Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.
(Bertolt Brecht)
segunda-feira, 9 de setembro de 2019
Seres humanos são como legos
"I’ve learned that we human beings are like legos— just because you are in pieces, does that mean you are broken? NO. You sometimes just have to disassemble and put all the parts back right again— and that takes time, perseverance, and a ton of patience. But if you never quit, you will achieve your goal. Remember— YOU ARE NOT BROKEN, YOU ARE JUST NOT FINISHED. KEEP BUILDING!" (Terry Crews no Instagram)
quinta-feira, 5 de setembro de 2019
quarta-feira, 4 de setembro de 2019
O caso das garotas dançando funk em uma escola em Brasília
As garotas estavam no intervalo, no banheiro, dançando. Sem camisa, beleza, mas não dá pra ver peito nenhum, porque estavam de frente pra parede. Dançando. Não estava atrapalhando aula alguma. A arma era de brinquedo. Daquelas de plástico que vende em qualquer lojinha de departamento. Uma das meninas gravava enquanto as outras quatro dançavam e compartilhou com os amigos das redes sociais (instagram, creio eu). O vídeo viralizou por ido parar nos meios de comunicação. E aí o Brasil da internet viu que as meninas estavam... dançando. Não estavam matando, roubando, fazendo bullying com o coleguinha, dando hate na internet, mentindo, caluniando, injuriando, não estavam destruindo a escola, pichando as carteiras, quebrando cadeiras, usando celular em sala de aula.
Qual foi o problema que as meninas causaram para serem suspensas por três dias? Tenho dificuldade em entender. É por que era funk? Não pode ser.
Falando com meus asseclas para ver se eles concordavam comigo, eles me mostraram um nova perspectiva sobre o assunto:
- Um simulacro de arma em uma escola, quando ninguém sabe que é de brinquedo, pode causar algum alvoroço. A probabilidade de ter sido feito pra impressionar pessoas de facções não é pequena. É uma forma de tentar proteger o aluno de entrar em uma vida de crime;
- No PPP (Projeto Político Pedagógico) da escola pode ter definido que em sua gestão é vetado o uso de celular no ambiente da instituição (e não só DENTRO da sala de aula!), exceto em casos de emergência. Em alguns estados como RJ e SP, eles são proibidos por padrão! Usar o celular nesse caso já iria contra as regras, gravar seria pior ainda. Na prática sabemos que é difícil fiscalizar (como todas as leis no Brasil);
- Por serem adolescentes e a maioria serem de menor idade, não tem autonomia sobre o que pode ou não fazer sem a autorização dos país. Logo, mesmo consentindo que a colega gravasse, esse consentimento de nada vale. Semelhante a estupro de vulnerável;
- No tocante a punição, que achei exagerada, por ser a primeira opção em mente pelos educadores, me disseram que a escola faz isso quando não sabe o que fazer. É uma forma de mostrar que o incidente não ficou por menos. Na prática não significa muita coisa, mas pode, de certa forma, ajudar a resguardar as garotas, esperando a poeira baixar. É mais efetivo uma conversa mais franca com os pais;
- Ainda sobre a punição, ela tem um peso diferentes para alunos de escola pública. Se para mim, quando estava no ensino médio, ficar sem ir para escola era ótimo porque podia ficar em casa vendo TV e jogando videogame, o alunato de escola pública perde a merenda (pode ser sua refeição), podem perder o bolsa família. Ademais, a escola funciona como um local "seguro" em que os pais deixam os filhos enquanto trabalham.
E agora? São ótimos argumentos, mas ainda continuo achando a punição desproporcional.
"Fiquei bem surpreso quando vi as imagens, até porque as meninas sempre foram tranquilas e nunca deram problema aqui. O aluno dono do brinquedo não sabia que as estudantes iriam gravar aquele tipo de vídeo. Na verdade, ele trouxe a arma para mostrar para um colega, que também gosta de videogame", explicou o diretor Jairton Câmara..
Qual foi o problema que as meninas causaram para serem suspensas por três dias? Tenho dificuldade em entender. É por que era funk? Não pode ser.
Falando com meus asseclas para ver se eles concordavam comigo, eles me mostraram um nova perspectiva sobre o assunto:
- Um simulacro de arma em uma escola, quando ninguém sabe que é de brinquedo, pode causar algum alvoroço. A probabilidade de ter sido feito pra impressionar pessoas de facções não é pequena. É uma forma de tentar proteger o aluno de entrar em uma vida de crime;
- No PPP (Projeto Político Pedagógico) da escola pode ter definido que em sua gestão é vetado o uso de celular no ambiente da instituição (e não só DENTRO da sala de aula!), exceto em casos de emergência. Em alguns estados como RJ e SP, eles são proibidos por padrão! Usar o celular nesse caso já iria contra as regras, gravar seria pior ainda. Na prática sabemos que é difícil fiscalizar (como todas as leis no Brasil);
- Por serem adolescentes e a maioria serem de menor idade, não tem autonomia sobre o que pode ou não fazer sem a autorização dos país. Logo, mesmo consentindo que a colega gravasse, esse consentimento de nada vale. Semelhante a estupro de vulnerável;
- No tocante a punição, que achei exagerada, por ser a primeira opção em mente pelos educadores, me disseram que a escola faz isso quando não sabe o que fazer. É uma forma de mostrar que o incidente não ficou por menos. Na prática não significa muita coisa, mas pode, de certa forma, ajudar a resguardar as garotas, esperando a poeira baixar. É mais efetivo uma conversa mais franca com os pais;
- Ainda sobre a punição, ela tem um peso diferentes para alunos de escola pública. Se para mim, quando estava no ensino médio, ficar sem ir para escola era ótimo porque podia ficar em casa vendo TV e jogando videogame, o alunato de escola pública perde a merenda (pode ser sua refeição), podem perder o bolsa família. Ademais, a escola funciona como um local "seguro" em que os pais deixam os filhos enquanto trabalham.
