esse filme?
Eu não baixei. Jordana me falou de um evento que rola toda sexta a tarde na UFRN chamado "Cinesophia". É um algum tipo de projeto do curso de Filosofia de assistir e debater sobre um determinado filme numa determinada temática. Mas as palavras-chaves que me conquistaram foram "tem certificado". E eu preciso de horas extras-curriculares agora que reingressei na licenciatura. Então fui lá ver.
(Esse é Metropolis de Fritz Lang, de 1927. Não confundir com o anime homônimo de Osamu Tezuka de 2011)
Mas e aí, do que é que ele fala?
Vamos ver o que a Wikipedia diz sobre Metropolis:
Fiz várias anotações durante o filme. Algumas anacrônicas. Vamos a elas.
1. Antes de ver o filme, eu procurei uma sinopse do mesmo. Sem ver imagem ou nada, só consegui lembrar de Matrix, devido as maquinas escravizarem os homens. Não é bem assim no filme, mas a lembrança faz sentido.
2. O Freder, filho do dono de Metropolis, vive numa redoma, né? Até que ele é acordado para a realidade por uma mulher.
3. Lembrei do Mito da Caverna, só que da perspectiva de quem está fora dela. Afinal Freder não era um trabalhador que encontrou "a luz". A garota Maria seria essa pessoa, só que o filme não é visto da perspectiva dela, então...
4. A roupa branca dele denotava, pra mim, a questão dele ser o iluminado, o salvador. Ninguém mais vestia roupa branca no filme, nem mesmo a elite da cidade. Pensei que era um sinal de diferenciação, mas só vale para o protagonista mesmo.
5. Uma pergunta: por que ele acha que as crianças e os habitantes do subsolo são irmãos dele? De onde ele tirou isso? Apenas porque Maria falou?
6. O trabalhador que mexe naquelas maquinas semelhantes a relógios me lembrou aquela brincadeira... Twister.
7. Hel era o nome da esposa falecida do criador de Metropolis, Joh Fredersen. Ao que parece, ela foi pivô de uma crise entre Rotwang e Joh Fredersen. O porque disso não ficou claro.
8. A mão mecânica do cientista me lembrou Fullmetal Alchemist. Aquele principio da Touka Koukan, a Lei da Troca Equivalente, ou seja, para conseguir algo, é preciso dar em troca outra coisa de valor equivalente. Rotwang queria um robô perfeitamente humano e a mão foi um preço a pagar.
9. Quando falaram da Torre de Babel, disseram que todos falavam a mesma linguá e mesmo assim não se compreendiam. No sentido de não entrarem em comum acordo. Achei interessante isso. A história que conheço, a bíblica, disse que as pessoas "ganharam" outra língua justamente para evitar entenderem-se e finalizar a torre. Mas essa explicação de Metropolis faz sentido, né? Pensei nos problemas internos de um país, família, trabalhadores... todos falam a mesma língua, mas isso não implica concordância. Bem bolado.
10. Pergunta: por que havia estrelas na porta de algumas pessoas e na de outras não? Sim, eu sei que era para diferenciar algo, mas o que?
11. Pergunta: quando Freder passou mal, foi por ele ter realmente passado mal ou foi algum tipo de "magia" feita pelo robô?
12. Achei fantástico o raciocínio de Joh Fredersen permitindo que os trabalhadores ficassem sem vigília de modo a eles começaram primeiro os protestos. Isso daí legitimaria a violência que a elite iria praticar. Afinal, foram os trabalhadores que começaram primeiro, né?
13. Lembrei do "violência gera violência". Quase sempre verdade essa máxima. Seria ela uma ideologia?
14. A figura feminina é bastante proativa no filme. Na verdade, ela que faz tudo acontecer.
15. As crianças já eram vistas como simbolo de esperança e renovação.
16. O Marxismo presente na disputa de classes.
17. No final, a ideia que me veio a cabeça é que a responsabilidade é sempre das pessoas, não dos objetos.
18. "O mediador entre a cabeça e as mãos deve ser o coração".
Poderia me mostrar algumas imagens?
Eu não baixei. Jordana me falou de um evento que rola toda sexta a tarde na UFRN chamado "Cinesophia". É um algum tipo de projeto do curso de Filosofia de assistir e debater sobre um determinado filme numa determinada temática. Mas as palavras-chaves que me conquistaram foram "tem certificado". E eu preciso de horas extras-curriculares agora que reingressei na licenciatura. Então fui lá ver.
