quarta-feira, 4 de setembro de 2019

O caso das garotas dançando funk em uma escola em Brasília

As garotas estavam no intervalo, no banheiro, dançando. Sem camisa, beleza, mas não dá pra ver peito nenhum, porque estavam de frente pra parede. Dançando. Não estava atrapalhando aula alguma. A arma era de brinquedo. Daquelas de plástico que vende em qualquer lojinha de departamento. Uma das meninas gravava enquanto as outras quatro dançavam e compartilhou com os amigos das redes sociais (instagram, creio eu). O vídeo viralizou por ido parar nos meios de comunicação. E aí o Brasil da internet viu que as meninas estavam... dançando. Não estavam matando, roubando, fazendo bullying com o coleguinha, dando hate na internet, mentindo, caluniando, injuriando, não estavam destruindo a escola, pichando as carteiras, quebrando cadeiras, usando celular em sala de aula.

"Fiquei bem surpreso quando vi as imagens, até porque as meninas sempre foram tranquilas e nunca deram problema aqui. O aluno dono do brinquedo não sabia que as estudantes iriam gravar aquele tipo de vídeo. Na verdade, ele trouxe a arma para mostrar para um colega, que também gosta de videogame", explicou o diretor Jairton Câmara..

Qual foi o problema que as meninas causaram para serem suspensas por três dias? Tenho dificuldade em entender. É por que era funk? Não pode ser.

Falando com meus asseclas para ver se eles concordavam comigo, eles me mostraram um nova perspectiva sobre o assunto:

- Um simulacro de arma em uma escola, quando ninguém sabe que é de brinquedo, pode causar algum alvoroço. A probabilidade de ter sido feito pra impressionar pessoas de facções não é pequena. É uma forma de tentar proteger o aluno de entrar em uma vida de crime;

- No  PPP (Projeto Político Pedagógico) da escola pode ter definido que em sua gestão é vetado o uso de celular no ambiente da instituição (e não só DENTRO da sala de aula!), exceto em casos de emergência. Em alguns estados como RJ e SP, eles são proibidos por padrão! Usar o celular nesse caso já iria contra as regras, gravar seria pior ainda. Na prática sabemos que é difícil fiscalizar (como todas as leis no Brasil);

- Por serem adolescentes e a maioria serem de menor idade, não tem autonomia sobre o que pode ou não fazer sem a autorização dos país. Logo, mesmo consentindo que a colega gravasse, esse consentimento de nada vale. Semelhante a estupro de vulnerável;

- No tocante a punição, que achei exagerada, por ser a primeira opção em mente pelos educadores, me disseram que a escola faz isso quando não sabe o que fazer. É uma forma de mostrar que o incidente não ficou por menos. Na prática não significa muita coisa, mas pode, de certa forma, ajudar a resguardar as garotas, esperando a poeira baixar. É mais efetivo uma conversa mais franca com os pais;

- Ainda sobre a punição, ela tem um peso diferentes para alunos de escola pública. Se para mim, quando estava no ensino médio, ficar sem ir para escola era ótimo porque podia ficar em casa vendo TV e jogando videogame, o alunato de escola pública perde a merenda (pode ser sua refeição), podem perder o bolsa família. Ademais, a escola funciona como um local "seguro" em que os pais deixam os filhos enquanto trabalham.

E agora? São ótimos argumentos, mas ainda continuo achando a punição desproporcional.

domingo, 1 de setembro de 2019

Inside

Inside é um jogo da mesma empresa que fez Limbo, a Playdead, e assim como seu antecessor, toda a gameplay é compreendida na mais absoluta ausência de diálogos.

A história é toda inferida através das sons naturais dos passos do seu personagem, latidos de cães, tiros, estruturas quebrando, guinchos de porcos, além dos detalhes que podem ser observados nos cenários do jogo (na medida do possível, né? devido ao meu computador). Recomendo jogar com um fone de ouvido para uma completa imersão. Quem é fã de ASMR vai gostar pra caramba


Os desafios presentes são basicamente de três tipos: 1) a resolução de quebra-cabeças (puzzle), 2) agir furtivamente para evitar a detecção dos inimigos ou 3) simplesmente correr feito Usain Bolt para fugir de alguma perseguição.

Sobre o primeiro, a maior dificuldade não é como resolver os enigmas propostos, mas sim a fadiga que acontece certas vezes de andar pra lá e pra cá por um tempo para solucioná-los; Sinto que perde a dinamicidade e euforia da fuga.