E agora? São ótimos argumentos, mas ainda continuo achando a punição desproporcional.
domingo, 1 de setembro de 2019
Inside
Inside é um jogo da mesma empresa que fez Limbo, a Playdead, e assim como seu antecessor, toda a gameplay é compreendida na mais absoluta ausência de diálogos.
A história é toda inferida através das sons naturais dos passos do seu personagem, latidos de cães, tiros, estruturas quebrando, guinchos de porcos, além dos detalhes que podem ser observados nos cenários do jogo (na medida do possível, né? devido ao meu computador). Recomendo jogar com um fone de ouvido para uma completa imersão. Quem é fã de ASMR vai gostar pra caramba
Os desafios presentes são basicamente de três tipos: 1) a resolução de quebra-cabeças (puzzle), 2) agir furtivamente para evitar a detecção dos inimigos ou 3) simplesmente correr feito Usain Bolt para fugir de alguma perseguição.
Sobre o primeiro, a maior dificuldade não é como resolver os enigmas propostos, mas sim a fadiga que acontece certas vezes de andar pra lá e pra cá por um tempo para solucioná-los; Sinto que perde a dinamicidade e euforia da fuga.
Ainda sobre essa questão da fuga, quando os "seguranças" estão no seu encalço logo no começo do jogo, isso gera uma sensação de vulnerabilidade e desespero devido ao personagem sempre se salvar no finalzinho! Quer dizer, nem sempre: caso não consiga, os cachorros o comem ou você é estrangulado ou assassinado a tiros pelas pessoas que te perseguem. BASTANTE PERTURBADOR, tal qual Limbo. A crueldade nas formas de morrer é, paradoxalmente, um dos pontos fortes.
Recomendo Inside pela história, mesmo sem saber de fato qual ela é. A liberdade de criar teorias sobre o jogo graças aos detalhes criados na construção dos cenários foi o que me manteve jogando. Lá pra metade da minha jogatina, o enredo mental que eu tinha criado começou a ficar MUITO psicodélico e me perdi completamente sobre o que estava acontecendo. "Que porra é essa?" foi uma das frases mentais mais repetidas enquanto joguei.
Depois de zerar, procurei umas teorias e fiquei mais em paz, mas ainda assim inquieto. Vai que alguém descobre algo novo mesmo depois de anos do jogo ter sido lançado? Pra mim essa é o encanto que Inside proporciona.
A história é toda inferida através das sons naturais dos passos do seu personagem, latidos de cães, tiros, estruturas quebrando, guinchos de porcos, além dos detalhes que podem ser observados nos cenários do jogo (na medida do possível, né? devido ao meu computador). Recomendo jogar com um fone de ouvido para uma completa imersão. Quem é fã de ASMR vai gostar pra caramba
Os desafios presentes são basicamente de três tipos: 1) a resolução de quebra-cabeças (puzzle), 2) agir furtivamente para evitar a detecção dos inimigos ou 3) simplesmente correr feito Usain Bolt para fugir de alguma perseguição.
Sobre o primeiro, a maior dificuldade não é como resolver os enigmas propostos, mas sim a fadiga que acontece certas vezes de andar pra lá e pra cá por um tempo para solucioná-los; Sinto que perde a dinamicidade e euforia da fuga.
Ainda sobre essa questão da fuga, quando os "seguranças" estão no seu encalço logo no começo do jogo, isso gera uma sensação de vulnerabilidade e desespero devido ao personagem sempre se salvar no finalzinho! Quer dizer, nem sempre: caso não consiga, os cachorros o comem ou você é estrangulado ou assassinado a tiros pelas pessoas que te perseguem. BASTANTE PERTURBADOR, tal qual Limbo. A crueldade nas formas de morrer é, paradoxalmente, um dos pontos fortes.
Recomendo Inside pela história, mesmo sem saber de fato qual ela é. A liberdade de criar teorias sobre o jogo graças aos detalhes criados na construção dos cenários foi o que me manteve jogando. Lá pra metade da minha jogatina, o enredo mental que eu tinha criado começou a ficar MUITO psicodélico e me perdi completamente sobre o que estava acontecendo. "Que porra é essa?" foi uma das frases mentais mais repetidas enquanto joguei.
Depois de zerar, procurei umas teorias e fiquei mais em paz, mas ainda assim inquieto. Vai que alguém descobre algo novo mesmo depois de anos do jogo ter sido lançado? Pra mim essa é o encanto que Inside proporciona.
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