(Esse é Metropolis de Fritz Lang, de 1927. Não confundir com o anime homônimo de Osamu Tezuka de 2011)
Mas e aí, do que é que ele fala?
Vamos ver o que a Wikipedia diz sobre Metropolis:
O enredo é ambientado no século XXI, numa grande cidade governada autocraticamente por um poderoso empresário. Os seus colaboradores constituem a classe privilegiada, vivendo num jardim idílico, como Freder, único herdeiro do dirigente de Metropolis.
Os trabalhadores, ao contrário, são escravizados pelas máquinas, e condenados a viver e trabalhar em galerias no subsolo. Num meio de miséria entre os operários, uma jovem, Maria, destaca-se, exortando os trabalhadores a se organizarem para reivindicar seus direitos através de um escolhido que virá para os representar.
Fiz várias anotações durante o filme. Algumas anacrônicas. Vamos a elas.
1. Antes de ver o filme, eu procurei uma sinopse do mesmo. Sem ver imagem ou nada, só consegui lembrar de Matrix, devido as maquinas escravizarem os homens. Não é bem assim no filme, mas a lembrança faz sentido.
2. O Freder, filho do dono de Metropolis, vive numa redoma, né? Até que ele é acordado para a realidade por uma mulher.
3. Lembrei do Mito da Caverna, só que da perspectiva de quem está fora dela. Afinal Freder não era um trabalhador que encontrou "a luz". A garota Maria seria essa pessoa, só que o filme não é visto da perspectiva dela, então...
4. A roupa branca dele denotava, pra mim, a questão dele ser o iluminado, o salvador. Ninguém mais vestia roupa branca no filme, nem mesmo a elite da cidade. Pensei que era um sinal de diferenciação, mas só vale para o protagonista mesmo.
5. Uma pergunta: por que ele acha que as crianças e os habitantes do subsolo são irmãos dele? De onde ele tirou isso? Apenas porque Maria falou?
6. O trabalhador que mexe naquelas maquinas semelhantes a relógios me lembrou aquela brincadeira... Twister.
7. Hel era o nome da esposa falecida do criador de Metropolis, Joh Fredersen. Ao que parece, ela foi pivô de uma crise entre Rotwang e Joh Fredersen. O porque disso não ficou claro.
8. A mão mecânica do cientista me lembrou Fullmetal Alchemist. Aquele principio da Touka Koukan, a Lei da Troca Equivalente, ou seja, para conseguir algo, é preciso dar em troca outra coisa de valor equivalente. Rotwang queria um robô perfeitamente humano e a mão foi um preço a pagar.
9. Quando falaram da Torre de Babel, disseram que todos falavam a mesma linguá e mesmo assim não se compreendiam. No sentido de não entrarem em comum acordo. Achei interessante isso. A história que conheço, a bíblica, disse que as pessoas "ganharam" outra língua justamente para evitar entenderem-se e finalizar a torre. Mas essa explicação de Metropolis faz sentido, né? Pensei nos problemas internos de um país, família, trabalhadores... todos falam a mesma língua, mas isso não implica concordância. Bem bolado.
10. Pergunta: por que havia estrelas na porta de algumas pessoas e na de outras não? Sim, eu sei que era para diferenciar algo, mas o que?
11. Pergunta: quando Freder passou mal, foi por ele ter realmente passado mal ou foi algum tipo de "magia" feita pelo robô?
12. Achei fantástico o raciocínio de Joh Fredersen permitindo que os trabalhadores ficassem sem vigília de modo a eles começaram primeiro os protestos. Isso daí legitimaria a violência que a elite iria praticar. Afinal, foram os trabalhadores que começaram primeiro, né?
13. Lembrei do "violência gera violência". Quase sempre verdade essa máxima. Seria ela uma ideologia?
14. A figura feminina é bastante proativa no filme. Na verdade, ela que faz tudo acontecer.
15. As crianças já eram vistas como simbolo de esperança e renovação.
16. O Marxismo presente na disputa de classes.
17. No final, a ideia que me veio a cabeça é que a responsabilidade é sempre das pessoas, não dos objetos.
18. "O mediador entre a cabeça e as mãos deve ser o coração".