Ainda sobre essa questão da fuga, quando os "seguranças" estão no seu encalço logo no começo do jogo, isso gera uma sensação de vulnerabilidade e desespero devido ao personagem sempre se salvar no finalzinho! Quer dizer, nem sempre: caso não consiga, os cachorros o comem ou você é estrangulado ou assassinado a tiros pelas pessoas que te perseguem. BASTANTE PERTURBADOR, tal qual Limbo. A crueldade nas formas de morrer é, paradoxalmente, um dos pontos fortes.

Recomendo Inside pela história, mesmo sem saber de fato qual ela é. A liberdade de criar teorias sobre o jogo graças aos detalhes criados na construção dos cenários foi o que me manteve jogando. Lá pra metade da minha jogatina, o enredo mental que eu tinha criado começou a ficar MUITO psicodélico e me perdi completamente sobre o que estava acontecendo. "Que porra é essa?" foi uma das frases mentais mais repetidas enquanto joguei.

Depois de zerar, procurei umas teorias e fiquei mais em paz, mas ainda assim inquieto. Vai que alguém descobre algo novo mesmo depois de anos do jogo ter sido lançado? Pra mim essa é o encanto que Inside proporciona.

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Querido Diário #7

Ontem ficou de graça na loja da Epic Games o jogo Inside. Peguei. É da mesma empresa que fez Limbo que, segundo minha resenha na Steam, "gostei do jogo, mas não do final". Pra poder jogar cometi um pecado, que foi instalar outra plataforma de jogos. Foda-se quem pensa assim, né? O importante é jogar (isso é uma mudança de paradigma para mim, saudades cartinhas do steam).

Já fiz os testes aqui: tá rodando suave mesmo sem placa de vídeo.

Foram 32 jogos que peguei na Epic desde que ela começou a torrar dinheiro para fazer propaganda da sua plataforma. Alguns são muito bons, mas nunca tive vontade de instalar para provavelmente me frustrar caso não funcionasse. Esse deu vontade e a tentativa foi um sucesso! Um incentivo para testar outras coisas! Gloria!

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Querido Diário #6

Aproveitando o embalo de ter jogado o Life is Strange e a pobretude de não ter o Before the storm (a continuação/prequela do jogo), resolvi fazer algo que só tinha feito uma vez na vida: assistir um detonado sem comentários do jogo, para entender porque Chloe é tão toxica. Cheguei a conclusão que algumas pessoas são assim mesmo. As vezes procuramos uma origem dos problemas, mas isso é só porque somos curiosos. As vezes não tem explicação mesmo e a gente bola uma só para ter um significado. A parte boa, pra mim, foi que nesse jogo não existe a opção de voltar atrás em uma decisão.

Aproveitei que tinha assistido a esse gameplay e resolvi outro, um que meu primo disse que é um dos melhores que já jogou (ele exagera em tudo, então não dá pra levar tão a sério assim): The last of us.



Ele estava certo. O que mais gostei foi, ao assistir, lembrar de outros jogos, como Metal Gear (atacar e apunhalar sorrateiramente o inimigo), Ico (onde você deve proteger a "princesa"), Shadow of the Colossus (uma civilização destruída, com a natureza tomando conta e terras ermas), Life is Strange (na decisão final que Joel tem) e Before the Storm (o relacionamento pai e filha e as mentiras que contam para proteger as crianças).

PS: o primeiro jogo que assisti inteiro foi The Last Guardian.

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Querido Diário #5

Depois que fiz umas gambiarras no notebook, consegui finalmente jogar Life is Strange. Foram 15 fps, com todos os gráficos no minimo, em modo janela e 800x600 de resolução, mas ainda "jogável". Ou é isso ou não joga. Preferi jogar.

Pra não aumentar a tortura dessa baixa qualidade, resolvi não ser EU MESMO, AUTENTICO como diria Bia, e evitei maiores explorações no cenário, indo direto ao ponto para saber qual é a história do jogo e conclui que Chloe é um daqueles tipo de amizade toxica. Botava Max nas piores situações e ainda ficava contando com o poder dela para resolver as coisas. O professor Jefferson tinha cara de quem gostava de pegar umas novinhas e eu não estava totalmente errado quanto a isso, mas o modo que ele "pegava" era mortal. Tenso. Botei Warren na friendzone (ISSO NÃO EXISTE) o jogo inteiro, tudo porque ele não se declarava logo. Warren é tipo eu, me identifiquei bastante com ele, por isso o odeio.

No final, por mais contraditório que pareça, decidi salvar Chloe porque não passei por tudo aquilo pra voltar pro começo e não salvar ela. Só achei esse final merda porque simplesmente elas saem da cidade e sobem os créditos. Nem pararam pra ver quem sobreviveu ao tornado. Vi o outro final no YouTube e achei mais completo. Fazer o que, vida que segue.