Poderia me mostrar algumas imagens?
sexta-feira, 9 de março de 2012
O tal do Joseph Kony e o rapto das criancinhas
Pra quem já assistiu filmes como Hotel Ruanda, Diamante de Sangue, O Último Rei da Escócia, O Jardineiro Fiel, etc, sabe que a situação de alguns países da África não é nada boa. Daí tá rolando um filme no YouTube sobre Joseph Kony, um líder de uma guerrilha que rapta criancinhas, faz maldades, essas coisas feias da humanidade. E o vídeo apela para que você torne Kony famoso. Pelos seus crimes, claro. Só assim fariam com que os EUA (os salvadores o mundo, né?) fossem lá capturá-lo/matá-lo. E apela pra nós, a geração facebook.
Googlei um pouco e vi que há o outro lado. Os que acreditam que isso é um embuste (dos grandes, se for) dos EUA. Uma verdadeira propaganda de guerra para validar uma suposta invasão a Uganda (país de origem do Kony) e outros países da África (afinal Kony tá fugindo, né?). Afinal, não foi assim que invadiram o Iraque? Alegando armas de destruição em massa que nunca foram encontradas?
Os motivos para invadir esses países? Econômicos, claro. Podem estar atrás de minérios, mão-de-obra barata, expansões de grandes conglomerados (alô, Coca Cola e McDonald's). Vai saber!
Ou então pode não ser nada disso.
Não tô dizendo que nada deva ser feito para impedir o rapto e a matança, mas sim que as coisas não são preto-no-branco como o vídeo se propõe.
Aqui o filme sobre Kony (30 minutinhos só, legendado em ptbr)
Outros links bacanas sobre o assunto:
Googlei um pouco e vi que há o outro lado. Os que acreditam que isso é um embuste (dos grandes, se for) dos EUA. Uma verdadeira propaganda de guerra para validar uma suposta invasão a Uganda (país de origem do Kony) e outros países da África (afinal Kony tá fugindo, né?). Afinal, não foi assim que invadiram o Iraque? Alegando armas de destruição em massa que nunca foram encontradas?
Os motivos para invadir esses países? Econômicos, claro. Podem estar atrás de minérios, mão-de-obra barata, expansões de grandes conglomerados (alô, Coca Cola e McDonald's). Vai saber!
Ou então pode não ser nada disso.
Não tô dizendo que nada deva ser feito para impedir o rapto e a matança, mas sim que as coisas não são preto-no-branco como o vídeo se propõe.
Aqui o filme sobre Kony (30 minutinhos só, legendado em ptbr)
Outros links bacanas sobre o assunto:
O que é ideologia?
Kony 2012 – Mentiras, Propaganda e a Legitimação de Mais Guerra
As causas da invasão ao Iraque e seus efeitos
Embuste
Invisible Children
The Problem With Invisible Children's "Kony 2012"
Uprooted and Forgotten: Impunity and Human Rights Abuses in Northern Uganda
Joseph Kony 2012: growing outrage in Uganda over film
Imagem satirizadora
Visible Children
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
História não é o passado
Mas sim uma elaboração do passado a partir de uma perspectiva contemporânea.
Por exemplo: Tiradentes. Durante o império ele era um traidor. Um traidor do Brasil. Se voltou contra a família real e ideologia monarquista vigente. Até porque, na época, o Brasil era tido como uma continuidade de Portugal. Se pretendia aplicar os valores de lá por aqui. Não é a toa o investimento que a corte fez pra fazer do Rio de Janeiro um local habitável. Aos moldes europeus, claro. Então. Tiradentes foi retratado assim - como traidor - nos primeiros livros de história. Mas então veio a república. E Tiradentes virou herói. Um vanguardista. Porque "ele" teve idéias bacanas. De ruptura e tudo o mais. Daí a gente vê essa imagem e se pergunta: Cristo? Não. Tiradentes. Perspectiva contemporânea.
Por exemplo: Tiradentes. Durante o império ele era um traidor. Um traidor do Brasil. Se voltou contra a família real e ideologia monarquista vigente. Até porque, na época, o Brasil era tido como uma continuidade de Portugal. Se pretendia aplicar os valores de lá por aqui. Não é a toa o investimento que a corte fez pra fazer do Rio de Janeiro um local habitável. Aos moldes europeus, claro. Então. Tiradentes foi retratado assim - como traidor - nos primeiros livros de história. Mas então veio a república. E Tiradentes virou herói. Um vanguardista. Porque "ele" teve idéias bacanas. De ruptura e tudo o mais. Daí a gente vê essa imagem e se pergunta: Cristo? Não. Tiradentes. Perspectiva contemporânea.
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
A Bolsa
Os empreendedores capitalistas sempre almejam o neoliberalismo como ideologia economica. Claro que essa política só é usada quanto eles estão lucrando. Quando a coisa vai mal, apelam.
É o caso desta crise que está afetando o mundo inteiro. Os empresários, capital privado, pedem auxílio financeiro ao estado. Quem diria, né? O problema é que se o capital público, dinheiro de nossos impostos, não for usado para evitar a crise, quem irá sofrer somos nós. As empresas falirão e os empregados ficarão desempregados. A consequência direta do desemprego, ao meu ver, é a marginalização da população. Disto, dá pra enumerar outros fatores que fariam a sociedade ruir. É o verdadeiro colapso da econômia mundial.
A grande diferença desta crise atual para a Crise da Bolsa de Nova Iorque em 1929 é que a lição foi aprendida. Agora o estado não deixa a econômia a bel-prazer e intervem diretamente na mesma de modo a diminuir os efeitos de uma crise.
É o dinheiro público financiando a crise privada. Qual a solução? Não sei.
É o caso desta crise que está afetando o mundo inteiro. Os empresários, capital privado, pedem auxílio financeiro ao estado. Quem diria, né? O problema é que se o capital público, dinheiro de nossos impostos, não for usado para evitar a crise, quem irá sofrer somos nós. As empresas falirão e os empregados ficarão desempregados. A consequência direta do desemprego, ao meu ver, é a marginalização da população. Disto, dá pra enumerar outros fatores que fariam a sociedade ruir. É o verdadeiro colapso da econômia mundial.
A grande diferença desta crise atual para a Crise da Bolsa de Nova Iorque em 1929 é que a lição foi aprendida. Agora o estado não deixa a econômia a bel-prazer e intervem diretamente na mesma de modo a diminuir os efeitos de uma crise.
É o dinheiro público financiando a crise privada. Qual a solução? Não sei.
sábado, 1 de outubro de 2005
Manipulação das massas na ditadura militar
O contexto da ditadura militar no Brasil está relacionado ao contexto mundial da guerra fria, mundo bipolar, capitalismo representado pelos Estados Unidos contra o socialismo da União Soviética. Os EUA faziam de tudo para evitar que o socialismo não se propagasse pela américa latina, mas mesmo assim Cuba se tornou um país socialista. Isso deixou os americanos tristes e então eles começaram a apoiar as ditaduras militares na america latina - não aconteceu só no Brasil - para evitar a propagação do socialismo.
Usavam de sua ideologia, onde tudo que vinha dos países socialistas era ruim e deveria ser banido. Nessa lógica, usaram de muitas mensagens subliminares (?) que até hoje estão incutidas no pensamento popular.
Vejamos algumas:
"A situação tá russa": quando algo está ruim, algo está "russo".
"Tô no vermelho": tá devendo dinheiro a alguém e não tem como pagar? a situação está no vermelho! alusão as cores representativas da urss.
"Vá pra china!": está com raiva de alguém? mande ele ir pra china, lá não deve ser um bom lugar.
Cuba libre: Cuba é famosa pela sua produção de Rum. Cuba Libre é uma bebida em que você mistura Rum (cuba) com Coca Cola (eua), dando assim origem a Cuba Livre.
Alguém sabe mais?
Usavam de sua ideologia, onde tudo que vinha dos países socialistas era ruim e deveria ser banido. Nessa lógica, usaram de muitas mensagens subliminares (?) que até hoje estão incutidas no pensamento popular.
Vejamos algumas:
"A situação tá russa": quando algo está ruim, algo está "russo".
"Tô no vermelho": tá devendo dinheiro a alguém e não tem como pagar? a situação está no vermelho! alusão as cores representativas da urss.
"Vá pra china!": está com raiva de alguém? mande ele ir pra china, lá não deve ser um bom lugar.
Cuba libre: Cuba é famosa pela sua produção de Rum. Cuba Libre é uma bebida em que você mistura Rum (cuba) com Coca Cola (eua), dando assim origem a Cuba Livre.
Alguém sabe mais?
domingo, 9 de julho de 2017
A sociedade burguesa oitocentista - “A cidade e suas representações – O lar e os ritos da vida burguesa”
Introdução
Este trabalho visa mostrar como eram as cidades industriais durante o período entre a revolução francesa e a primeira guerra, bem como mostrar o cotidiano privado da burguesia durante esta época.
Quanto a representação das cidades industriais, será mostrado como elas se formaram, o que influenciou nessa formação, a mão-de-obra que vinha para trabalhar nas fábricas, como elas se organizaram, os problemas gerados pelo grande número de pessoas em relação a produção das indústrias. Alem disso, será mostrada a visão da arte literária, ou seja, como ela via estas mudanças.
Os aspectos apresentados em relação a sociedade burguesa são os registros que estes usaram para guardar suas lembranças, como era o dia-a-dia, o que faziam no âmbito privado, as reuniões familiares e as recepções para os amigos, o modo de se convidar estas pessoas, o que acontecia nestas festas, as principais festas anuais (maioria de cunho religioso), o local de descanso durante as férias, o ritual do casamento (desde a escolha do noivo(a) até a cerimônia), batismo e primeira comunhão.
A cidade burguesa oitocentista
A cidade e suas representações
A formação das cidades industriais no século XVIII foi decisivamente influenciada pelas revoluções ocorridas na Inglaterra, tanto a indústria do algodão, como também as novas invenções e aperfeiçoamentos da maquinofatura (máquina a vapor, tear mecânico).
A tríade formadora desta cidade “CokeTown” foram as minas, as fábricas e as ferrovias. Esses três fatores eram relacionados da seguinte forma: as minas foram exploradas para garantir carvão mineral e minério de ferro. O carvão mineral era usado nas fábricas como fonte de energia, enquanto o minério de ferro funcionava como matéria prima na construção de ferrovias, dentre outras obras.
Além destes favorecimentos ambientais, a Inglaterra dispunha de uma mão-de-obra vasta, gerada tanto pelo deslocamento da população, como pela “espantosa ascensão no índice de crescimento demográfico”. Este último fato é explicado pela difusão da agricultura pelo continente, fazendo com que técnicas fossem surgindo e outras aperfeiçoadas.
Essa massa urbana que compôs o operariado industrial organizou-se em metrópoles que cresciam desordenadamente. Assim como “todos os caminhos levam a Roma”, todas as ferrovias construídas conduziam as minas. “Aonde quer que fossem os trilhos da estrada de ferro, aí também iam a mina e os seus destroços”. E para onde as matérias primas advindas das minas eram levadas? Para perto das fábricas. E onde ficavam as fábricas? No centro das grandes metrópoles. Foi a partir deste centro que as cidades começaram a desenvolver-se. Contudo, não podemos esquecer da importância da aproximação entre as fábricas e os leitos d’água. Esta força mecânica era usada para bombear as maquinas à vapor.
Esta grande improvisação promovida pelos operários para se acomodarem na cidade industrial gerou problemas de ordem ambiental, sanitário e logístico (caso da construção e ordenação das novas habitações a serem construídas). A questão ambiental estava diretamente ligada a poluição do ar, pelas fábricas, e dos rios, através do chamado lixo tóxico. Estes dois fatores afetavam diretamente a questão sanitária, seja por meio da higiene pessoal (água poluída) seja pelo risco direto a saúde (ar poluído inalado pelos pulmões, esgotos a céu aberto, fazendo com que os ratos se proliferassem). Quanto ao fator logístico, podemos citar Lewis Munford quando este diz:
“Mudanças extraordinárias de escala tiveram lugar nas massas de edifícios e nas áreas que eles cobriam: vastas estruturas eram erigidas quase da noite para o dia. Os homens construíam aceleradamente e mal tinham tempo para se arrependerem de seus erros, antes de derrubarem as estruturas originais e construís de novo, com igual descuido. Os recém-vindos, bebês ou imigrantes, não podiam esperar pelos novos bairros: acumulavam-se onde quer que houvesse espaço disponível.”
A justificativa para estes problemas de ordem sócio-ambiental baseava-se em uma projeção dos utilitaristas sobre o destino humano e pela valorização do capital especulativo pelas classes superiores. ”Em todos os bairros, os antigos princípios de educação aristocrática e cultura rural eram substituídos por uma devoção unilateral ao poder industrial e ao sucesso pecuniário, algumas vezes disfarçada de democracia.”
As cidades apresentavam formas de composição e decomposição simultâneas. “Um serviço postal universal, a locomoção rápida e a comunicação quase instantânea por meio do telegrafo e do cabo submarino”. Estes serviços apresentados significaram a sincronização das atividades das massas. Por outro lado, o conceito de decomposição (Abbau) estava ligado ao desequilíbrio ecológico causado pela ação predatória do homem.
A destruição da fauna (extinção de algumas espécies) e da flora (dizimação das florestas, degradação dos solos) estava ligada a ideologia do utilitarismo, que pregava uma não-intervenção direta na economia, pois esta seria gerida através de uma providencia divina. As conseqüências deste pensamento são descritas a seguir:
“Foi seguindo o que presumiam ser o modo da natureza que o industrial e o funcionário municipal produziram a nova espécie de cidade, um amontoado humano fundido e desnaturado, adaptado não as necessidades da vida, mas a mítica “luta pela existência”; um ambiente cuja própria deterioração testemunhava o quanto era impiedosa e intensa aquela luta. Não havia lugar para o planejamento no traçado daquelas cidades. O caos não precisava ser planejado”.
Uma outra forma de representar as cidades industriais era através da arte. Em um poema de Wordsworth de 1850, este atenua, mas não altera de modo essencial a visão de uma cidade estereotipada pelos avanços tecnológicos:
“o que a própria cidade é
Para todos, fora alguns extraviados,
Para toda a multidão de habitantes;
Um mundo indistinguível para os homens,
Escravos das mais vis aspirações,
Que vivem em meio a um perpetuo fluxo
De objetos triviais, que se confundem
Numa identidade, por diferenças
Que não têm lei, significado ou fim”
Analisando alguns trechos deste poema, podemos relacioná-los sobre o que é dito sobre a revolução.
“Para toda a multidão de habitantes; / Um mundo indistinguível para os homens / Escravos das mais vis aspirações” retrata a forma pelas quais os antigos trabalhadores especializados passaram a ser apenas mais um operário industrial exercendo uma função única e repetitiva. Além disso, estes trabalhadores dispunham de péssimas condições de trabalho, não tinham direitos trabalhistas, a jornada de trabalho era extensa e o salário era baixo. Para piorar a situação destes trabalhadores, havia uma outra massa enorme de pessoas dispostas a tomar o seu lugar, pois mesmo sendo um trabalho degradante, era uma forma de sobrevivência. Mulheres e crianças, inclusive, visavam o emprego e sua situação era bem inferior a do sexo masculino. As formas de reivindicações utilizadas por estes empregados foram: a união em espécies de sindicatos, conhecidos com trade unions, para lutar por melhores condições de trabalho, o movimento Ludista, que consista na invasão e destruição das maquinas da fábrica e o Cartismo, que atuava de maneira mais politizada.
“Que vivem em meio a um perpetuo fluxo / De objetos triviais, que se confundem / Numa identidade, por diferenças / Que não têm lei, significado ou fim”. Possivelmente se refere tanto a grande corrente de pessoas que migraram do campo para a cidade e de um país para o outro (Isto está bem descrito no texto de Munford, quando este diz que “Esse movimento de pessoas, essa colonização do território, tomou duas formas: o pioneirismo da terra e o pioneirismo da indústria”), como também a enorme quantidade de produtos fabricados (objetos triviais) e o encalhe destes devido a superprodução (não tem lei, significado ou fim)
A cidade burguesa oitocentista
O lar e os ritos da vida privada burguesa
A família burguesa pode ser estudada hoje devido a grande documentação que se tem da mesma. Estes registros estão presentes, basicamente, nas artes (nos quadros que retratavam o cotidiano burguês), nos diários íntimos (no qual eram expressos as suas lembranças), nos álbuns de família (com a função de determinar a passagem do tempo, como também a de retratar, por exemplo, o modo de se vestir da época) e por cartas.
Esses registros nos dão uma idéia de como era o lado particular dessa elite: “(...) o quadro ideal da felicidade é o circulo familiar, e o meio para conquistar essa felicidade é a boa administração do tempo e do dinheiro.” Dentro desse lar, o papel gerenciador pertencia a mulher, pois ela tinha a incumbência de organizar a festividade. Um aspecto destacável era o entrelaçamento entre o “público” (convidados “de fora”, habitualmente amigos do marido) e o “privado” (a própria recepção organizada no lar). O homem voltava seus maiores esforços para a vida publica e só em alguns casos dispunha de tempo para dar atenção efetiva a família. “A vida privado é o refúgio onde os homens descansam do cansaço do trabalho e do mundo exterior”
As atividades do cotidiano, como as refeições, constituíam um encontro com a família, pois era o momento no qual todos estavam reunidos. Uma outra atividade bastante usual eram as visitas. “As ocasiões de visitas são múltiplas: visitas “digestivas” (...) visitas “de cortesia” (...) visitas de felicitações (...) de condolências, de cerimônia (...) de despedida e de retorno” Para todos estas visitas havia a necessidade de se apresentar por meio de cartões. Sem isso, era considerada uma ofensa e um incômodo. Sobre os serões, o intervalo de tempo entre a jantar e a hora de dormir, o autor nos mostra que, no caso privado, com a família, é o momento da “conversa intima”. Quando havia pessoas extra-familiares, estimulava-se espontaneamente “grupos de instrumentistas ou cantores”, além de um teatro amador, jogos de adivinhação (charadas), entre outros.
Um outro ponto de reunião eram as festas, em sua maioria, de cunho religioso, pois mesmo não sendo cristão, o calendário o era. Dessa forma, as festividades mais importantes eram o Natal, a Páscoa, Finados, Reveillon (de origem católica) e os eventuais casamentos.
No Natal havia o costume, importado do estrangeiro, de montar um presépio e enfeitar um pinheiro. O reveillon significava, naquela época, “uma refeição extraordinária que se faz no meio da noite. Particularmente, a que se faz na noite de natal”, ou seja, não tem o mesmo sentido de hoje, de comemorar uma passagem de ano. Tempos depois, “o reveillon se generaliza como festa profana na segunda metade do século” Os presentes, “chamados indistintamente de presentes de fim de ano”, eram dados no primeiro dia do ano. As figuras de Papai Noel e do menino Jesus coexistiram, contudo a primeira sobrepujou gradualmente a segunda.
A páscoa simbolizava os elementos cristãos: a ressurreição de cristo, o dever de confessar e de comungar. Ao mesmo tempo, era a época de presentes escondidos dentro dos ovos doces e correspondia ao inicio da primavera. Por outro lado, o dia de finados representava o começo de outra estação, o inverno. Esse culto aos mortos foi instaurado na metade do século XIX e “homologado” graças a três correntes de pensamento: a positivista, que mostra o cemitério como uma continuidade do sentimento familiar e do civismo, os católicos e a ciência, que demonstra que morar perto de cemitérios não acarretava riscos para os vivos. Assim, o cemitério torna-se “um ponto de visitação” .
Uma pratica copiada da aristocracia, foi a ida para o campo durante as férias de verão. A burguesia da capital alugava casas no campo para passar a temporada, enquanto a burguesia do interior passava esta temporada em suas próprias propriedades. Os habitantes comuns da cidade passeavam pelo campo aos domingos. Por que a burguesia buscava esse lazer? “(...) instaurou-se a noção de “férias” como uma mudança necessária das atividades e do gênero de vida. O descanso e os benefícios da natureza parecem oferecer uma contrapartida ao modo de vida urbano e industrial” . Isso quer dizer que a burguesia encontrava no campo um refugio para a vida “tumultuada” na cidade. Sobre as férias, o autor diz ainda o seguinte:
“As férias são vistas como uma necessidade e reivindicadas como um direito. (...) a evolução geral da sociedade, que leva da vilegiatura aristocrática à idéia de direito ao lazer – e, indo mais longe, as férias remuneradas de1936 -, é visível na história das férias e feridos escolares.”
O que antes era considerado como “extraordinário”, tirar férias, passou a ser comum.
Um dos ritos religiosos obrigatório era o batismo. Este devia ser celebrado nos primeiros três dias após o nascimento da criança, contudo este tempo foi se alongando para que a mãe pudesse participar do ato. Neste batismo, é escolhido o nome da criança e são dados presentes ao bebê. O padrinho do primeiro filho era geralmente o avô paterno e a madrinha a avó materna. No nascimento de um segundo filho, os papeis se invertem e a o padrinho passa a ser o avô materno e a madrinha a avo paterna.
A primeira comunhão, outro rito comum, era feita geralmente aos doze anos de idade, pois seria a idade em que a criança poderia “distinguir entre o bem e o mal, entre o pão da eucaristia e o pão comum”, segundo o Concilio de Latrão, ocorrido no século XIII.
Entretanto, o mais importante dos ritos, aquele que dividia a vida entre o “antes” e o “depois”, era o casamento. Para se chegar ao casamento, são necessárias algumas etapas. A primeira delas é encontrar o cônjuge. A teia social permitia que esses encontros acontecessem em “feiras de caridade, atividades esportivas (tênis ou patinação), saraus dançantes” . Contudo, a mãe é quem avalia os dotes e compara os partidos presentes. Existiam também as “casamenteiras”, mulheres que inspiravam confiança e que por isso arranjavam encontros entre os jovens. “A linha política ou religiosa também era levada em consideração”
Encontrado a pessoal “ideal”, partia-se então para o noivado.
“O rapaz que quer casar deve transmitir sua proposta aos pais da moça por intermédio de uma pessoa amiga. Se a proposta é aceita, seus pais vão apresentar um pedido formal aos pais da senhorita. A partir daí, o pretendente e torna o noivo oficial, e é recebido como tal na casa de sua futura esposa. Em sua primeira visita, marca-se a data do jantar de noivado.”
Este noivado dura entre três semanas a, geralmente, dois meses. Quanto ao contrato de casamento, este era discutido entre as duas famílias. Os noivos deveriam parecer desatentos, de modo que não os julgassem que estavam pensando em dinheiro e não no amor. Por ocasião do contrato, realizava-se um baile. “O contrato de casamento é uma característica burguesa.” No dia desta assinatura de contrato, o noivo dá a noiva uma corbelha, ou seja, uma cesta com presentes, que mais tarde será substituída – a cesta – pelas próprias embalagens dos produtos.
Durante o período de noivado, a moça faz o seu enxoval. O enxoval feminino consiste nas roupas pessoais, de cama, mesa e banho. O masculino leva apenas as roupas pessoais. “A grande diferença entre um enxoval rico e um enxoval modesto consiste nas rendas, peles, roupas de casa e na delicadeza das peças intimas”.
O casamento era realizado tanto no plano civil quanto religioso e ambos podiam acontecer no mesmo dia. Contudo, para evitar atrasos por parte das autoridades, o casamento civil era realizado, geralmente, antes do religioso. O casamento civil é, teoricamente, gratuito, mas geralmente há uma contribuição para o prefeito distribuir no distrito. Já a cerimônia do casamento religioso é paga, tanto no caso dos católicos quanto no dos judeus.
“A cerimônia de casamento é, sem duvida, o rito privado mais público. (...) Até o final do século XIX, apenas a esposa usa aliança. A aliança masculina, moda estrangeira, passa a fazer parte dos costumes na virada do século, mas sem qualquer obrigatoriedade”.
Finalmente, após todas essas etapas, chega a hora da viagem de núpcias. Essa tradição começa a partir de 1830 e consiste na ida para o campo afastado da cidade grande. O objetivo lua-de-mel era garantir a intimidade do casal, evitando a intromissão das famílias no lar.
Conclusão
Podemos concluir com este ensaio monográfico que a já pré-estabelecida burguesia, surgida na idade media, se encaixou perfeitamente com a revolução industrial, pois ela que dominava o sistema de produção. Pudemos perceber neste ensaio que a burguesia tinha também o seu lado “humano”, seus próprios rituais, a maioria destas baseadas no calendário cristão (a Igreja ainda exerce uma influência na sociedade, mesmo que não no sentido direto propriamente dito). Verificamos também o quanto eles queriam se igualar a nobreza/aristocracia, copiando até mesmos seus rituais.
Quanto a cidade, esta teve seu cenário profundamente alterado. Pudemos perceber que houve uma forte migração do campo para a cidade e a falta de um planejamento adequado fez com que esta se tornasse uma verdadeira desordem. Além disso, a vida na cidade era de continuas inovações, visto que o consumismo era uma das palavras chaves da época, fazendo com que novas modas surgissem e assim uma nova demanda de produtos para a sociedade, como sugere o texto “Harrod’s, o altar da moda”.
Bibliografia utilizada
- MARTIN-FUGIER, Anne. Os ritos da vida privada burguesa. In: PERROT, Michelle (org.). História da Vid Privada, 4: da Revolução Francesa à Primeira Guerra. São Paulo: CIA das Letras, 1991.
- REVOLUÇÃO Industrial. In: SUA PESQUISA. Disponível em: <http://www.suapesquisa.com/industrial>. Acesso em 16/11/2006.
- MUNFORD, Lewis. A cidade na história: suas origens, transformações e perspectivas. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998. p. 485.
- WILLIAMS, Raymond. O campo e a cidade na história e na literatura. São Paulo: Companhia das Letras, 1989. p.212.
- MUNFORD, Lewis. A cidade na história: suas origens, transformações e perspectivas. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998
- CHALOT, Mônica. MARX, Roland (orgs.). Londres, 1851-1901: a era vitoriana ou o triunfo das desigualdades. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1993.
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